Estratégias do xadrez para a vida

Bruce Pandolfini é um dos professores de xadrez mais conceituados do mundo. Apresento a seguir um resumo de algumas ideias interessantes, publicadas originalmente na revista Fast Company e também na Exame.

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Foto: Bruce Pandolfini


Clareza no presente x clarividência do futuro

A maioria das pessoas acha que a estratégia dos grandes enxadristas consiste em pensar muito adiante, prevendo 10 ou 15 lances futuros. Não é verdade. Os enxadristas pensam apenas até onde é preciso, e isso significa pensar apenas alguns poucos lances à frente. Pensar longe demais é perda de tempo, na medida em que as informações são incertas.

Jogar xadrez significa controlar a situação que se tem pela frente. Você precisa de clareza, não de clarividência. O X da questão não é saber até onde os grandes pensam adiante, mas como eles pensam no momento presente.

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Não se contente com a primeira boa ideia. Procure uma melhor.

Você nunca deve jogar o primeiro bom lance que lhe vem à mente. Pergunte a você mesmo se há algum lance melhor. Já vi Garry Kasparov praticamente sentar-se sobre as mãos para conter sua vontade de fazer um movimento.

“Se você enxerga uma boa ideia, procure outra melhor” – é o meu lema. Para conquistar uma grande vitória, pense diferente.


Vantagens pequenas geram resultados grandes

Wilhelm Steinitz foi o primeiro grande professor de xadrez dos tempos modernos. Steinitz desenvolveu a teoria do xadrez posicional – jogar por vantagens aparentemente insignificantes. Só um pouquinho, muito pouquinho. Tomado isoladamente, nenhum desses pouquinhos significa nada, mas quando se somam sete ou oito deles, você passa a ter o controle da partida.

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Foto: Wilhelm Steinitz


Anatoly Karpov, a Jiboia constritora, é um excelente exemplo de jogador posicional. Não dava nada ao adversário. Não arriscava. Não cedia. Era um lutador de trincheiras, que mantinha o jogo se movendo um centímetro por vez.

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Foto: Anatoly Karpov


Arriscar

Se um lance do adversário não faz sentido, continue procurando a razão. Se tudo indicar que seu adversário cometeu um erro, tome a peça dele! Se você o fizer, ou você está errado e vai aprender alguma coisa, ou está certo e vai ganhar um lance. Não tenha medo de agir com base em sua própria análise.


Jogar contra o adversário, e não contra suas peças

Para ser um bom enxadrista, é preciso saber ler a mente das pessoas. E isso começa com saber ler seus olhos.

Às vezes a partida se reduz uma guerra psicológica. Kasparov usava muito bem isso. Ele costumava quebrar a resistência das pessoas. Quando o adversário fazia um movimento errado, ele fazia caretas ou ria de maneira a humilhá-lo.  Isso pode deixar o adversário muito abatido.

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Foto: Garry Kasparov

Kasparov perdeu essa vantagem quando jogou contra o computador Deep Blue. Afinal, estava jogando com uma máquina.

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Imagem: como Kasparov poderia derrotar Deep Blue em um lance!


Eu me recordo de uma partida disputada por dois russos, Anatoly Karpov e Viktor Korchnoi.

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Foto: Viktor Korchnoi

Korchnoi tinha abandonado a União Soviética e pedido asilo no Ocidente, e esse fato fez a partida ser ainda mais intensa. Karpov tinha em sua equipe um “psicólogo” chamado Vladimir Zukhar. Na realidade, Zukhar era pouco mais do que um especialista em ficar olhando as pessoas fixamente, com os olhos arregalados. Durante todo o tempo da partida, seu papel era olhar fixamente para Korchnoi, e isso o deixou tremendamente nervoso. Karpov acabou vencendo a partida por uma margem muito estreita.


Nunca deixe seu adversário ver você suando

Cometer um erro no meio da partida pode deixar o jogador arrasado. Mas os jogadores excepcionais aprendem a manter calma e confiança totais – pelo menos por fora. Os grandes jogadores podem duvidar do acerto de um de seus próprios lances, mas nunca duvidam deles mesmos. Mas existe uma grande diferença entre cometer um erro e retroceder. Retroceder não é necessariamente negativo. Para conseguir uma vantagem no xadrez, frequentemente é preciso abrir mão de alguma coisa. Na verdade, uma retirada pode ser uma manobra brilhante de ataque, pegando o adversário desprevenido.

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Aprenda a perder para poder aprender a ganhar

Aprender xadrez quando se é criança tem um problema: inevitavelmente, você vai perder muitas vezes. E, evidentemente, uma das principais razões pelas quais uma criança faz qualquer coisa é o desejo de agradar a seu ego. Mas, se você aprende a aceitar as derrotas enquanto é jovem, acaba aprendendo a ganhar. Essa é uma das primeiras funções de um bom professor de xadrez: mostrar aos alunos como suportar a dor da derrota.


Ensinar as pessoas a pensarem

Minhas aulas incluem muitos momentos de silêncio. Ouço outros professores e vejo que eles passam o tempo todo falando: “Por que você está fazendo essa jogada?”, “Que outras opções você está levando em conta?” Quanto a mim, deixo meus alunos pensarem. Quando faço uma pergunta e não recebo a resposta correta, formulo a pergunta em outras palavras – e espero. Nunca dou a resposta. A maioria das pessoas não se dá conta do poder do silêncio. Parte da comunicação mais eficaz entre professor e aluno, entre jogadores mestres, se dá durante os momentos de silêncio.

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Links:

http://www.fastcompany.com/37127/all-right-moves

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/693/noticias/uma-aula-de-estrategia-m0048561

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/02/o-tao-da-guerra-do-general-er-hu/

Princípio da Reciprocidade – dar para receber

Ouvi uma história muito legal.

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Um padre administrava uma igreja. Todos os anos, ele pedia contribuições para melhorias em alguma coisa na igreja – e todos os anos os mesmos fiéis contribuíam. Porém, este ano a reforma era pesada, e ele precisava pedir um esforço maior por parte dos seguidores de sua fé. Mas ele também não queria onerar demais os fiéis seguidores de longa data que sempre ajudavam a igreja.
O padre fez algo diferente. Num determinado domingo, ao invés de pedir dinheiro, ele falou para cada seguidor pegar 10 dólares da caixinha da igreja. Cada um deles deveria investir estes 10 dólares da melhor forma possível, para depois contribuir para a reforma da igreja.

Os resultados foram surpreendentes. Um deles organizou um bazar para vender coisas usadas. Outros compraram ingredientes para fazer um bolo e uma feira beneficente. Outro anunciou seus serviços de passeador de cães, arrecadou fundos e doou toda a receita. O retorno total foi quase 20 vezes maior do que o “investimento” do padre.
A fonte da história é o livro “Persuação e Influência”, de Steve Martin et al.


A estratégia chinesa de guerra número 17 diz: “Dê tijolo para obter jade”. Dê algo pequeno agora para obter algo maior no futuro. Muitas das amostras grátis que recebemos têm esta lógica, a de primeiro fornecer para depois pedir. O problema é que são tantas amostras grátis de tanta coisa que já ficou batido, “tijolos” baratos não tem mais apelo. O seu “tijolo” deve ser algo genuinamente novo e com bons motivos, para aí sim se obter a “jade”.
Nota: Jade era um sinônimo tão forte de riqueza na China, que o ideograma de “jade” é um Rei com um enfeitezinho.

Jade:Jade

Rei: Rei

Arnaldo Gunzi
Jun 2015

Fazer o tigre sair da montanha

Uma das 36 estratégias de guerra chinesas diz “Faça o tigre sair da montanha”.
O território do tigre é a montanha, ele é o dono do lugar e conhece cada árvore de cada caminho. Mas, se o tigre estiver na cidade, vai ficar perdido que nem barata tonta.

Tiger

Uma estratégia de persuasão é esta, a de mexer com o território.


 

Quer negociar alguma coisa difícil? Faça o outro lado vir até a sua mesa, ao invés de você ir até ele. No mínimo, a sua auto-confiança será maior, ao você ditar as condições ao invés das condições serem ditadas a você: vai ter café ou não? Vai ser aconchegante ou não? O seu banco vai estar numa posição mais elevada do que o do outro?

 
E como fazer o tigre sair da montanha? Que tal oferecer alguma coisa para ele vir? Ou marcar num território supostamente “neutro”, e conveniente a ambos? Mas, muitas vezes, um simples convite é suficiente.

 


Não tem nada haver, mas “tigre na floresta” me lembra William Blake:

 
The Tyger
BY WILLIAM BLAKE

 

Tyger Tyger, burning bright,
In the forests of the night;
What immortal hand or eye,
Could frame thy fearful symmetry?

 

Tigre, tigre incandescente
Nas florestas da noite.
Que mão ou olho imortal
Pode enquadrar tua terrível simetria ?

Arnaldo Gunzi
Jun/2015

Ar

Estratégias, Retórica e Eleições

Alguns comentários sobre as campanhas de 2014. Não do ponto de vista político, mas do ponto de vista das estratégias de campanha.

No que se refere a marketing, o PT deu uma goleada. Do lado do PT,
João Santana, que já tinha trabalhado nas eleições anteriores. Do lado do PSDB, a irmã de Aécio Neves.

Focos da campanha
Dia, no final do segundo turno, chamou de volta o ex-presidente Lula para ajudar na campanha. Focaram as campanhas em Pernambuco, Minas e Rio de Janeiro. Em Pernambuco, Aécio tinha o apoio da família de Campos. Os três eram colégios eleitorais grandes, e onde já havia uma simpatia pelo PT. O PT ganhou nos três. E provavelmente, isto fez a diferença.
O PT nem se preocupou muito com o resto do nordeste, onde iriam ganhar de qualquer jeito, e nem com SP, onde perderiam de qualquer forma.
Já Aécio achou que venceria de lavada em Minas, erro fatal.

Mudança
Após o resultado do primeiro turno, o discurso de Dilma passou a ser: “entendi o recado das urnas, governo novo, ideias novas”. Ora, o mesmo governo está aí faz 12 anos. Como assim ideias novas? Entretanto, esta afirmação é boa para o eleitor que já tinha uma tendência a votar em Dilma, e estava desconfortável com a falta de mudanças.

Debates
Nos debates, ficou claro que Aécio é muito melhor orador que Dilma. Seja pela postura, pela organização de ideias. Mas Aécio não conseguiu capitalizar esta diferença. Não conseguiu vitória incontestável.
Apresentava um sorriso nervoso, falso.
Quando Dilma usou argumentos ad-hominen (atacando a pessoa), e Aécio respondeu na mesma moeda, o brilhante marketeiro de Dilma associou a imagem de Aécio a alguém que maltrata as mulheres. Isto, lembrando uma suposta agressão à sua atual esposa, anos atrás. Isto pegou muito mal.

Corrupção
Uma das armas mais pesadas que Aécio poderia utilizar seria os 10 bilhões desviados da Petrobrás. Além disso, havia o episódio do mensalão. Mas Dilma, de novo conseguiu equilibrar as coisas, com o tal do aeroporto em Claudio. Uma obra de alguns milhões de reais, inúmeras ordens de grandeza menor do que os episódios do PT.

Retórica
Portanto, através de estratégia e muita retórica, o PT virou o jogo.
Entretanto, o uso excessivo da retórica para vencer no curto prazo será um tiro pela culatra. O país será muito difícil de governar, pela divisão que foi provocada entre norte Sul, ricos e pobres. Toda ação forte provoca uma reação forte. Nao duvido que alguém de extrema oposição, como Jair Bolsonaro, seja candidato e tenha muitos votos nas próximas eleições.

Espero que as instituições brasileiras – legislativo, polícias, institutos de economia, imprensa – continuem com poderes para exercer os seus papeis. Espero que os economistas do PT sejam tão bons quanto os marketeiros. E que estes façam o que deve ser feito, independente de contrariar o próprio discurso eleitoreiro.

Davi x Golias

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Malcolm Gladwell é um escritor que orbita entre psicologia e economia, colunista da revista New Yorker, e uma mente sagaz e curiosa. Ele faz perguntas e observações intrigantes, que no mínimo fazem pensar.

Um exemplo que ficou famoso em seus livros é a “teoria das janelas quebradas”. Numa vizinhança, quando tudo está limpo e arrumado, a tendência é que tudo continue assim. Uma única janela quebrada não vai fazer a diferança. Acrescente, duas, três, mais janelas quebradas. Vai chegar num ponto (o “ponto da virada”), em que o cuidado com os vidros entrará num círculo vicioso, com menos e menos pessoas se importando, com prejuízo à limpeza, a organização e até atraindo criminalidade.

Seu novo livro é “Davi x Golias”, onde faz algumas insinuações interessantes. A primeira é de que, na lenda bíblica, Davi tinha sim grande chance de vencer Golias. A pedra do estilingue era uma arma poderosa nas mãos de quem sabe mexer. Da mesma forma, “Davis” oprimidos e com desvantagens podem ser superiores aos “Golias” do mundo real. Aquilo que consideramos como vantagens podem não ser tão vantajoso assim, e as desvantagens podem ser uma vantagem no final

Uma das chaves para transformar desvantagem em vantagem é utilizar estratégias de guerrilha. Usar métodos indiretos e não convencionais, ante as técnicas convencionais e de força bruta que a posição vantajosa utiliza. Gladwell cita um estudo, que analisou centenas de conflitos na história. Se um lado em desvantagem utilizar métodos convencionais, ele tem 30% de chance de vencer. Já, se o lado em desvantagem utilizar métodos não convencionais, ele tem 60% de chance.

Um exemplo de técnica não convencional foi o de Lawrence da Arábia. Ao atacar os turcos, havia dois caminhos: um pelas estradas existentes, o outro, dando a volta pelo deserto. Um exército convencional dificilmente conseguiria atravessar um deserto. Imagine um exército montado em camelos, com um rifle e um cantil de água. Entretanto, foi exatamente isto que ele fez. Utilizando a extrema habilidade de encontrar água no meio do deserto, e numa velocidade incrível, eles atravessaram o deserto e pegaram os turcos desprevenidos.

Outro exemplo é o dos impressionistas: Renoir, Cézanne, Monet. Apesar de suas obras serem extremamente valorizadas hoje em dia, ninguém dava bola para eles na época. Foram rejeitados inúmeras vezes nas principais exposições da época. Nenhum crítico deu a mínima bola para o trabalho deles. Muito pelo contrário: achavam esquisito, feio, fora dos padrões que a arte deveria seguir. A solução foi eles mesmos organizarem uma exposição deles, pouco ligando para o que críticos diziam. A exposição foi um sucesso, e foi exatamente esta visão não convencional que marcou a história do impressionismo.

Tomar cuidado com supostas vantagens. É como dar mesada a uma criança, é ruim se for demais. Os incentivos têm a forma de um U invertido, existe um ponto máximo que não é nem muito nem pouco. O exemplo é a noção de que salas de aula com menos alunos são melhores. Nos EUA, teve um momento em que o governo investiu macicamente em professores, para diminuir o número de alunos. Entretanto, a pesquisa comparativa para milhares de escola em que isto ocorreu ou não ocorreu mostra que não houve efeito algum. A mesma pesquisa foi feita no mundo inteiro, e não se viu diferença. A vantagem não foi vantagem alguma, foi apenas custo.

Existe também o “efeito deprivação”. Pessoas que têm algo, mas têm menos do que as pessoas do seu meio, na verdade estão em desvantagem ao invés de vantagem. É como alguém de classe média mudar para um prédio de classe alta. Ele pode até conseguir morar lá, mas não vai conseguir ter o padrão dos outros. Vai ser o peixe pequeno numa lagoa grande.

Outras dicas são de se posicionar como um Davi, buscando novas estratégias, pontos de vista diferentes. Mudar as regras do jogo, passar além dos limites do possível. Fazer da desvantagem como uma vantagem, e tomar cuidado com as vantagens existentes.

Estratégia de incentivar o concorrente

Saiu na Folha:

Após dois anos de estudos, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) inicia nesta quarta-feira (24) os testes de campo de uma ambiciosa estratégia internacional de combate à dengue: a introdução na natureza de exemplares do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, imunes à doença.

No total, dez mil mosquitos “vacinados” serão liberados a partir de hoje em Tubiacanga, na Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Esta será a primeira vez em que um país nas Américas recebe o estudo; a iniciativa também está sendo feita paralelamente por cientistas da Austrália, Vietnã e Indonésia.

Com a utilização de uma bactéria natural, a wolbachia – encontrada em cerca de 70% dos insetos na natureza, incluindo moscas-das-frutas e pernilongos “comuns” – os pesquisadores garantem ser uma forma segura de reduzir a transmissão do vírus pelo mosquito.

A pesquisa já havia sido apresentada em setembro de 2012, no Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio. Em laboratório, cientistas contaminam os embriões do Aedes aegypti com uma variante da bactéria wolbachia, que acaba impedindo o desenvolvimento do vírus da dengue no organismo do mosquito.

Erro de estratégia eleitoral

CorridaEleitoral

Corrida eleitoral brasileira de 13/09/2014.

As pesquisas mostram Dilma com 39%, Marina com 31% e Aécio com 15%.

Desde que a candidata Marina Silva surgiu nas pesquisas como uma fortíssima candidata a vencer a eleição, tanto Dilma quanto Aécio passaram a atacá-la: mostrar inconsistência de posicionamento, falta de apoio parlamentar, falta de experiência.

Aécio só vai para o segundo turno caso aconteça algum milagre. E, mesmo se for, Aécio não ganha em nenhum cenário possível. Nunca ganhou a eleição em nenhuma pesquisa já feita. Entretanto, ele aposta neste milagre, e continua a atacar a candidata Marina Silva.

Eu acho este posicionamento de Aécio um erro estratégico. Ao atacar Marina, ele favorece Dilma. Seria mais interessante fazer duas coisas.
1 – Assumir (não publicamente, mas estrategicamente) que já perdeu a eleição.
2 – Aliar-se a Marina e atacar Dilma.

Desta forma, além de ter chances efetivas de montar uma aliança que vai governar o país, esta aliança melhoraria os aspectos ruins de Marina: suporte em termos de apoio parlamentar, suporte com experiência de governos passados, e um discurso mais consistente.

Assumir a derrota e partir para a segunda opção é melhor do que acreditar em sonhos, reviravoltas e milagres.