Reinventar a roda e outros aforismos

Reinventar a roda

Um consenso geral é de que é perda de tempo tentar reinventar a roda. É melhor usar a roda e construir em cima desta do que tentar recomeçar do zero.

Estão errados. O único jeito que consigo aprender realmente a fundo alguma coisa é reinventando a roda. É claro que em 99% das vezes realmente vou usar o que está pronto. Mas, nos assuntos em que realmente quero trabalhar e estudar profundamente, tenho que reinventar a roda, ou seja, entender a fundação das fundações.

Não tenho vergonha de reinventar a roda.

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É por isso que, de vez em quando, saio com algumas rodas originais.

 

 


 

Duas metades

História do teatro grego de Aristófanes, de 2500 anos atrás: no início dos tempos, éramos perfeitos. Perfeitos como uma esfera. Os deuses dividiram a esfera perfeita em duas partes, incompletas em si mesmas. Desde então, temos que procurar uma outra metade para nos completar.

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Lavar as mãos

Nunca uma pessoa salvou tantas vidas e foi tão desprezado quanto o médico húngaro Ignaz ​Semmelweis. Em 1847, ele notou que a taxa de mortalidade de mulheres grávidas nos hospitais era maior do que se estas dessem a luz em casa. A medicina fazia mais mal do que bem. Semmelweis sugeriu uma medida extremamente simples: que os médicos lavassem a mão.

​Semmelweis foi desprezado pelos seus pares. Na época, a microbiologia era um assunto desconhecido. Apesar dele afirmar que lavar as dava reduzia bastante os problemas, ele não conseguiu explicar cientificamente o motivo disso dar certo ou não.

Somente anos após a sua morte, e com os estudos da teoria de germes de Louis Pasteur, é que houve aceitação geral de que realmente lavar as mãos era a forma mais básica de prevenção contra infecções.

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Estados fazem guerra e vice-versa

Uma citação interessante, atribuída ao cientista político ​Charles Tilly: “a guerra faz o estado, e estados fazem guerra”. A necessidade de se proteger de outros estados bélicos faz com que haja a necessidade de um estado forte, e um estado forte ajuda este a partir em busca da aquisição de outros estados, num ciclo sem fim.

 


O demônio de Laplace

Um experimento mental de 1814, do matemático Pierre de Laplace.

Imagine um super mega computador, ou como não existiam computadores na época, um demônio. Este computador tem o conhecimento de todas as leis da física, e também tem sensores espalhados em cada átomo do universo, ou seja, conhece a posição, velocidade, momento de inércia, temperatura de tudo o que existe.

Este supercomputador seria capaz de aplicar as leis da física e prever todo a posição futura de todas as partículas do mundo, daqui a um milhão de anos. E, da mesma forma, seria possível voltar no tempo, e dizer como foi o universo há um milhão de anos atrás.

Este experimento reflete bastante o modelo de mundo mecanicista, determinístico, linear, da época.

Há vários furos nesta teoria.

– Leis da termodinâmicas são irreversíveis, notadamente por conta do fator chamado entropia. Digamos, dá para estimar que uma percentagem da energia para mover um pêndulo vai se perder na forma de calor, mas não dá para saber exatamente qual átomo vai liberar calor – e a partir do calor, não dá para rastrear de volta a sua origem.

– Em nível quântico, também não sabemos a posição exata de um elétron – na verdade nem sabemos se existe uma posição exata. É tudo tratado de forma probabilística.

– A teoria do Caos foi um dos grandes avanços do século passado. Um matemático, Edward Lorenz, estava trabalhando em modelos de previsão do tempo. Um dia, gravou o resultado, desligou o computador, e recomeçou os cálculos no dia seguinte. O resultado da previsão deu completamente diferente do que ele tinha anteriormente. Intrigado, ele verificou o que tinha acontecido, e descobriu que uma diferença minúscula no arredondamento dos dados de entrada, digamos proporcional ao bater de asas de uma borboleta, tinha causado esta diferença abismal nos resultados (um furacão do outro lado do mundo).

Mesmo com poucas equações 100% determinísticas, uma variação pequena dos dados de entrada pode provocar alterações enormes no resultado final. Em resumo, o famoso efeito borboleta.

 

Para mim, faz muito mais sentido a afirmação diametralmente oposta: mesmo com todos os supercomputadores do mundo, e com milhões de sensores, não é possível prever o futuro.

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Links

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis

http://duckofminerva.com/2013/06/war-made-the-state-and-the-state-made-war.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Laplace%27s_demon

https://en.wikipedia.org/wiki/Chaos_theory

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