Resumos têm utilidade resumida

Já tentei algumas vezes acompanhar aqueles resumos de um página, de livros de negócios, economia, etc. Fiz um teste, comparando o resumo contra o meu conhecimento de um livro que já tinha lido.

A sensação que tenho é que não funcionam. Perde-se demais do conteúdo ao ler apenas o resumo. Não há a profundidade necessária para a compreensão do tema.

Parece que o ser humano, para entender alguma coisa direito, tem que fazer muitas conexões neurais. Correlacionar o que está sendo dito com alguma experiência: o vinho tomado na praia, a aula com o professor divertido, a música do filme do cachorro, etc… Portanto, o aprendizado humano necessita de tempo e que a mesma tecla seja repetida algumas vezes, sob contextos diferentes. E é isso que o resumo não tem, não dá a chance de martelar o assunto na cabeça do fulano (e isto se o resumo for bem feito, o que muitas vezes não é).

A ideia de conexões neurais tem até um nome: Princípio de Hebb: neurõnios que se ativam juntos, disparam juntos. E este princípio é utilizado em alguns algoritmos de aprendizado de máquina.

O único jeito que um resumo funciona é se eu mesmo fizer o resumo. Ler várias páginas, entender a profundidade e registrar os pontos chave. Ler 500 páginas para criar uma. Aí sim, o resumo vai fazer sentido (mas só para mim).

3 comentários sobre “Resumos têm utilidade resumida

  1. O seu post me fez lembrar de como eu pensava sobre o processo do aprendizado. Cheguei a fazer uma palestra em Congresso da ABIPLAST sobre a aplicação do KAIZEN na CPC, empresa onde eu era, na época, Diretor Superintendente. Minha tese era simples: para possibilitar a melhoria contínua o método era a aplicação do PDCA (Plan; Do; Check; Act) sempre numa espiral de crescente crescimento corrigindo a atuação que deu errado e aprimorando a que deu certo.
    Exemplificava que o aprendizado só acontecia com a aplicação do PDCA, contando que ao chegar no aeroporto de uma cidade desconhecida e alugando um carro (no tempo em que não tinhamos o Waze) para ir ao hotel, tinha de verificar em um mapa qual caminho ia percorrer, planejando atentamente o percurso. E ao percorrê-lo corrigindo eventuais defeitos, tipo rua fechada temporariamente, etc. Isso permitia aprender o caminho do hotel e eventualmente refazê-lo em outra eventualidade.
    Se simplesmente pedisse a um taxi para ir ao hotel e o seguisse não aprenderia o caminho.
    Outra coisa que citava era que até a terceira série ginasial era um aluno medíocre de matemática. Quando iniciei a quarta série ginasial (atual nona série do ensino médio) meu pai me colocou numa turma de um professor particular, Benedito de Moraes, que tinha sempre duas turmas de ensino de matemática. Na do primeiro ano ensinava o material do ginásio, e na do segundo ano ensinava a matéria dos 3 anos do científico. Entrei no primeiro ano. E passei a ser um excelente aluno de matemática.
    O método do Professor Benedito era simples: aulas às segundas, quartas e sextas, das 18 às 22 horas com muita didática expondo o assunto e cerca de 30 minutos da aula dedicada à resolução de problemas, onde premiava com “lapis” os alunos que resolvessem o problema mais rapidamente. Além disso uma lista semanal com 150 problemas sobre os assuntos da semana para serem resolvidos em casa e serem entregues no início da semana seguinte. Acredito que esta prática de resolver 150 problemas toda semana é que nos fazia aprender.

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    1. Grande Melo,

      Pois então tenho um post para recomendar. Basicamente, eu sempre achei decoreba uma porcaria. Mas a argumentação do artigo me fez pensar. Em muita coisa, primeiro aprendi por repetição, e só depois de um tempo, fui entender as razões, os por quês. Como se fossem ilhas de conhecimento isoladas, que são unidas após persistẽncia e dedicação, persistência de dedicação…

      https://ideiasesquecidas.com/2016/09/27/um-novo-paradigma-de-aprendizado-aprender-por-osmose/

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