“Nós”, no lugar de “eu”

O que faz um executivo efetivo?

 

Assisti recentemente a uma palestra de um diretor de uma das maiores empresas do Brasil, que me incomodou bastante… mas não sabia exatamente o que tinha me incomodado. Passados alguns dias, entendi. E tem haver com um artigo de Drucker.

 

Peter Drucker é considerado o pai da administração como ramo de estudo. Um de seus artigos mais famosos é “o que faz um executivo efetivo?”.

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(https://hbr.org/2004/06/what-makes-an-effective-executive)

(https://www.amazon.com/Effective-Executive-Harvard-Business-Classics-ebook/dp/B01LBRS42Q/ref=sr_1_4?s=books&ie=UTF8&qid=1476066070&sr=1-4&keywords=what+makes+an+effective+executive)

 

O artigo começa fazendo algumas desmistificações. Um grande executivo não precisa ser carismático. Não precisa ser estilo “paizão” nem estilo “carrasco”. Também não precisa ser um super-homem, no sentido de ser bom em todas as características possíveis e estar disponível 24 h por dia. Cada um tem as suas próprias características, e todos temos defeitos. Mas sim, o que executivo precisa é ser efetivo. Efetividade é diferente de eficiência, vide aqui.

 

Drucker começa a descrever o que é necessário para ser efetivo, em ordem de importância.


 

O executivo deve se perguntar: “O que deve ser feito?”

 

A segunda pergunta é: “ o que é o correto a se fazer?”

 

Essas duas perguntas, tão simples mas tão eficazes, podem ajudar nas difíceis escolhas que fazemos.  Acesse este artigo aqui.

 

A seguir, ele escreve sobre planos de ação – ação de verdade, não uma carta de intenções bonita que fica esquecida num canto da mesa.

 

Ele diz sobre responsabilidade sobre pessoal, responsabilidade sobre decisões e sobre aproveitar oportunidades.

 

No último item, ele diz que o executivo eficaz deve dizer “nós” ao invés de “eu”.
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E, bingo! Era isso que estava me incomodando.

 

O executivo da palestra usou o termo “eu” o tempo inteiro. “Eu gasto x milhões com manutenção”, “Eu produzi y toneladas”, “Eu tenho a meta z”. Em nenhum momento falou que a empresa tem a meta, que a equipe produziu ou que o setor de manutenção gastou. Nenhum “nós”, o foco era sempre no “eu”.

 

Isto é apenas um detalhe?

Sim. Até porque, na lista de Drucker, o “usar nós ao invés de eu” é o menos relevante da lista. Se o tal executivo é efetivo nos outros pontos, ótimo.

 

Mas usar apenas “eu” demonstra um egocentrismo, uma necessidade de centralizar: estar no controle de tudo e de todos.  Além disso, está semanticamente errado: milhares de funcionários colocaram a mão na massa, revezando-se em turnos 7 dias por semana e 24 horas por dia, para entregar a produção da empresa. Não foi uma única pessoa. Nem se esta fosse um super-homem.

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