O ratinho ansioso e a ratinha persistente

Um ratinho ficou preso num barril.

 

 

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Desesperado, tentou roer a parede de madeira. Roeu, roeu, e pouco avançou.

 

O ratinho ficou irritado e tentou roer a parede em outro lugar, na esperança de encontrar um ponto fraco. Após alguns minutos de pouco avanço, trocou de lugar e recomeçou de novo. 

 

Este ciclo de tentativa – recomeço repetiu-se dezenas de vezes, até que o ratinho, esgotado, sucumbiu sem energias para fugir.

 


 

Outro dia, uma ratinha caiu num barril. Ela passou a roer uma das paredes. Só que, ao contrário do ratinho, ela insistiu em roer no mesmo lugar, progredir lenta mas constantemente, ao invés de procurar avanços extraordinários.
A ratinha ficou algumas horas roendo a parede do barril no mesmo lugar, e finalmente abriu um buraco. Enfim, conseguiu a liberdade! 

Um progresso lento, mas consistente e focado é melhor que tentativas rápidas e tresloucadas!

English as first language

This post is exceptionally written in english.
 
The japanese company Rakuten (http://global.rakuten.com/en/) is an online marketplace similar to Ali Express.
 
Rakuten uses English as the first language, instead of japanese, inside the company. Official documents, reports, e-mails, everything is written in english.
 
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In the long term, this is great for the company, because it increases the workers proficiency in english and facilitates business with the rest of the world. It is also good for workers, because they will develop this important skill in an increasingly connected world.
 
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But, of course, in the short term Rakuten faced a lot of problems and resistance. Take a look on their challenges:
 

 

In Brazil

 
In Brazil, for large companies, I believe something similar is impossible. The illiteracy in english is the rule in Brazil.
 
But we can try this with our friends and people we know can understand english. We can communicate with them only in english, at least in e-mails.

 

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 Try this. From now on, for at least one year, select some friends and close colleagues and use only english in the communication with them. It is a worth exercise.
 
Arnaldo Gunzi

Correlação e Comunicação

Fui procurar no Google o significado da palavra “flanador”. Encontrei isto:

Definição de Flanador

s.m. Aquele que flana.

Classe gramatical: Substantivo masculino
Separação das sílabas: fla-na-dor

Ou seja, perdi o meu tempo, continuei sem entender coisa alguma.

Procurei em outro dicionário, e obtive a mesma resposta. Tentem este exercício no Google.


Lembrei de uma dica simples e efetiva de comunicação, ensinada pelo prof. Auro Honda. Se você está explicando algo e a outra pessoa não entendeu, tente explicar de outra maneira. Não adianta repetir a mesma coisa inúmeras vezes.


Informação

Há 100% de correlação entre “flanador” e “aquele que flana”. Não há nova informação.

Para eu explicar alguma coisa nova  a alguém, tenho que usar informação com 80%, 90% de correlação. Ou seja, informação que tenha alguma coisa em comum, mas que também tenha novos elementos.

“Flanador é aquele que gosta de passear”. “Flanador é quem anda por aí sem preocupações”. “Flanador é quem gosta de devaneios”.

Nenhuma dessas definições corresponde a 100% de precisão, mas elas transmitem uma informação nova, e são muito mais claras.

Outra forma de informar é com imagens. O Google imagens ajuda muito nisto. Exemplos de flanadores:

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Loop infinito

Informação 100% precisa, correta e inútil:

“Flanador” = “aquele que flana”

“Flanar” = “verbo que indica a ação do flanador”

Arnaldo Gunzi

Pragmáticos x Integradores

“Sozinho chego mais rápido, acompanhado chego mais longe”  – Clarice Lispector

 

Um dos modelos de comportamento classifica os tipos humanos nos eixos racional – emocional e resultados – relações.

 

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Quem é voltado a resultados é Pragmático: tende a ser individualista e age com força para tentar chegar ao resultado.

 

A ex-presidente Dilma Roussef é Pragmática. Não é boa para fazer alianças políticas. Trata os subordinados aos berros. Quer baixar os juros, e o que faz? Induz os bancos a baixarem os juros na marra. Quer segurar a inflação? Proíbe o reajuste de preços da gasolina, causando desequilíbrio financeiro à empresa e prejudicando completamente o setor da cana de açúcar. Quer baixar a conta de luz? Faz as elétricas baixaram na marra os preços, novamente sem corrigir os fundamentos para possibilitar a diminuição de preços.

 

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Resultados: num curto prazo, os juros baixaram, a gasolina não subiu e a energia baixou. Mas, mexer na consequências sem corrigir a causa gera desequilíbrio. Os juros voltaram a subir, a Petrobrás só não quebrou por ser estatal, a eletricidade está subindo e as elétricas tomaram muitos prejuízos.

 

Quem é altamente pragmático pode se encaixar bem numa posição de execução. Mas pode não ser uma boa escolha para uma posição de gerenciamento de pessoas.

 

Quem é voltado à relações é um Integrador. Integradores podem não se dar bem com matemática, mas são bons em relacionamento humano.

 

Michel Temer é um bom Integrador. Ele não tem uma capacidade de palanque, mas um perfil de costurar alianças nos bastidores e apaziguar grupos distintos.

 

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Política é complexa porque o ser humano é complexo. Em política, há diversos grupos heterogêneos que têm interesses distintos. É como se tivessem várias pessoas num barco, cada uma remando numa direção. Fazer com que a maioria reme em direção a um objetivo comum é o grande desafio do Integrador.

 

Temer já deu grandes mostras do que é capaz de fazer: é líder de um partido como o PMDB, que é uma colcha de retalhos de interesses distintos. Forjou alianças para aprovar o impeachment da antecessora. Tudo isso sendo desconhecido do grande público.

 

Este blog prevê que Temer terá sucesso político muito maior do que a predecessora.

 

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O Expressivo é alguém com um lado bastante emocional. Está sujeito a expressar emoções com força.

 

O ex-presidente Lula é alguém bastante expressivo.

 

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O Analítico é aquele sujeito frio, calculista. Faz as contas para verificar o que acontece, e não se rende às emoções. Eduardo Cunha, que presidiu a sessão do impeachment, é  assim: tão frio que nem precisa de ar-condicionado.

 

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Só escrevi este post porque achei interessante os 4 políticos mais visados do momento terem perfis tão opostos.

 

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Arnaldo Gunzi
Abril 2016

 

 

Provas bimodais e os três “por quês?”

Tive a honra de conhecer o prof. Luiz Wagner Biscainho, dono de uma inteligência fabulosa e um ouvido supersônico, quando fiz mestrado em Eletrônica na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ele era especialista em aplicar “provas bimodais”: metade da turma tirava Zero, a outra metade tirava Dez. Acho que ele fazia isto meio sem querer, ou talvez “sem querer querendo”.

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Distribuição bimodal
O padrão era o seguinte. A prova continha questões um passo além das óbvias. Não bastava apenas fazer os exercícios dos livros. O aluno tinha que realmente entender o que estava fazendo e quais eram as implicações da teoria apresentada. Ou ele entendia o que estava fazendo e tirava Dez, ou não conseguia nem inventar uma resposta qualquer para enrolar.

É claro que o resultado também era bimodal: ou a pessoa desistia de fazer o curso, ou virava fã do Luiz Wagner.

 


 

Como tirar 10 do jeito Luiz Wagneriano

Para tirar 10 numa prova dessas, é necessário buscar além do primeiro “por quê?”. Deve-se perguntar três “por quês?” em seguida, em profundidade, a fim de entender realmente o tema.

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Todo mundo tem a resposta para o primeiro “por quê?”. Mas a ideia é prosseguir: “por quê?”. O segundo “por quê?” é mais difícil de responder. E o terceiro “por quê?” é bem profundo, as pessoas não têm a resposta.

Convido os leitores a fazer este exercício. Questionar um passo além do ponto em que normalmente paramos.

Exemplo.

Afirmação: não consigo estudar
Por que não consegue estudar? Porque não tenho tempo.
Por que não tem tempo? Porque trabalho de dia.
E não daria para estudar no ônibus? Ou à noite? Ou de manhãzinha? Ou alocar uma hora por dia para isto? Ou dispensar alguma outra atividade para estudar? Trocar o tempo do Facebook por uma leitura?

Este método dos três “por quês?” na verdade é inspirado no empresário Ricardo Semler, de uma companhia chamada Semco.

Há um método do Sistema Toyota com 5 “por quês”. Mas acho 5 um número grande demais. Três já são suficientes para passar a ideia: questionar além do superficial e entender a essência do problema. E tirar 10 na prova do prof. Luiz Wagner.

 

Arnaldo Gunzi

O software mais perigoso do mundo

O software mais perigoso do mundo…

Ferramentas em Excel-Vba

Li um artigo da revista Forbes* que dizia que Microsot Excel é o “Software mais perigoso do mundo”. É uma brincadeira, é claro. Mas o artigo sustenta que há um certo fundo de verdade.

Diz o artigo que o Excel está em todos os lugares e qualquer um consegue mexer nele. Além disso, este pode gerar planilhas com muita complexidade.

images.jpgDezenas de trilhões de dólares no mundo financeiro são manipulados anualmente baseados em análises em planilhas Excel. Planilhas estas que envolvem milhares de cálculos, tabelas copiadas e coladas, com links externos, etc.

O artigo diz que há risco de as pessoas não terem ideia do que estão fazendo. Uma conta errada e pronto: decisões de bilhões de dólares serão baseadas numa planilha furada. Por isso, o perigo. Algumas das ideias para evitar isto são aumentar controles, padronizar processos, auditar trabalhos, etc.

Puro bullshit, na minha opinião.


O software mais poderoso…

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Por que você não abre a sua própria empresa?

Já fiz alguns trabalhos muito interessantes em minha carreira profissional. Vendo alguns desses trabalhos, de vez em quando algum colega pergunta: “Por que você não abre a sua própria empresa?”
 
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A minha resposta é sempre algo como “não tenho habilidade como vendedor”, “não gosto da parte burocrática”, etc. Mas é tudo mentira.
 
A verdade é que não tenho coragem para ser um empreendedor. Prefiro a segurança de receber um valor fixo todos os meses ao risco de passar apuros.

 


 

Empreendedorismo = Risco

 
Um empreendimento pode ou não dar certo. Se der certo, é claro que haverão recompensas, como o retorno financeiro.
 
Mas empreender é extremamente difícil. Seja por falta de habilidade comercial, seja porque o mercado vai contra, ou porque o produto é ruim mesmo, o novo negócio pode dar errado. Empreender significa assumir compromissos com fornecedores e bancos. Significa ter que pagar em dia para os funcionários, sob pena de descumprir pesadas legislações trabalhistas. Significa assumir riscos.

 

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Tenho grande aversão ao risco. E não sou o único. A maioria das pessoas também é avessa ao risco.
 
Basta ver a grande procura que têm os concursos públicos, por terem atrelado a eles a palavra mágica “estabilidade”, junto com outra palavra mágica: “salário acima da média”.
 
 


Herois anônimos
 
Quem olha a Disney hoje, vê um império multibilionário de entretenimento.
 
Poucos sabem que Walter Disney quebrou duas vezes, atrasando salários a funcionários, pagamentos a fornecedores, a ponto de ser despejado da própria casa. Disney chegou ao fundo do poço antes de atingir o sucesso. O mesmo ocorreu com dezenas de outros empreendedores.
 
O Walt Disney que conhecemos atingiu o sucesso, mas quantos Walt Disneys anônimos fracassaram?
 
Quantas lojas em shopping, restaurantes, imobiliárias, websites, concessionárias de veículos, pequenos negócios, quebram anonimamente todos os dias e nem sequer tomamos conhecimento?
 
O grande pensador contemporâneo Nassim Taleb chama os empreendedores de heróis anônimos do mundo. São os que colocam a “pele no jogo”. Assumem grandes riscos para trazer para nós as lojas de conveniência, restaurantes, táxis…

 
Do livro “Antifrágil – coisas que se beneficiam com o Caos”:
 

Dia do Empreendedor
 

O empreendedorismo é uma atividade arriscada e necessária para o crescimento ou, até mesmo, para a simples sobrevivência da economia.
 

Para progredir, a sociedade moderna deveria estar tratando os empreendedores arruinados com a mesma lógica que os soldados mortos…

 

Meu sonho é que tivéssemos um Dia Nacional do Empreendedor com a seguinte mensagem:
 

A maioria de vocês fracassará, será desrespeitada, empobrecerá, mas somo gratos pelos riscos que vocês estão assumindo e os sacrifícios que estão fazendo em prol do crescimento econômico do planeta e forçando os outros a sair do problema. Vocês estão na origem da nossa antifragilidade. A nação agradece.

 

Empreendedores são os que transformam a teoria em prática. É na prática que vemos se uma ideia funciona ou não. Empreendedores são os que assumem riscos e trazem inovação ao mercado. Ao invés de penalizar cada vez mais os empreendedores, os governantes, “intelectuais” e críticos deveriam é dar mais valor a eles.

 

Para completar, o mestre Peter Drucker:

 

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Confesso que colei

Confesso que já colei em provas do segundo grau. Isto era algo sistêmico. Quase todo mundo colava…
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Sempre gostei muito de estudar, e comecei o segundo grau estudando muito. Todas as matérias: português, matemática, física, química, geografia, história.
Com o passar do tempo, fui notando que os meus colegas colavam. Uns anotavam resumos em papeizinhos e escondiam. Outros escreviam na borracha e emprestavam a mesma para o colega do lado. E alguns passaram a me pedir cola.
Nestas circunstâncias, quem cola e não é pego (ninguém nunca foi pego) leva vantagem por estudar menos tempo. Não havia vantagem aparente em decorar um monte de conteúdo ao invés de escrever um resumo num papel e esconder no bolso.
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A Disciplina Consciente

Tive a sorte e competência de estudar o terceiro grau numa escola de enorme prestígio, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos.
 ITA
O que quero trazer aqui é um “código de honra” interno.
No ITA ninguém cola. Não tem esse negócio de escrever papeizinhos, mensagem na borracha, nada. É a Disciplina Consciente, que é ensinada dos veteranos aos calouros desde o primeiro dia em que entramos na instituição.
  • Colar é ruim para a universidade, justamente porque prejudica quem estuda sério e beneficia quem dá um jeitinho.
  • Colar é ruim para o aluno, primeiro porque é desonesto, depois porque isto se torna um hábito sem a qual ele não consegue viver sem. Quando precisar fazer algo sem colar,  vai ser muito mais difícil.
A confiança na Disciplina Consciente era uma via de mão dupla. Os professores também acreditavam na gente.
No ITA, alguns professores chegavam na sala, distribuíam a prova para cada aluno. As instruções: “Vocês têm duas horas para fazer a prova. Coloquem as mesmas neste envelope depois que terminarem”. Depois, o professor saía da sala.
Tinha uma professora nova que não acreditava muito nesta história de Disciplina Consciente. E tentou fazer uma pegadinha. Aplicou a prova, saiu da sala, e ficou espionando os alunos.
Ninguém colou.
Fez o mesmo em outras turmas, e de novo, ninguém colou. A professora passou a acreditar na gente.
A Disciplina Consciente era o orgulho dos alunos. Mas também era algo sistêmico: se ninguém cola, porque seria eu o único a fazê-lo? A pena por colar ia muito além de tirar zero na prova: significava ficar queimado com todos os colegas de todas as turmas por toda a eternidade.

Os veteranos estavam corretos
E os meus sábios veteranos estavam corretos. Não colar foi bom para a universidade e melhor ainda para mim.
O mundo é um ciclo. Recebo o que dou.
Quanto mais uma pessoa estuda de verdade, mais conhecimento ela tem e mais fácil fica estudar para as próximas provas.
Quanto mais uma pessoa cola, mais vai depender de cola no futuro.
Se eu errar, mas o processo for correto, vai ser melhor do que acertar por um caminho incorreto.
O mundo é mais rico se eu tiver as minhas próprias ideias, assumir os meus acertos e erros sem precisar dar um jeitinho brasileiro.
Tenho extremo orgulho em dizer que, nos 5 anos de engenharia de uma das escolas mais difíceis do Brasil, não vi nem um único caso de cola.

 

Arnaldo Gunzi

Veja também:
abe
stanley