Metrô sem catraca: o VLT carioca

Em 2006, fui para a cidade de Quebec, no Canadá.
Nesta cidade belíssima, dois detalhes me chamaram a atenção: as casas não tinham muros e os ônibus não tinham cobrador.

Casas sem muros
Nenhuma casa, hospital, universidade, shopping, nada tinha muro. Fiquei alojado na Universidade de Laval, e andando pelo câmpus, chegava num ponto que não sabia se havia saído da área da universidade ou não.
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Casa em Quebec
Morei muito tempo na periferia de São Paulo, onde além de um muro alto, a minha casa tinha uns pedaços de vidro cimentados em cima do muro e um cachorro Pastor Alemão grande para tomar conta da casa. Eu me perguntei quando no Brasil chegaríamos neste nível de civilidade canadense.
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Muro de casa da periferia de SP

Ônibus sem cobrador
A segunda coisa chocante que vi eram os ônibus sem cobrador. Tinha o motorista e uma caixinha para pôr o dinheiro. Não voltava troco, você tinha que colocar o valor exato. O motorista não conferia nada: se o ônibus custasse 2 dólares e o fulano colocasse 10 centavos, ninguém nunca ia saber quem foi.
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Ônibus do sistema de transporte de Quebec
Eu pensei. Se o nível de calote for baixo, menor do que o custo de pagar um cobrador para ficar na catraca, realmente é melhor para todo mundo não ter cobrador. Confiança entre as pessoas e honestidade são a chave disto tudo. A população sabe que, se não pagar, a empresa de ônibus não vai sobreviver, o que será ruim para todos. É um pensamento coletivo, ao invés de individual.

O VLT carioca
Avançando 10 anos no tempo: 2016. A cidade do Rio de Janeiro agora conta com um transporte chamado VLT: Veículo Leve sobre Trilhos. Um trenzinho de 5 vagões pequenos, ao ar livre. Chamar de metrô é exagero, está mais para super ônibus articulado.
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Ele veio para preencher alguns erros no transporte da cidade. Por exemplo, o metrô do Rio não passa pela Rodoviária. O metrô também não passa pela zona portuária. Nem pelo aeroporto Santos Dumont (mas tem uma estação a um quilômetro dele, a Cinelândia). Já o VLT faz exatamente este trajeto, e uma das ideias é que o VLT ajude na revitalização da região portuária da cidade.
E o mais curioso: o VLT carioca não tem catraca! Não tem cobrador! Tem apenas um leitor de cartão, em que o próprio passageiro passa o Rio Card.
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Como o VLT passa pelo centro do Rio, que está sendo embelezado para as Olimpíadas, fazer estações com catracas ficaria muito feio. Hoje é tudo aberto, igual a um ponto de ônibus.
E se o passageiro não passar o cartão? Há uns fiscais, que podem ver e cobrar que o passageiro passe o cartão. Mas não há tantos fiscais assim, o que significa que será muito na confiança mesmo.
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O VLT tem sensores para contar o número de passageiros. Se o calote for maior do que 10% dos passageiros, a prefeitura vai cobrir a diferença. Se este calote for consistemente alto, não vai restar outra alternativa senão levantar muros, colocar catracas e cobradores em torno das estaçõeszinhas. Quem sabe, colocar cacos de vidro no alto do muro e um Pastor Alemão também. Depois que as Olimpíadas passarem, é claro.

Pois bem, vejamos em que vai dar o experimento do transporte sem catracas. A população carioca em geral é trabalhadora e honesta. O VLT faz um percurso pequeno e pelo centro da cidade. Entretanto, há um nível de pobreza alto no RJ, e que teria que ser resolvido atacando as raízes: economia forte, educação de qualidade, etc.
Vou resgatar este post daqui a 10 anos, para comparar a expectativa com a realidade. Será que em 2026 teremos o nível de Quebec em 2006?

Airbnb 

O Airbnb é o maior rede hoteleira do mundo, mesmo sem ser um hotel e mesmo sem ter um único quarto a alugar.
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O Airbnb conecta proprietários de imóveis com pessoas físicas que querem alugar por um período de tempo. Por exemplo, se eu tivesse uma casa na praia, poderia deixar para alugar nos finais de semana que não vou usar.
Este tipo de aluguel sempre existiu, mas você tinha que conhecer alguém que conhecia alguém que tinha a casa. Agora, com a tecnologia, fica muito mais simples (o mercado é mais espesso).
Assim como o Uber, é um modelo diferente do tradicional, e que veio para ficar.
Já utilizei o Airbnb algumas vezes. E gostaria de compartilhar algumas impressões.

Airbnb em Nova York

A primeira vez que utilizei foi numa viagem a Nova York. Era um quarto sala simples, bom, novo. Tinha aquecimento, WiFi, TV a cabo. Foi muito bom, adorei o lugar.  O proprietário do apartamento parece que tinha vários apartamentos naquele prédio. Acho que nem tinha um trabalho principal, parece que o trabalho dele era gerenciar esses aluguéis dos imóveis que tinha.
A taxa era razoavelmente menor do que em hotéis. Como era em NY, não queríamos arriscar, e escolhemos alguém com muitas avaliações positivas.
As taxas são sempre pagas via cartão de crédito, e para o Airbnb. A empresa repassa para o proprietário do imóvel

Airbnb no Rio de Janeiro
No Brasil, vou ao Rio de Janeiro por motivos particulares com alguma frequência. Já fiquei em muitos hotéis diferentes. A maioria é de hotéis velhos e quartos minúsculos.
Passei a testar o Airbnb no RJ. Uma vez deu certo, e outra vez deu errado. Na que deu certo, nada de novo: tudo ocorreu como o combinado.
No caso do RJ, posso assumir mais riscos. Conheço gente que mora no RJ e, caso dê algum problema, tenho um plano B. Então, posso testar apartamentos que parecem bons, e não ligo muito para a reputação da pessoa que está alugando. Os apartamentos de quem tem alta reputação tendem a acabar depressa e também a serem um pouco mais caros.
Da vez que deu errado, era um apartamento que parecia bom, num preço mais baixo. A pessoa não tinha nenhuma avaliação, nem positiva nem negativa. Fiz a reserva, combinei tudo, mas a pessoa não apareceu para entregar as chaves e nem atendia o celular. Esperei por uma hora, e nada.  Fui para o plano B, que era a casa de parente no RJ. Mas, caso não tivesse o plano B, seria complicado.
A pessoa retornou à ligação no dia seguinte, se desculpando por ter confundido, dando alguma desculpa dessas. Cancelou a reserva, e não paguei nada.

O Airbnb é uma opção excelente para quem quer qualidade a um preço mais justo. Há sim um risco maior de ficar na mão, especialmente se a pessoa tem poucas avaliações. Mesmo tendo muitas avaliações, se der algum problema, a resolução  depende muito do proprietário. E, neste mundo, há sempre pessoas interessadas e pessoas não interessadas. O nível se serviço pode variar de muito pior a muito melhor do que em hotéis comuns, e os reviews e avaliações ajudam a mapear isto. O Airbnb é só um intermediário que une duas pessoas, e que pode sim ter alguma responsabilidade legal, mas cujo tempo de reação vai ser muito depois de ter ocorrido o problema.

Recomendação

Gosto e continuarei usando o Airbnb. Recomendo para todos, tomando  as devidas precauções, de preferência tendo na manga um plano B, seja um telefone de um contato, seja um hotel alternativo ou uma reserva de dinheiro para eventualidades.
Arnaldo Gunzi
nov/2015