Stock options para politicos – Ideias provocativas – Freaknomics 3

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O salário de políticos é uma discussão de longa data.
 

Por um lado, eles têm que ganhar bem o suficiente. Políticos podem movimentar facilmente centenas de milhões em obras e recursos. Se os políticos ganharem muito pouco, a tentação de desviar um pouquinho dos recursos passa a ser maior. Além disso, a política torna-se mais atrativa para jovens brilhantes, que querem mesmo seguir uma carreira séria.
 

Mas um político não pode ganhar muito mais do que a população. É obsceno pensar num político recebendo salário centenas de vezes maior do que o trabalhador comum.

 
Além disso, o político tende a ter incentivos para legislar em curto prazo: que as obras fiquem prontas em seu mandato, que a euforia econômica seja no seu mandato (e que a conta chegue no mandato seguinte). Não falta gente que quer ser político somente para ter influência e se beneficiar. E isto vira um ciclo vicioso perverso: pela política ser assim, pessoas que realmente poderiam contribuir passam longe, vão para a iniciativa privada.

 
Sobre o salário de políticos, Levitt propõe uma ideia maluca, mas nem tanto.

 
Que tal pagar políticos com um salário mediano, suficiente para ele se manter em boas condições, mas dar polpudos stock options resgatáveis somente daqui a 10 anos?
 

As opções são instrumentos largamente utilizados no mercado financeiro. É uma opção de compra de uma ação a um valor pré-fixado, numa data pré-fixada. Se a ação subir, tenho um lucro enorme na opção. Se não, elas não vão valer nada.
 

Esta ideia é interessante, porque ao mesmo tempo que pagam pouco, podem pagar muito, mas somente caso o país melhore. E, por ser uma opção com prazo de 10 anos, as ações dos políticos tem que ser voltadas a garantir realmente que as mudanças sejam estruturais e benéficas à população no longo prazo, e não demagogia barata no presente para empurrar a conta para o futuro, como tem sido os últimos anos no BR.

 

É claro que a ideia tem furos e seu execução seria complicada. Mas parece ser um sistema interessante para o principal: atrair para a política pessoas sérias, competentes, que gostariam de seguir uma carreira séria e quebrar o ciclo vicioso de maus políticos legislando em causa própria.

 

Que tal pagar para votar? – Ideias provocativas – Freaknomics 2

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Que tal pagar para votar?

 

A ideia é mais ou menos assim: quem quiser votar para presidente, tem que pagar para votar. Se você quer muito que o seu candidato vença, teria que desembolsar mais dinheiro.
 

A vantagem é que votar torna-se um custo palpável, e não apenas idealismo sem lastro.
Mas esta ideia não vai beneficiar os ricos? Na prática, isto já acontece. Mas o que empresas fazem é doações a campanhas.
 

Talvez esta ideia seja mesmo absurda para eleições políticas. Mas, imagine a mesma ideia, em outro contexto.


 

Um grupo de pessoas do trabalho quer fazer uma vaquinha para comprar uma TV, para ver a Copa do Mundo. Aí, tem um pessoal fanático por Samsung, outros fanáticos por Sony, e outros que só querem ver o jogo, tanto faz.
 

Numa votação 1 para 1, quem tem mais fãs vence. O grupo rival fica reclamando do mau gosto do outro grupo. Quem só quer ver o jogo ajuda a pagar a conta, igualmente.

 
Se tivesse uma votação ponderada pela fatia da vaquinha, seria assim: quem é mais fanático paga mais. Os fanáticos que vencerem tem que ver se o valor gerado pelo fanatismo vale mesmo os custos. Mesmo os fanáticos que perderem vão ter mais motivos para se conformar: quem ganhou pagou mais caro (e o fanatismo tem limites). Quem só quer ver o jogo, dane-se a marca da TV, vai sair ganhando: vai pagar menos, afinal, ele só quer ver o jogo!

 

 

Ideias provocativas – Freaknomics 1

Freak

 

Quando eu era pequeno, jornais (em papel) ainda existiam. Era dividido por cadernos. Tinha o de esportes, o de cidades, os classificados. E tinha o de Economia. Falava de inflação, juros, impostos. E, eu não entendia nada do que estava escrito.
Hoje, continuo não entendendo nada de economia, principalmente de macro-economia. Mas aprendi a gostar da parte micro da economia, a parte que trata mais de incentivos econômicos, comportamento de indivíduos e empresas.
Um dos responsáveis pela divulgação disto é Steven Levitt, autor de Freaknomics e outros livros da mesma linha. Ele tem um blog, onde expõe ideias, algumas interessantes, provocativas, e outras completamente estúpidas e absurdas (ou não).
Já postei alguma coisa sobre eles aqui.
Seguem alguns posts de ideias aleatórias


 

Garçonetes x Aeromoças
Por que aeromoças não recebem gorjetas, enquanto garçonetes recebem?
As duas fazem mais ou menos a mesma coisa: entregam comidas e bebidas ao cliente.
Levitt não responde a pergunta, mas a minha impressão é a seguinte: ser aeromoça tem (ou tinha) um certo status, um certo glamour. Este glamour se perderia completamente se elas recebessem gorjeta.


Tanto faz votar ou não
Eu represento um voto em 200 milhões. Se eu convencer meia dúzia de pessoas, são 6 votos em 200 milhões. A não ser que o sujeito seja um militante em tempo integral, o que o indivíduo pode fazer no todo de uma eleição federal é muito pouco. É mais eficaz gastar o meu (escasso) tempo em algo que dê mais chance de retorno.


 

Esses caras do Freaknomics tem um novo livro, “When to rob a bank”, que nada mais é do que uma seleção de ideias do blog.