O Brasil que eu quero e outras reflexões

Um dia, um colega me perguntou, “Qual o Brasil que você quer?” –  referindo-se à chamada do Fantástico.

 

Não pensei muito para responder:

“Um Brasil sem o jeitinho brasileiro”.

Uma nação de espertos é tola, e uma nação de tolos é esperta.

 


 
Vi a frase a seguir, num evento da escolinha de minha filha mais velha:

“O esporte tem o poder de mudar o mundo – Nelson Mandela”.

Pensei, se o esporte tem este poder, a mente tem que ter um poder maior ainda.

Reformulei a frase para:

“A mente tem o poder de mudar a realidade”​

Há várias frases deste tipo que são atribuídas a Einstein.

“A lógica te leva de um ponto A até um ponto B. A imaginação te leva a qualquer lugar”

“A realidade é uma ilusão, ainda que persistente”

“A criatividade é mais importante do que o conhecimento”

 

 


 
Esta frase é do escritor israelense Yuval Harari:

“Perguntas que você não sabe a resposta são muito melhores do que respostas que não admitem perguntas”

 

Ele se refere à ideias fixas, que explicam o mundo todo segundo o seus paradigmas e não admitem contestação – usualmente são religiões ou ideologias como as marxistas.

 

Já a ciência oferece muitas perguntas que não têm respostas, ou, quando as têm, podem ser contestadas.

 

 

As pessoas no primeiro mundo são muito frias

 As pessoas no primeiro mundo são muito frias: “o meu serviço é este, neste escopo, neste prazo, nesta qualidade, neste custo. Se quiser leva, se  não quiser, não leva”.
A gente é bem mais quente: “prometo dar um jeitinho de fazer tudo  o que você pede, no prazo que pede, e ainda dar um desconto” (mas não vou cumprir o prometido).

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Num país de primeiro mundo, o fornecedor diz que vai levar um mês, sem “jeitinho” nenhum. E ele vai demorar o mês que disse que ia levar.
 
Aqui no Brasil, o fornecedor promete dar um jeito para fazer em uma semana. Ele atrasa uma, tem que ser cobrado, depois atrasa mais outra, é cobrado de novo, até que realmente entrega, um mês após o acordo, custando mais do que o combinado.
 
 
Temos a ilusão de que no Brasil as pessoas são mais atenciosas, mais “quentes”, enquanto num país desenvolvido as pessoas são distantes, “frias”. Mas gastamos o triplo da energia e erramos em três vezes o planejamento, por conta de sermos tão  “atenciosos”.
 
Atrasar e fazer pela metade é comum no Brasil, não é pecado. Pecado mesmo é falar na cara do cliente que não dá para cumprir o prazo que ele quer, e fornecer o prazo real.
 
O que eu prefiro? Prefiro a postura do primeiro mundo, sem jeitinho, ao seu tempo e custo.
 
Mas a realidade não é tão simples. Não dá para nadar contra a correnteza. Temos que jogar o jogo de acordo com as regras. Portanto, no Brasil, é difícil não fazer o mesmo: prometer datas impossíveis, sabendo que vai atrasar, que vai ficar pela metade, e que no final das contas, a qualidade será pior, o custo será maior, e o prazo vai pior do que seria sem o “jeitinho brasileiro”.
 
É uma questão de perspectiva.