Ser o primeiro a chegar e ocupar espaço é uma vantagem competitiva… só não é suficiente ser o primeiro, é preciso sustentar essa posição.
No xadrez, existe o termo “gambito”, que descreve quando o jogador cede material (peões ou peças) em troca de um rápido desenvolvimento de seu exército.

Um equivalente no mundo das startups seria a empresa queimar caixa em troca de uma rápida penetração em market share.
No Império Romano, o general Júlio César era famoso por realizar marchas forçadas (marchar dia e noite sem parar), a fim de surpreender o inimigo com a velocidade de suas tropas.

Em todos os casos, o jogador está utilizando a velocidade como vantagem competitiva inicial.
Porém, este é apenas o primeiro passo. A seguir, ele deve transformar essa vantagem temporária em algum resultado real.
Se o enxadrista utilizar um gambito, mas não aproveitar a iniciativa para capturar peças do oponente ou criar um ataque decisivo, em poucos lances ele verá a sua vantagem desaparecer. Ao chegar no final do jogo, a desvantagem material cobrará o preço e ele perderá a partida…
Se a startup que queimou caixa não desenvolver um produto sólido e fidelizar o cliente final, apenas terá desperdiçado dinheiro e estará em desvantagem em relação à concorrente que adotou o caminho oposto…
Se o exército fez uma marcha forçada, mas encontrou um inimigo preparado e fortemente murado, qual foi o propósito de tanto esforço?
Apenas copiar uma estratégia não é garantia de vitória. É fácil decorar os primeiros movimentos de um gambito, é fácil torrar dinheiro para ganhar mercado, e é fácil ordenar que as tropas marchem mais rápido.
A arte de verdade está no passo 2: transformar a vantagem inicial em vantagem real. Por ser arte, cada caso é um caso diferente, não tem um manual do que fazer.
É pura relação risco-retorno: quem acelera no passo inicial está assumindo um maior risco em busca de uma vantagem temporária, para viabilizar o retorno desejado.
Note também que a velocidade não é a única estratégia possível. Podemos adotar uma postura oposta: a de colocar suas peças numa firme posição, a de manter caixa e ir crescendo aos poucos, a de marchar mais devagar porém de forma consistente.
Não há caminho 100% certo ou errado.
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Socorro, sou júnior!
(Reflexões para data scientists em começo de carreira)
Não acredite em anúncios como “aprenda Data Science em 5 minutos”, “Domine todas as LLMs com o meu curso”, e coisas do tipo.
Nunca conseguimos nada sustentável com esforço simples e pontual. Prefira encarar a jornada como uma maratona: longa, exaustiva, sem soluções prontas. Só chegamos ao fim com muita disciplina e consistência.
O Compêndio de Ideias do Prof. Arnaldo: https://asgunzi.github.io/Compendium/
