As Guerras de Lucas — episódio 2

Este livro é a continuação da história de George Lucas ao produzir a saga Star Wars.

Neste episódio, o tema é o segundo filme, “O Império Contra-Ataca” (para mim, o melhor). Como da vez anterior, os autores fizeram uma extensa pesquisa, e há vários detalhes interessantes.

– Mark Hamill, o ator de Luke Skywalker, sofreu um acidente de carro e teve que passar por uma cirurgia plástica no rosto. A fim de explicar a diferença visual em relação ao Luke antigo, Lucas inventou um ataque de um ser monstruoso no começo da história.

– Meticuloso como sempre, Lucas encomendou uma nova armadura para os stormtroopers. Ficou muito boa, porém cara demais para ser produzida em série. Os produtores ficaram com pena de descartar uma armadura tão legal e tiveram a ideia de transformar o mesmo modelo em um caçador de recompensas, o Mandaloriano Boba Fett. Ficou muito bom.

– George Lucas renegociou o contrato com a distribuidora, e agora era ele quem teria a maior parte do lucro com o sucesso dos filmes subsequentes. Porém, ele sempre achava que o dinheiro deveria ser utilizado para criar, e não para acumular, e colocou tudo na produção do filme.

– A roteirista contratada para escrever o roteiro detalhado entregou um primeiro rascunho. Ela já tinha problemas de saúde e foi internada com câncer terminal logo a seguir. George Lucas resolveu reescrever tudo do zero. Trancou-se no quarto por semanas para conseguir. Mesmo assim, creditou a escritora como coautora, para que os familiares pudessem receber royalties.

– Diversos atores insatisfeitos com o primeiro filme (como o ator do C-3PO, que nem mostra o rosto, afinal, é um robô) tiveram que ser convencidos pessoalmente por Lucas e ganharam uma participação maior na distribuição dos resultados dos próximos filmes (nada mais justo).

– Um incêndio nas filmagens de “The Shining”, de Stanley Kubrick (outro filme memorável pela atuação de Jack Nicholson, que parecia um louco de verdade), atrasou as filmagens de Star Wars, porque ocupou o estúdio disponível por mais tempo.

– Na mesma época, Steven Spielberg e George Lucas estavam criando Indiana Jones, outro filme histórico dos anos 80.

– George Lucas era um estudioso, e nota-se uma forte influência da Jornada do Herói, de Joseph Campbell, e dos filmes de Akira Kurosawa, entre outros.

– O criador do mestre Yoda fez centenas de alternativas para o personagem, nenhuma delas agradou Lucas. Por fim, se baseou nele mesmo e ficou extremamente interessante. Veja a foto abaixo.

– A atriz Carrie Fisher, a Princesa Leia, consumia substâncias “suspeitas” e chegou ao ponto de prejudicar as filmagens.

– O calor, a fumaça e os produtos utilizados para os efeitos especiais causaram problemas respiratórios constantes, o que também contribuiu para atrasar as filmagens.

– Cada dia de atraso representava alguns milhões de dólares a mais no orçamento. O empréstimo de Lucas acabou, e ele teve que renegociar com os bancos. Mesmo assim, chegou ao máximo possível de financiamento. A solução foi engolir o orgulho e ceder uma porcentagem maior à Fox Filmes para conseguir terminar a produção.

– Um icônico plot twist foi o “Luke, eu sou o seu pai”, de Darth Vader. Porém, para evitar os vazamentos constantes de informação à imprensa que estavam ocorrendo, o ator disse “Luke, foi Obi-Wan quem matou o seu pai”. Somente na pós-produção a fala foi trocada.

Os desenhos são limpos, o que torna a leitura muito agradável. Muito bacana também o uso de cores para realçar alguns trechos.

Há muitos outros detalhes. Vale a pena comprar, para quem gosta dos filmes citados e do processo criativo necessário para colocar de pé um empreendimento desse tamanho.

Sobre o livro anterior, vide:

Sobre a Jornada do Herói em – Star Wars- :

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