Jiro, sonhos de sushi e a busca pela perfeição

Recomendo fortemente o documentário “Jiro – dreams of sushi”, disponível na Netflix.

É um documentário surpreendente. É monótono e até chato. De certa forma, o ritmo segue o passo do protagonista da história, Jiro Ono, um mestre do sushi – um ritmo lento e constante em busca da perfeição, até chegar ao melhor sushi do mundo.

Como pode algo tão simples quanto um sushi ser difícil?

O sr. Jiro hoje tem 94 anos (na época do documentário, tinha 85 anos). O seu restaurante fica numa estação do metrô de Tóquio. Tem apenas 10 lugares, nem tem banheiro. Só atende com reservas, e o cliente não pode chegar atrasado – as portas são fechadas e ele fica de fora (o valor da refeição é passado no cartão mesmo se o cliente não entrar).

Este pequeno restaurante serve apenas sushi – não há entradas, acompanhamento, nada.

O preço? 30 mil ienes. Dá uns US$ 275, ou, como o real não vale nada nos dias de hoje, mais de 1.000 reais! Tudo isso para um serviço de 20 peças de sushi, servidos sequencialmente. O cliente fica em torno de meia hora no local, o que o torna um dos restaurantes mais caros do mundo, se fizer a conta por minuto.

Este pequeno restaurante ganhou nota máxima no guia Michelin e o documentário da Netflix, tornando o lugar famoso mundialmente.

O sr. Jiro começa a contar a sua história, e como passou a dedicar a sua vida a um único objetivo: fazer sushis. Ele conta como trabalhava de sábado a sábado, de manhãzinha até a noite, aperfeiçoando cada detalhe de seu trabalho, por mais trivial que seja.

O aprendiz do restaurante de Jiro deve ficar 10 anos fazendo tarefas menores, como massagear o polvo que será servido, por 50 minutos. O polvo é um animal com uma carne borrachuda, e o objetivo de massagear é amolecer o mesmo. Após 10 anos exaustivos fazendo tarefas repetitivas, o aprendiz pode finalmente começar a cozinhar o seu primeiro prato: ovo. Após alguns anos dominando a arte de cozinhar um ovo, é permitido avançar em outros pratos.

A régua alta de qualidade de Jiro se estende aos seus fornecedores. O fornecedor de camarão só trabalha com camarão. O fornecedor do polvo só trabalha com polvo. O fornecedor do salmão só trabalha com salmão. Cada um deles é o maior especialista em suas áreas, e não aceitam menos do que o melhor. E nem vendem o produto para qualquer um. Qual o sentido de ter o melhor arroz se o cliente não souber fazer o prato?

Agora no fim de 2019, o restaurante de Jiro foi retirado do guia Michelin. Não é que foi rebaixado no guia, e sim, foi retirado. Não foi por questão de diminuição da qualidade. O motivo é que é impossível para o consumidor comum fazer uma reserva no restaurante. A fila tem sido para mais de um ano de espera, tornando impossível para o consumidor comum saborear o melhor sushi já produzido na face da Terra!

https://www.netflix.com/title/70181716

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