Killer application

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Hoje participei de uma reunião, com vários diretores da empresa discutindo cenários e fazendo contas de vários milhões de reais (numa grande empresa, é fácil esses cenários passarem de milhões). E qual o software que este pessoal utilizou? Matlab para cálculos numéricos multidimensionais? R, para modelagem estatística pesada? Java ou C++? É claro que não. Eles usaram o bom e velho Excel. E este fato se repete em TODOS os níveis de uma empresa, desde o analista que necessita de algum controle até o CEO.

É impressionante como um software pode ser tão onipresente.
O Excel tem duas características principais: 1 – É extremamente intuitivo para o ser humano trabalhar em duas dimensões, acrescentando a complexidade que quiser e modelando conforme a sua cabeça mandar; 2 – É um software extremamente poderoso, permitindo funções extremamente elaboradas e macros para automação de processos.


Mas o Excel não é a primeira planilha eletrônica da história. Esta honra cabe ao Visicalc, feita para o Apple II.
O Visicalc é o que podemos chamar de “Killer application”: a melhor aplicação, a melhor faixa do disco. Como não poderia deixar de ser num mundo onde a lei de Pareto impera, o killer app sozinho já justifica todo o investimento. Muitas empresas compraram o Apple II só por causa do Visicalc.

Dizem que o cara que criou o Visicalc teve a inspiração numa aula. O professor fez uma série complicada de relações financeiras na lousa. Após fazer o modelo, ele mudou um parâmetro, e teve que recalcular a tabela inteira, com apagador e giz.

Sendo o criador do Visicalc mais um cientista da computação do que um empresário, ele não teve a ambição de dar passos muito maiores, dando espaço para concorrentes melhores surgirem pouco tempo depois: Lotus 1, 2, 3, e, é claro, o Excel.


Dica: em todos os trabalhos que você for entregar, descobrir qual o “killer app”. Não apenas fazer o trabalho que foi encomendado, mas procurar responder: Qual a principal função deste trabalho? Que gargalo ele vai resolver? O que o cliente (ou o chefe) quer de verdade?

Arnaldo Gunzi
Março 2015

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