E se Messi fosse brasileiro?

 

 Messi. Foto: Reprodução

 
Lionel Messi é um dos grandes atletas da atualidade, vencedor de 4 bolas de ouro até agora, e destruidor de recordes: maior goleador do Barcelona, fez gols em todos os times do campeonato Espanhol, etc. 
 
O Messi com 11 anos já jogava muito. Pegava a bola, partia numa velocidade incrível e com controle perfeito e só parava com o gol. Mais ou menos como hoje. Mas o garoto Messi era fisicamente menor do que os demais garotos de sua idade. 
 
Os médicos descobriram que Messi tinha um problema hormonal que retardava o crescimento. O tratamento envolvia a aplicação de uma injeção de hormônios uma vez ao dia. Mas o tratamento custava mil dólares por mês, coisa que a humilde família Messi não conseguia pagar. Sem este tratamento, Messi chegaria a idade adulta com 1,50m, ao invés do 1,69m atuais, que o colocaria em extrema desvantagem quanto aos zagueiros. 
 
 O pai do Messi o levou a diversos clubes, mas muitos deles o rejeitaram pelo tamanho diminuto, e os poucos que o aceitaram não quiseram pagar o tratamento. O único clube que aceitou investir na promessa foi o Barcelona. E o resto é história. 
 
E o que aconteceria se o Messi fosse brasileiro?
 
Embora seja difícil trabalhar com cenários deste tipo, podemos imaginar, e tentar descobrir o quão tênue pode ser a diferença entre destinos completamente diferentes. 
 
Imagine o Messi, com 11 anos, fazendo peneiras no São Paulo, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro… e sendo rejeitado em todos eles, por conta de seu tamanho diminuto e também por ter inúmeros outros garotos concorrentes, que apesar de serem menos habilidosos, têm um padrão mais normal de tamanho. 
 
Imagine agora que Messi, agora com 12 anos, passou nas peneiras do Palmeiras, Botafogo e Fluminense. Eles até aceitaram que ele treinasse no clube, mas não quiseram pagar o tratamento. Investimento demais para risco altíssimo. Se, normalmente, só uma em 1000 apostas gera frutos, o que dirá apostar em um caso tão mais complexo como este?
 
O pai de Messi acaba conhecendo um empresário brasileiro, que promete custear o tratamento. Alguns meses se passam, e o empresário consegue que Messi, agora com 13 anos, treine no Vasco da Gama, mas ainda sem iniciar o tratamento. 
 
Mais alguns meses se passam, e o padrão é o mesmo: Messi muito ligeiro nos gramados, mas bastante menor que os seus companheiros da mesma idade. E nada do tratamento começar. O empresário, apesar das promessas, prefere ter mais certeza do que está fazendo. Mas, à medida que o tempo e os centímetros de altura vão passando, Messi vai tendo mais e mais dificuldades de encarar seus colegas maiores, mais fortes, o que faz que o empresário tenha mais receio de pagar por algo que não vai dar retorno. 
 
Quando Messi completa 14, a paciência acaba. O pai de Messi briga com o empresário e decide levar o filho à Europa, fazer testes. O arranjo desta viagem e os contatos com os clubes para fazer os testes demoram mais alguns meses. No Barcelona, o Messi agora com quase 15 anos, é reprovado no exame, por ser muito menor do que os outros da mesma idade. Um zagueiro de pernas compridas chamado Piqué anulou o diminuto Messi de 1,40m. Um volante rápido de 1,80m chamado Busquets deu um tranco no Messi e tomou-lhe a bola. 
 
Sem o tratamento e sem estrutura para se desenvolver, Messi passa a treinar no XV de Piracicaba. Os anos passam. Ele joga uma Copa São Paulo, joga um pouco do campeonato Paulista. Mas o anão Messi de 1,50 é mais uma curiosidade de jogador do que um atacante de verdade. 
 
A oportunidade abre-se em janelas com prazo de validade. Se o timing é perdido, possivelmente não haverá outro momento. As relações da vida são tênues, assim como a linha entre o sucesso e o fracasso. Esta história hipotética se passa no Brasil, mas provavelmente coisa similar ou pior aconteceria em qualquer lugar do mundo. 
 

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