Máquina de dar opiniões

O cérebro do ser humano foi programado para interpretar o mundo. Você observa um fragmento da realidade e consegue concluir que é perigoso atravessar a rua porque está ouvindo um barulho de carro, ou que há algo queimando no forno por causa de um cheiro estranho.

No mundo dos nossos antepassados não dava tempo de esperar por todas as informações até ter certeza do que estava acontecendo.

Pelo mesmo motivo, o ser humano é uma máquina de opiniões. Tem opinião para tudo, sobre todos os assuntos. Só de olhar, consegue gostar ou desgostar de alguém, concordar ou discordar, dar dicas não solicitadas de como você deve levar a sua vida.

Portanto, uma forma de compensar este viés é buscar e se guiar por fatos ao invés de suposições.

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Ganhos irrisórios

Mais um viés do ser humano é lutar ferrenhamente por ganhos locais e irrisórios, e se conformar em perder globalmente valores muito maiores.

Um exemplo do primeiro é no trânsito: fechar a entrada do carro vizinho, dirigir agressivamente fazendo fila dupla ou até tripla! Globalmente, todos perdem. E, numa cidade como São Paulo, com o trânsito a cada dia pior, vira um ciclo vicioso: se você não desrespeitar também fica para trás.

Um exemplo do segundo caso é a inflação. A inflação pode ser considerada uma forma de o governo financiar os seus gastos com o dinheiro dos contribuintes, sem estes nem perceberem. Quando a inflação está alta demais, tem algo errado. Mas este caminho é tão tortuoso e indireto que é difícil distinguir entre contribuir para a nação e ser roubado pelo governo.

Um ladrão que rouba a sua carteira é ruim, mas em termos de quantidade, é muito, muito menos que você paga para o governo, seja através de impostos ou de inflação.

Portanto, não ligue muito para perdas e ganhos pequenos do dia a dia. Não igue para o açougueiro que te deu troco errado ou o moleque que riscou seu carro. Isto tudo é muito pequeno, perto de outros fatores globais, como votar corretamente e apoiar políticas e pesos sérias.

Prever o Futuro

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É comum ver em filmes a figura do superhumano, capaz de antever tudo o que vai ser feito pelos inimigos, com muitos passos de antecedência. Ele é capaz até de ser derrotado de propósito para depois virar o jogo.

Mas não é só no cinema que isto acontece. Em biografias de grandes executivos ou de grandes generais, estes também eram capazes de enxergar tudo com visão que ninguém mais enxergaria.

Infelizmente, isto só existe no cinema e olhando para o passado.

Não foi dada ao ser humano a capacidade de prever o futuro.
Esta é a segunda frase mais importante deste blog.

O que você pode fazer com inteligência, estratégia e trabalho é analisar cenários, calcular probabilidades e agir assumindo riscos calculados.

Com as probabilidades a seu favor, a tendência é de que você consiga a vitória, mas isto nunca é garantido.

Com as probabilidades contra, com muita tendência você vai perder, mas a história está cheia de casos onde o mais fraco venceu o mais forte por influência de fatores não calculados.

Conclusão prática 1: Não acredite em histórias de sucesso ou fracasso com explicações causais determinísticas. Tentar explicar o passado é típico do ser humano, mas isto não garante que possamos antever o futuro.

Conclusão prática 2: Você deve sim estudar o ambiente, simular cenários, calcular chances. Isto vai aumentar a sua chance de êxito, e a longo prazo é o que acontece. Mas, no curto prazo, pode acontecer qualquer coisa.

Felicidade

 

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Outro viés do ser humano é achar que será mais feliz do que é hoje conquistando coisas, títulos, posições.

Sinto em informar que será uma busca em vão. O ser humano foi geneticamente programado para não ser feliz. Os seus genes não estão nem aí para a sua felicidade. Eles só querem saber de sobreviver e se reproduzir. Isto significa fazer com que você nunca se acomode, achando que está bom. Porque, quando isto acontecer, provavelmente algum outro gene concorrente vai te superar, vai alcançar aquilo que você não alcançou, tendo mais chances de sobreviver e se reproduzir. O objetivo da espécie é diferente do objetivo do indivíduo. Mais ou menos como aquela abelha que se sacrifica em prol da colmeia.

É só olhar para trás. Você provavelmente alcançou muito mais do que tinha, quando era adolescente. Mas isto em troca de responsabilidade e tempo livre, de forma que você tem mais preocupações e continua a correr atrás de objetivos cada vez maiores.

Quando criança, eu achava que seria feliz conquistando coisas e posições: um carro, uma casa, vários títulos acadêmicos, uma fazenda… Mas a felicidade verdadeira veio de onde nunca tinha esperado: ter uma família e ser pai.

Paradoxalmente é nas coisas mais simples da vida em que há felicidade: naquele passeio com a família, naquela música que lhe traz nostalgia, naquele momento em que ensinou o filho a andar de bicicleta, naquela pizzaria com amigos queridos…

Sugestão de leitura: Mean Genes – Terry Burham