A entrevista do jovem Fênix

Sun Ce, o “conquistador”, governante do reino de Wu, estava em busca de talentos, quando ouviu falar de Pang Tong, o “jovem Fênix”. 

Na entrevista, o jovem Fênix se apresentou maltrapilho, parecendo um mendigo. 

O conquistador perguntou: “quais a habilidades você tem?” 

O jovem Fênix respondeu: “comer, beber, e morrer um dia, como todo mortal”.

O conquistador ficou furioso: “que tipo de habilidade é comer e beber?”.

Passou à próxima pergunta: “E o que você estuda?” 

“Estudo aquilo que parece importante estudar”, respondeu o jovem.

“Como você se compara com Zhou Yu (um general extremamente habilidoso da época)?”

“É uma comparação entre uma pérola e uma pedra” 

“Quem é a pedra e quem é a pérola?” 

“Deixo para o senhor responder”.

O conquistador ficou fulo da vida com as respostas vagas e a comparação da pérola, e dispensou o jovem Fênix.  O que o conquistador não sabia era que o rapaz era um estrategista brilhante, que anos depois se aliou a um de seus oponentes e ajudou a vencer um quantidade importante de batalhas, inclusive contra o próprio entrevistador.  

O conquistador não conseguiu enxergar além das aparências. O que ele deveria notar no jovem Fênix não era o quão belo era o seu discurso, e sim o quão efetivo ele era na prática.

Esta história é do Romance dos Três Reinos, um dos mais fantásticos livros de todos os tempos.

​O olho da sabedoria

O deus máximo da mitologia nórdica é Odin, e ele é cego de um olho.

Como Odin perdeu o olho?

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Odin sempre buscou obsessivamente a sabedoria.

Nesta busca, ele chegou ao poço de Mimir, aos pés da árvore da vida YggDrasil. Lá vivia Mimir, um ser que tinha todo o conhecimento do cosmos, conseguido devido à água do poço.

Odin pediu para beber a água do poço da sabedoria. Mimir respondeu que havia um preço extremamente alto a ser pago.

“Qual o preço?”, perguntou Odin.

“Um de seus olhos”, disse Mimir.

Odin não hesitou. Arrancou um de seus olhos, sem se importar com a dor, e bebeu a água da fonte da sabedoria…

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Como conseguir o olho da sabedoria?

A sabedoria vem somente após muitos sacrifícios.

O mundo real não existe, existem interpretações do mesmo.

Quem enxerga o mundo com o olho da sabedoria enxerga muito além do que os olhos podem alcançar.

Com o olho da sabedoria vemos as linhas do código-fonte que formam a matrix de nosso mundo.

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Odin pelo mestre Jack Kirby

Vemos cadeias de relações causa-efeito a níveis profundos.

Vemos o presente, entendemos o passado e projetamos o futuro.

Vemos que há situações que não conseguirmos prever, para os quais é bom ter precauções, como seguros e opções.

Compreendemos o que as pessoas realmente pensam e o que querem.

Vemos o mundo em nível global e a longo prazo.

Qualquer um de nós pode conseguir o olho da sabedoria, mas o preço é extremamente alto. É necessário muito mais do que o sacrifício de um olho. É necessário o sacrifício de sua vida.

Obter sabedoria significa uma busca incessante por novos conhecimentos: inúmeras horas estudando, lendo, procurando boas fontes de inovação.

Obter sabedoria significa trabalhar eternamente para gerar valor no mundo real.

Obter sabedoria envolve inumeráveis tentativas e erros, empreender, ser bem-sucedido e falhar, cair e levantar, reconhecer erros, pedir desculpas e evoluir.

Odin perdeu um olho físico, mas ganhou um olho metafísico.

Com tal olho, ele enxergava mais do que qualquer outra criatura da face da Terra.

Em terra de caolho, quem tem dois olhos é rei.

Trilha sonora: assim falou Zaratustra, Richard Strauss


Fontes: