Sapiens – O nascimento da humanidade

Li a primeira parte da adaptação em quadrinhos de Sapiens.

A obra colossal do historiador israelense Yuval Harari conta a aventura da humanidade desde os primórdios até os dias de hoje.

A transcrição para os quadrinhos é igualmente colossal. Só essa primeira parte tem 240 páginas. E há 5 partes previstas, no total!

Os desenhos são num estilo clean, agradável, ajudando a narrativa ficar fluída e engraçada.

Há uma gama gigante de temas discutidos. Pincelando um ou outro:

Homo Sapiens

Somos da espécie Homo Sapiens, porém existiram outras espécies de seres parecidos conosco: Neandertais, Homo Erectus, o Homem de Flores, e outros.

Cada qual ocupou uma região do mundo. Alguns sobreviveram cerca de 2 milhões de anos, outros, uns 300 mil anos, mas todos deixaram de existir há uns 50 mil anos atrás.

Somente o Sapiens sobreviveu. O que teria acontecido?

Há duas teorias: 1 – As outras espécies hominídeas foram assimiladas pelo Sapiens. 2 – As outras espécies foram aniquiladas, direta ou indiretamente.

Não é tão preto no branco assim. Há uma zona cinzenta, e talvez um pouco de cada tenha ocorrido. Mapeamento genético mostra que seres humanos atuais têm cerca de 2% de genes neandertais, e 6% de homo erectus.

Cérebro

O cérebro dos seres humanos é o grande diferencial, porém, este é caro em termos energéticos: uma massa equivalente a 2% do corpo e consome 20% da energia, como uma fornalha.

O custo de ter um cérebro enorme é tirar energia de músculos e do intestino. Além disso, um cabeção torna o parto arriscado para a mãe. A solução foi a mulher afinar a cintura e alongar o quadril, e o bebê nascer prematuro, necessitando de muitos mais meses de cuidado.

Essa vantagem evolutiva demorou vários milhões de anos para se pagar. O livro mostra uma cena, na qual os leões se fartam de uma presa, depois chacais e abutres, e por último, o ser humano chega para quebrar os ossos que sobraram e sugar o tutano desses. Nosso lugar na cadeia alimentar era depois de todo mundo.

Fogo

Uma das primeiras e mais poderosas ferramentas foi o fogo.

Este poderia ser utilizado para aquecimento, proteção contra predadores, e até como armadilha, ao queimar uma região florestal.

Vantagens de cozer o alimento: eliminar parasitas, facilitar a digestão.

Harari compara o domínio do fogo como o primeiro passo para a bomba atômica.

Curiosidade: Harari no Rio de Janeiro

Há uma cena que ocorre no Rio de Janeiro. Harari desembarca no Santos Dumont, toma a ponte Rio-Niterói, e chega ao Teatro Popular de Niterói para dar uma palestra.

Ficção

O verdadeiro superpoder do ser humano é se unir em bandos e coordenar ações. Isso só é possível por conta do poder da ficção.

Exemplo. A empresa Peugeot não existe de verdade. Não é o fundador original (que já morreu), nem é a composição de funcionários (que vem e vão), nem é a instalação física (muda de tempos em tempos). A Peugeot é uma entidade fictícia. Existe de verdade apenas em nossa cabeça coletiva, mas é capaz de produzir carros de verdade e mudar a vida de pessoas de verdade.

O dinheiro também é uma ficção coletiva. É apenas um pedaço de pedaço de papel, e hoje em dia, nem papel é mais, é um número no banco.

A Sociedade Anônima foi uma das grandes invenções da humanidade.


Além disso, toda a noção de normas jurídicas, países, valores, são convenções entre grupos de seres humanos, fictícios neste sentido.

Megafauna

Temos a impressão de que o ser humano caçador coletor vivia em harmonia com a natureza. Porém, nada mais longe da realidade. Desde que o ser humano moderno começou a migrar pelo mundo, uns 50 mil anos atrás, ele deixou uma trilha de animais extintos por onde passou.

Havia pelo mundo cangurus gigantes, mastodontes, preguiças gigantes, coalas que pareciam ursos, tigres dentes-de-sabre, vombates enormes. Estes sobreviveram à diversas eras do gelo, porém não sobreviveram à passagem do ser humano.

Desde sempre, o Sapiens é um devastador em série continental.

Segue o link do livro, na Amazon
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Preguiças gigantes, Tatus gigantes

Quando eu era criança, achava que o ser humano tinha convivido com os dinossauros. Um homem das cavernas, com uma clava na mão, correndo do tiranossauro. Mas isto não é verdade. O timing está errado. Os dinossauros desapareceram há mais de dois milhões de anos, enquanto o ser humano evoluiu de macaco há uns 100 mil anos.
 

Entretanto, o humanóide de milhares de anos atrás conviveu com uns animais bem esquisitos. Na América do Sul existiam Tatus gigantes, preguiças gigantes, elefantes sul-americanos (mastodontes).

 

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A isto, dá-se o nome de “Megafauna”.
 

Coincidentemente ou não, à medida que os humanóides foram chegando, esses megabichos foram desaparecendo. Uma das teorias existentes é que o ser humano deu uma forcinha para acabar com esta megafauna.

 
Olha só a linha de raciocínio. Na África, onde a evolução do humanóide começou há uns 500 mil anos, há megafauna até hoje: rinoceronte, hipopótamo, elefante. A fauna africana teve tempo de evoluir, de aprender que o humanóide com jeito de macaco era perigoso.
 

Mas o humanóide foi se espalhando pelo mundo, e onde ele chegou, esses bichos sumiram. Nesses lugares novos, os animais não tiveram tempo de evoluir para reconhecer o humanóide como uma ameaça.
 

Há uns 45 mil anos, existiam na Austrália cangurus gigantes e wombats (parece uma paca) do tamanho de rinocerontes. Imagina o ser humano, olhando para um monte de carne ambulante desses, praticamente indefeso…
 

Em ilhas do Pacífico, existiam aves gigantes que não voavam, que também foram extintos nesta época.
 

Na região da Sibéria, há uns 10 mil anos, os últimos mamutes foram extintos. Mamute era um tipo de elefante grande. E a Sibéria era o caminho do ser humano para chegar à América.
 

Chegando às Américas, há uns 10 mil anos, as preguiças gigantes, os tatus gigantes, os mastodontes sul-americanos, a megafauna foi sendo extinta mais ou menos quando os humanos chegavam.
 

Animais gigantes necessitam de um longo período de gestação (o elefante, por exemplo, tem gestação de dois anos), e têm uma vida muito mais longa do que os animais menores. E também estão no topo da cadeia alimentar, no sentido de que dificilmente algum animal ataca um elefante. Um elemento desequilibrante como o ser humano, que consegue atacar estes animais, pode comprometer toda a espécie mesmo se atacar somente um número pequeno de indivíduos.

 

Esta teoria de que o ser humano contribuiu decisivamente para a extinção da megafauna não é a única. Há a teoria de que a culpa foi de um período glacial de mudança climática. De qualquer forma, é uma teoria interessante, e não duvido da capacidade do ser humano.

 


 

Em 2009, estive na Austrália. Vi o ornitorrinco, o wombat, o canguru. O canguru, por exemplo, até hoje não se adaptou ao ser humano. O canguru não sabe atravessar a estrada: eles simplesmente vão pulando, como se não existissem carros. É bem comum ver cangurus atropelados. Aliás, cangurus pulando, só em desenho animado. Dá trabalho pular, então, em 90% dos casos, os cangurus se mexem rastejando.

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O Koala é um bicho preguiça com uma cara bonitinha. O Koala fica o dia inteiro dormindo. Deve ficar acordado umas duas horas por dia, mascando folhas de eucalipto. Quando se mexe, é mais devagar que uma tartaruga treinada pelo Barrichelo. Talvez o Koala tenha sobrevivido até hoje só por que é simpático, se fosse feio já estaria extinto faz tempo.

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O excelente livro “Sapiens, uma história da humanidade”, de Yuval Noah Harari, conta a história da evolução do ser humano e tem várias teorias interessantes.

Arnaldo Gunzi.
Maio/2015

Links úteis
http://www.amazon.com/Sapiens-Humankind-Yuval-Noah-Harari-ebook/dp/B00ICN066A/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1430643739&sr=8-1&keywords=sapiens
http://en.wikipedia.org/wiki/Megafauna#Examples
http://io9.com/5896262/the-last-mammoths-died-out-just-3600-years-agobut-they-should-have-survived
http://phys.org/news183924703.html