O segredo dos Dabbawallas, o melhor delivery do mundo

Na Índia, cinco mil dabbawallas (badda = caixa) entregam 200 mil marmitas, preparadas na mesma manhã na residência das pessoas e entregues no local de trabalho. À noite, a logística reversa: os dabbawallas devolvem as marmitas.

Na média, as marmitas percorrem 60 km, de bicicletas, trens, carrinhos ou a pé, envolvendo cerca de seis entregadores diferentes. Cada entregador carrega 65 kg!

Erros são inferiores a 1 em 6 milhões!

O segredo não é tecnologia. Não precisam de camadas complicadas de gerentes, nem de computadores com softwares avançados. Ninguém fez Design Sprint para desenhar o processo. Não há palestras motivacionais. O serviço existe há mais de 100 anos, com a mesma eficiência, utilizando cores e símbolos, já que boa parte dos entregadores não sabe ler.

O segredo é o comprometimento! O cliente é rei, já que entregar uma marmita errada é imperdoável, algo que mancha a imagem não só do entregador, mas do processo de entregas e da vila da onde vêm os entregadores (são quase todos do mesmo local de origem).

Um ponto que sempre comento. Muita gente sempre aponta sistemas computacionais como a solução. Para mim, é o exato oposto. O processo tem que ser bom, e depois puxar o sistema.

Processo >>> Sistema.

Links:

The secret to Mumbai’s dabbawalas | Financial Times (ft.com)

How dabbawalas became the world’s best food delivery system | The Independent | The Independent

Utter | From Dabbas to Facts! 10 Unknown Facts of Dabbawallas! | Utter (bewakoof.com)

Globalização, logística e economia de escala.

aliExpress

Fiz três compras no mesmo dia. A primeira foi de um pen drive no formato da Maggie Simpson. Fiz a compra no Ali express, site chinês que abriu o capital na bolsa de Nova York recentemente. Custou 4 dólares, com frete grátis. Vem da China, e com frete grátis!

A segunda compra foi de livros, numa livraria chamada Asiapac, que fica em Cingapura. Livros bem específicos, sobre a história dos Três Reinos. O custo: 40 dólares. O frete: outros 40 dólares. Desisti da compra quando vi o custo total, de 80 dólares.

A terceira compra, foi de esfihas no Habibs, a uns 2 km de casa. Custo: 15 reais, frete de 6 reais.

Como o Ali Babá consegue enviar um produto de 4 dólares da China, a 16 mil km, com frete grátis, enquanto o Habibs cobra uma fortuna para fazer uma entrega a menos de 2 km? Imagino que o Ali Baba tenha uma rede logística gigantesca, com milhares de conteineres sendo estufados diariamente, e enviados para todas as partes do mundo. Esses conteineres são roteados em alguns portos do mundo, até chegar ao destino final. Só com economia de escala é possível diluir custos. E, neste caso, quanto mais, melhor. Por isso que, mesmo um pen drive de 4 dólares, tem frete grátis. Um frete caro, como o da livraria acima, faria o cliente desistir da compra, diminuindo a escala que faz com que este modelo funcione.

Uma métrica muito usada em logística é o de R$/km. O do Habibs, para entregar na minha casa, seria de 3 R$/km. Se usássemos este valor para percorrer 16 mil km, o meu pen drive da Maggie Simpson seria entregue por 48 mil R$.

É pela assombrosa logística, a capacidade de juntar uma demanda extremamente grande com uma oferta igualmente gigante, e pela capacidade de fazer isto numa escala jamais vista, que o Ali Babá está na bolsa de NY, enquanto o Habibs vai continuar sendo apenas uma esfiharia.