​ O destruidor de mundos

O sobrevivente de duas bombas atômicas
Tsutomu Yamaguchi estava indo trabalhar no dia 06/08/1945, em Hiroshima, no Japão, quando a primeira bomba atômica da história da humanidade foi lançada, a cerca de 3 km de onde ele estava.
Apesar das queimaduras, Yamaguchi voltou a trabalhar na sua empresa após 3 dias. Ele estava em Nagasaki, no dia 09/08/1945, quando a segunda bomba atômica foi lançada, a uns 3 km do escritório da Mitsubishi.
Yamaguchi sobreviveu novamente, por incrível que pareça. Ele é a única pessoa oficialmente reconhecida pelo governo japonês como sobrevivente das duas bombas.
Ele veio a falecer décadas depois, aos 93 anos, depois de ter sobrevivido a uma guerra mundial e duas bombas atômicas, mostrando que a Dona Morte teve muito trabalho para levá-lo.

Qual o potencial de uma bomba atômica?
Sempre me perguntei qual o tamanho do estrago de uma bomba dessas.
Digamos, uma granada destrói uma sala. Uma bomba convencional destrói algo entre um prédio e um quarteirão. E uma bomba como a de Hiroshima?
O site nukemap (http://nuclearsecrecy.com/nukemap/) dá uma ideia do tamanho da destruição.
Fiz algumas simulações.
A mesma bomba de Nagasaki, em São Paulo, acabaria com todo o centro da cidade.
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A Praça da Sé e bairros próximos, como a Santa Ifigênia e a Liberdade, seriam destruídos. Do lado direito, o número de fatalidades e de feridos.

 


Tsar Bomba
Já a bomba mais poderosa do mundo atual, a Tsar Bomba (russa), detonaria toda a cidade de São Paulo, chegando até mesmo a Guarulhos, Mogi das Cruzes, Jundiaí e Santos. Com uma única bomba!
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As cores representam os raios de efeito
Bola de fogo: 6.1 km (117 km²):Máximo tamanho da detonação nuclear
Rajada de ar: 32.6 km (3,350 km²): Muitas das construções colapsam, danos são universais, fatalidades em todo lugar.

Radiação termal: 73.7 km (17,080 km²): Queimaduras de terceiro grau nas camadas de pele, que são indolores por destruir os nervos da pele. Pode causar danos severos e pode requerer amputação.

 

A Tsar é uma bomba de hidrogênio, baseada em fusão nuclear (ao invés de fissão). Para produzir energia suficiente para detonar a bomba de fusão, internamente detona-se primeiro uma bomba de fissão nuclear – isto para dar uma ideia da quantidade de energia envolvida.

 


E que tal simular uma detonação no Rio de Janeiro.
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O Fat Man chegaria até o Catete, Santa Teresa e todo o centro.
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Já a Bomba Tsar alcançaria Petrópolis, Itaguaí e Saquarema!
E nota-se que o Rio de Janeiro não é um bom alvo, porque metade do poder da bomba iria se perder no mar, visto que RJ é uma cidade litorânea.
O poder do átomo é o mesmo poder que alimenta o Sol. E este poder do Sol está nas mãos de alguns seres humanos neste planeta.
Agora fica mais claro o termo Destruição Mutuamente Assegurada: MAD em inglês.
O poder dessas bombas é tão enorme, que, se usadas pelas nações que as detêm, causariam o fim da humanidade.
Depois de destruir tantas cidades, é muito apropriada a citação de Robert Oppenheimer. Ele foi um dos cientistas chefe do Projeto Manhattan, que desenvolveu a primeira bomba atômica.
Eu me tornei a morte, o destruidor de mundos.

Oppenheimer proferiu a frase após o teste bem sucedido da bomba no deserto de Nevada, em 1945. Esta é uma frase do Bragavad Gita, um épico indiano secular – Oppenheimer sabia ler e escrever em sânscrito.

 


Links:

Bônus
Bomba atômica por Vinícius de Moraes

A bomba atômica I

rio de Janeiro , 1954

e = mc2
Einstein

Deusa, visão dos céus que me domina
… tu que és mulher e nada mais!

(Deusa, valsa carioca.)

Dos céus descendo
Meu Deus eu vejo
De paraquedas?
Uma coisa branca
Como uma forma
De estatuária
Talvez a forma
Do homem primitivo
A costela branca!
Talvez um seio
Despregado à lua
Talvez o anjo
Tutelar cadente
Talvez a Vênus
Nua, de clâmide
Talvez a inversa
Branca pirâmide
Do pensamento
Talvez o troço
De uma coluna
Da eternidade
Apaixonado
Não sei indago
Dizem-me todos
É A BOMBA ATÔMICA.

A rosa de Hiroxima

rio de Janeiro , 1954

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Rosa de Hiroshima

Como um cagão salvou o mundo da destruição total

O mundo é curioso. Às vezes, uma única pessoa aleatória tem o poder de mudar completamente o rumo da humanidade inteira.
 

Por exemplo, Hernan Cortés, o conquistador espanhol, tinha sido atacado por nativos, e estava sendo levado como prisioneiro. Cortés foi resgatado por um único soldado espanhol, que matou quatro índios. Não fosse isso, talvez a conquista das Américas demorasse 50 anos a mais, ou nem viesse a acontecer.

 

Outro exemplo. Se Pôncio Pilatos tivesse poupado Jesus, a história do cristianismo talvez fosse completamente diferente.

 

Venho contar hoje a história de uma pessoa, cujo maior ato de heroísmo foi tremer nas bases, se acovardar, e nada fazer. Isto salvou o mundo, sem ninguém ficar sabendo.

 


Bombas atômicas

 

 
Depois da explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945, o mundo viu dois grandes vencedores: de um lado os Estados Unidos, do outro a União Soviética.

 

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Nenhuma das duas potências poderia se enfrentar diretamente, a custo de uma aniquilação mútua que não interessava a ninguém. Era como se duas pessoas tivessem uma arma apontada na cabeça da outra ao mesmo tempo.

 

A chamada “Guerra Fria” surgiu neste contexto: um embate de forças indireto, uma corrida armamentista, uma corrida espacial, a Guerra da Coreia nos anos 50 e na Guerra do Vietnã, no final dos anos 60.

 


 

O Não Herói Petrov

 

Neste contexto de segredos, rivalidade e tensão, em 26 de setembro de 1983 o tenente-coronel Stanislav Petrov estava de serviço. Era num bunker secreto numa floresta perto de Moscou. A sua missão, monitorar o sistema soviético de alerta de ataque nuclear.

 

Neste dia, ele ouviu um “bip-bip” de um sofisticado sistema de alarmes. O problema é que este “bip-bip” indicava um ataque nuclear norte-americano!

 

O sistema indicava um primeiro míssil. Depois, um segundo. No total, indicava que cinco mísseis balísticos americanos estavam a caminho!

 

As ordens eram claras. Informar imediatamente um superior no Kremlin.

 

Entretanto, não foi isso que Petrov fez. Ele tinha uma certa insegurança quanto à tecnologia de satélites, que era nova. Os mísseis terrestres não tinham captado nada. E, ele pensou, se fosse um ataque de verdade, não seria com 5 mísseis, seria com dezenas de mísseis, como se fosse o primeiro a apertar o gatilho esperando que não dê tempo do segundo reagir.

 

Mas também poderia ser um ataque real. Algum erro estratégico poderia fazer os EUA lançarem apenas 5 mísseis. Ou mais estariam por vir. Os radares de terra poderiam estar com problemas.

 

Se ele não reagisse, a União Soviética estaria perdendo minutos preciosos de contra-ataque. Se ele reagisse, possivelmente seria o fim do mundo. Petrov tremeu nas bases.

 

A equipe toda de Petrov era de soldados, apenas obedeciam ordens. Ele era o “mais antigo”, jargão militar que indica que era dele a responsabilidade de passar a informação adiante.

 

E o que Petrov fez?

 

Nada.

 

Esperou por intermináveis minutos por algum sinal mais concreto. Seu coração batia rapidamente. Ele suava muito. Um anjinho em sua cabeça dizia para ele esperar. Um demônio em sua cabeça dizia para ele fazer a ligação.

 

Uma meia hora depois, ele se convenceu de que era realmente um alarme falso. Reportou um erro no sistema de satélites. E bola para frente.

 

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A rigor, Petrov agiu errado. No meio militar, deve-se seguir ordens e passar o abacaxi para cima. Hierarquia e disciplina.

 

Fico me imaginando o que poderia acontecer se outro oficial estivesse de serviço. Um oficial com cabeça bem militar, sem nenhum conhecimento técnico. Quem conhece tecnologia sabe que sistemas novos sempre dão problemas, como identificar falsos positivos. Mas, para um leigo, os satélites eram coisas de gênios, dificilmente o leigo duvidaria de um sinal desses.

 

Este oficial seguiria o manual à risca, e ligaria dizendo: “estamos sob ataque nuclear”. As autoridades do Kremlin fariam um monte de perguntas, às quais ele responderia: “o moderníssimo sistema de satélites indicou com certeza 5 mísseis balísticos disparados da Costa Oeste dos EUA, a atingir Moscou em alguns minutos”.

 

Diante da pressão de responder em pouco tempo, e da firmeza da declaração do oficial, talvez este erro de cálculo se propagasse, fazendo os soviéticos dispararem mísseis atômicos em represália.

 

O relógio do fim do mundo relógio do fim do mundo marcaria meia-noite. Os EUA entrariam em DEFCON 0. Uma chuva de bombas varreria a Terra.
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Desenho da incrível série “Watchmen”

 

O mundo inteiro seria diferente. A humanidade regrediria alguns séculos. Conforme disse Albert Einstein:

 

“Não sei como vai ser a Terceira Guerra Mundial, mas a quarta será com paus e pedras.”

 

O Bhagavad Gita é um dos textos mais importantes da mitologia indiana. Dizem que Robert Oppenheimer, um dos cientistas chefes do Projeto Manhattan (que construiu a primeira bomba atômica), teria feito a seguinte citação do Bhagavad Gita, no primeiro teste da bomba no Novo México. Nada mais adequado para encerrar esta história:

 

“Agora me tornei a Morte, o destruidor de mundos”.

 


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