Google e Gugol

O que é um Google?
O gugol (ou googol) é uma unidade de medida, como um mili (10^-3) ou um kilo (10^3) ou um mega (10^6). O gugol representa 10^100.

10^100 é o número 1 seguido de 100 zeros. É um número tão grande que nem dá para imaginar o tão grande que é. 

O gugol foi inventado em 1938 pelo matemático Edward Kasner. Ele pediu ao sobrinho, com 8 anos, que inventasse um nome para um número gigante, e ele disse “gugol”. Dizem que Kasner tinha em mente aplicações em astronomia, que lida com números enormes. 

Já o famoso Google foi inspirado pelo tamanho gigante do gugol, e pelo nome esquisito. Dizem que Sergei Brim e Larry Page erraram a ortografia do gugol, por isso ficou google. Melhor assim.
Um googleplex é 10 elevado a um gugol… Nem quero tentar imaginar isto. Mas o Plex também é o nome da sede da empresa Google, e isto não é coincidência. 

Apendicite, Internet Explorer e Dinossauros

dinossauro

Qual a semelhança entre o código genético do ser humano e o Internet Explorer?

O ser humano tem uma série de “defeitos de fabricação”. Por exemplo, o apêndice é uma bolsa que fica perto do intestino, e que não serve para nada. Aliás, serve sim. Serve para inflamar e causar apendicite, que se não for tratada, pode até matar.


 

Qual o motivo do apêndice existir?

Dizem que o apêndice já serviu para digerir celulose, num passado muito distante.
 

O apêndice é um reminiscente evolutivo: algo que serviu para alguma coisa no passado, hoje não serve mais, porém continua existindo.

 
Há outros reminiscentes evolutivos além do apêndice. O último osso da coluna, chamado coccis, que é a base para um rabo, uma cauda.


 

Evolução X Criação

Esses defeitos tomam espaço do código genético e desviam um pouco da energia da pessoa, mas não são defeitos fatais. A pessoa que não tem apêndice não tem vantagem nenhuma sobre outra que não tem. Então, dá mais trabalho reescrever o código genético do que deixar assim mesmo.
 

A existência destes reminiscentes evolutivos é uma das evidências de que a evolução realmente existiu, segundo o paleontólogo Stephen Jay Gould. Afinal, se houvesse um criador onipotente, por que ele criaria pessoas com apêndice? Por que criaria galinhas com asas se elas não voam? Por que um ser perfeito criaria seres com defeitos?

 

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Reminiscentes biológicos e Código Legado

Por outro lado, no mundo da computação acontece exatamente a mesma coisa, só que com um nome diferente: código legado.

 
Todo sistema de computador é desenvolvido a partir de um código de programação. Mas sistemas são entes dinâmicos, vivos. Estão sempre evoluindo: incorporando novas ideias, novas tecnologias. Muitas dessas novas ideias não dão certo, e o programador acaba tendo que reescrever o código ou fazer uma adaptação no código existente. Um monte de código adaptado com “reminiscentes” de ideias antigas é um”código legado”.

 


Internet Explorer e Dinossauros

 

O Internet Explorer é um bom exemplo. Um browser antigamente só tinha que ler html. Depois, passou a ler algumas linguagens de programação como Javascript e Vbscript. Depois, a suportar soluções como Flash Player. Depois, novas versões de html, e assim sucessivamente. Além disso, tem que garantir a compatibilidade entre páginas feitas para versões anteriores do IE e do Windows. A cada nova ideia a mais, mais um “puxadinho” no código.
 

Acabou que o Internet Explorer ficou cheio de código legado, o que o tornava pesado e ineficiente. O IE virou um dinossauro, dando espaço para o surgimento de concorrentes.

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Recomeçar do zero
Até que a Microsoft resolveu simplesmente recomeçar tudo do zero. Reescreveram tudo, criando o Microsoft Edge, nova versão do browser. Dizem que removeram 220.000 linhas de código do IE antigo. http://gizmodo.uol.com.br/microsoft-edge-oficial/

http://www.theinquirer.net/inquirer/news/2407685/microsoft-edge-dumps-220-000-lines-of-code-including-activx-and-vml

 
Analogamente, o DNA, código genético dos seres vivos, tem um monte de lixo: um monte de código que não se sabe para que serve, mas está lá no DNA. É o “junk DNA”. No ser humano, isto chega a 98% do DNA. Mas não se sabe exatamente se é mesmo lixo ou se serve para alguma coisa que não foi descoberta ainda. https://en.wikipedia.org/wiki/Noncoding_DNA

 
A diferença é que não dá para “resetar” o ser humano e recomeçar do zero. A menos que caia um meteoro que destrua tudo. Opa! Será que Deus é um programador que achou os dinossauros ineficientes e resolveu recomeçar tudo do zero?

 

Arnaldo Gunzi
Ago 2015

 

Mais Sonhos Profundos

 

 

Mais Deep Dreams, em homenagem a duas cidades fantásticas: SP e RJ.

Para criar seus próprios sonhos, uma dica é usar o site https://www.deepdreamit.com.

 

Av. Paulista

Paulista

 

Deep Av. Paulista

DeepPaulista

 

MASP

Masp

 

Deep MASP

DeepMasp

 

Pão de Açúcar

PaoAcucar

 

Deep Pão de Açúcar

DeepPaoAcucar

 

 

 

Deep Dream

O Deep Dream é um algoritmo de redes neurais do Google, que manipula imagens.

Há um site que permite upload e uso fácil do deep dream: https://www.deepdreamit.com. É muito fácil usar.

Fiz uns testes com uma foto antiga. E me senti como o Sandman (https://wordpress.com/post/60116187/1230/)

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Boids e inteligência de enxame

O algoritmo Boids é um algoritmo de inteligência de enxame, inspirado no comportamento de pássaros.

Vide vídeo a seguir.

 

As regras são muito simples. O algoritmo começa com um número X de boids. Cada boid tenta seguir as seguintes regras:

 

  • Cada boid tenta ir em direção ao centro de massa de seus vizinhos mais próximos
  • Cada boid mantém uma distância mínima para outros objetos (inclusive outros boids)
  • Cada um tenta igualar a velocidade com outros boids próximos

 

O engraçado é que são três regras muito simples, que podem gerar uma complexidade e beleza inimaginável.

São inúmeras configurações possíveis, e ninguém sabe de antemão como será a dança dos boids.

 

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Arnaldo Gunzi

Ago 2015

 

Link do pseudocódigo do Boids

http://www.kfish.org/boids/pseudocode.html

Memória rápida e memória lenta

Há diversas similaridades entre computação e biologia. Uma dessas similaridades acontece com as formas de memória utilizadas.

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Memórias de computador

Computadores têm dois tipos de memória. Uma com velocidade de processamento extremamente rápida mas capacidade de armazenamento limitada, a memória RAM. A outra, com velocidade de acesso baixa mas capacidade gigantesca, que é o disco rígido do computador.
 

Quando o computador vai processar alguma coisa, utiliza a memória rápida, faz todo o processamento necessário e grava/lê os resultados na memória devagar.

 
A memória rápida é muito cara, em termos de US$/megabyte, portanto ela deve ser grande o suficiente para o processamento, mas muito menor que a memória devagar. Já a memória devagar é barata, portanto dá para ter gigabytes dela.
 

É mais ou menos que nem a mesa de trabalho e um armário de arquivo. Pego do arquivo tudo o que preciso, e deixo na minha mesa. Faço o meu trabalho na mesa e depois devolvo tudo certinho ao armário.

 


Memórias do cérebro

O cérebro humano também tem uma memória rápida e outra devagar. A lógica é exatamente a mesma do computador. A memória de trabalho é limitada e gasta uma enorme energia, além de esquecer facilmente a informação. Já a memória de longo prazo não esquece tão fácil assim, mas demora bastante para gravar alguma coisa nesta memória.
 

Quando a gente aprende alguma coisa nova, quem trabalha é a memória rápida. Na primeira vez em que se dirige um carro, a pessoa presta muita atenção em tudo. Lembro que eu tinha que ver onde estava o câmbio, todas as vezes em que trocava de marcha. Depois que o conhecimento é assimilado, o esforço de dirigir diminui bastante, vira algo automático: o conhecimento foi para a memória devagar.

 
Falar em outra língua, em outro país, também é uma atividade bem difícil e exaustiva no começo. Isto porque a memória rápida tem que se concentrar bastante. Depois de um tempo, a pessoa se acostuma, ou seja, o aprendizado vai para a memória devagar.
 


Memória virtual

O computador usa uma malandragem, que é a memória virtual. Quando a memória RAM acaba, o processador pode pegar um pouco da memória do hard disk emprestada temporariamente. O desempenho do processamento vai diminuir um pouco, mas há o aumento do limite de informação a ser manipulada.
 

Até aí, eu já sabia. Mas o que eu não sabia era que o ser humano também conseguia fazer isso: pegar emprestado um pouco de sua memória de longo prazo para usar na memória rápida.
 

Rüdiger Gamm é um cara normal, e era péssimo em matemática. E ele foi treinado em dividir números primos até a 60a casa decimal, raízes quínticas, etc, tudo de cabeça. Como ele conseguia?

 
Um escaneamento do seu cérebro mostrou que ele estava usando áreas da memória de longo prazo para conseguir estender a sua memória comum.
 

http://archive.wired.com/wired/archive/11.12/genius_pr.html
 


Memorização

Há diversas técnicas de memorização poderosas. Por exemplo, uma delas é associar uma lista de palavras que a pessoa quer decorar com algum lugar físico, e criar uma historinha. Ou associar números de 1 a 99 com pessoas, e números com mais dígitos são uma combinação das pessoas representadas pelos números até 99.

 
Mais ou menos assim:
Decore um número de telefone: (32) 94366-2342
Decore uma historinha: o Bozo subiu em um poste e comeu bife de cavalo com o Silvio Santos, depois beijou a Debora Secco.

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É muito mais fácil decorar a historinha, não? O truque é treinar para codificar/decodificar a historinha para os números.

Virando historinha, a gente acessa outras funções do cérebro: criatividade, empatia com os personagens, visualização, etc. E estamos usando outras partes da memória. 

 


Matrix

No filme Matrix 2, tem uma cena em que a Trinity tem que fugir de moto. Mas ela não sabe dirigir. Então, ela downloada a capacidade de dirigir, instala na sua cabeça, e aprende a pilotar a moto em segundos. É no minuto 1:20 do vídeo a seguir.

 

 

Será que um dia chegaremos neste nível?

 

Arnaldo Gunzi
Ago 2015

 
 
 

Google + ??

GoogleMinus

 

Tempos atrás, existia o Orkut. Era legal, foi a primeira rede social que “pegou” no Brasil.
Com o passar do tempo, alguma coisa foi acontecendo. Alguém falava de facebook, depois algum outro também falava. Os meus amigos estrangeiros (Japão, Austrália, Europa) nem sabiam o que era Orkut. E, a cada dia que se passava, mais e mais pessoas se conectavam ao face. Numa rede social, o que importa são os contatos. Se há um instrumento em que posso falar com 5.000 conhecidos, para que perder tempo com outro em que há apenas 500?

 
Na guerra das redes sociais, o Google fechou o Orkut e repensou toda a sua estratégia. Lançou um tal de Google+ (Google Plus). A ideia era uma rede social que integrasse vários serviços do próprio Google, como o Youtube, blog, fotos. Se o número de contatos do Orkut era pequeno, eles resolveriam isto. Para maximizar o número de contatos, o Google forçou que TODO MUNDO tivesse uma conta no Google+. A minha conta do Google+ eu não criei, não escrevi uma linha sequer – ela foi escrita automaticamente, migrou da minha conta no Google e puxou fotos que eu tinha no Picasa (que foi adquirido pelo Google). Não autorizei, na verdade nem sabia que tinha uma conta com fotos no G+.

 
O efeito deste sequestro de informações para o G+ foi que, nominalmente, este serviço tem uns 300 milhões de usuários. Mas a grande maioria desses nem sabe que é usuário do G+. Eles usam mesmo são o Youtube, o blog, e outros serviços, que contam na estatística. Mas, na prática, o número de usuários de verdade o G+ é muito menor. Parece estatística do PT, números bonitos que não representam a realidade. Nesta página, diz que apenas 9% dos usuários realmente usam o G+. http://www.businessinsider.com/google-active-users-2015-1

 
Outros efeitos: não gostei muito de ter um monte de informação pessoal compilada sem a minha autorização, e também fiquei com receio de publicar informação nova que pode parar em algum outro lugar que nem sei onde.

 
Há um grande valor numa rede social. Acrescenta à informação publicada na internet uma dimensão pessoal – fulano de tal gosta disto. Isto possibilita traçar um perfil da pessoa e oferecer anúncios personalizados, oferecer novos serviços e manter o uso dos serviços existentes. Quanto mais se sabe da pessoa, maior esta possibilidade.

 
O Google ficou para trás em redes sociais, e tentou recuperar o prejuízo. Mas o G+ seria mais interessante se atacasse algum nicho específico. Enquanto o Facebook é a rede social de amizades, o Linkedin a rede social profissional, o Google + até hoje não sei o que é.

 
A prova de fogo definitiva: enquanto no Facebook vira e mexe alguém me adiciona ou me manda alguma mensagem, nos últimos tempos ninguém me adicionou e nem adicionei ninguém neste tal de Google+. Posso ser teoricamente um usuário ativo do Google+ por mexer no Google, mas uma rede social assim não é nada social.

Arnaldo Gunzi.
Maio/2015

 
Artigos de Abril 2015, sobre mudança de rumos no Google+.
http://www.ibtimes.com/google-plus-getting-minus-sign-hangouts-photos-teams-may-be-moving-android-1576752

http://www.businessinsider.com/what-happened-to-google-plus-2015-4