Apendicite, Internet Explorer e Dinossauros

dinossauro

Qual a semelhança entre o código genético do ser humano e o Internet Explorer?

O ser humano tem uma série de “defeitos de fabricação”. Por exemplo, o apêndice é uma bolsa que fica perto do intestino, e que não serve para nada. Aliás, serve sim. Serve para inflamar e causar apendicite, que se não for tratada, pode até matar.


 

Qual o motivo do apêndice existir?

Dizem que o apêndice já serviu para digerir celulose, num passado muito distante.
 

O apêndice é um reminiscente evolutivo: algo que serviu para alguma coisa no passado, hoje não serve mais, porém continua existindo.

 
Há outros reminiscentes evolutivos além do apêndice. O último osso da coluna, chamado coccis, que é a base para um rabo, uma cauda.


 

Evolução X Criação

Esses defeitos tomam espaço do código genético e desviam um pouco da energia da pessoa, mas não são defeitos fatais. A pessoa que não tem apêndice não tem vantagem nenhuma sobre outra que não tem. Então, dá mais trabalho reescrever o código genético do que deixar assim mesmo.
 

A existência destes reminiscentes evolutivos é uma das evidências de que a evolução realmente existiu, segundo o paleontólogo Stephen Jay Gould. Afinal, se houvesse um criador onipotente, por que ele criaria pessoas com apêndice? Por que criaria galinhas com asas se elas não voam? Por que um ser perfeito criaria seres com defeitos?

 

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Reminiscentes biológicos e Código Legado

Por outro lado, no mundo da computação acontece exatamente a mesma coisa, só que com um nome diferente: código legado.

 
Todo sistema de computador é desenvolvido a partir de um código de programação. Mas sistemas são entes dinâmicos, vivos. Estão sempre evoluindo: incorporando novas ideias, novas tecnologias. Muitas dessas novas ideias não dão certo, e o programador acaba tendo que reescrever o código ou fazer uma adaptação no código existente. Um monte de código adaptado com “reminiscentes” de ideias antigas é um”código legado”.

 


Internet Explorer e Dinossauros

 

O Internet Explorer é um bom exemplo. Um browser antigamente só tinha que ler html. Depois, passou a ler algumas linguagens de programação como Javascript e Vbscript. Depois, a suportar soluções como Flash Player. Depois, novas versões de html, e assim sucessivamente. Além disso, tem que garantir a compatibilidade entre páginas feitas para versões anteriores do IE e do Windows. A cada nova ideia a mais, mais um “puxadinho” no código.
 

Acabou que o Internet Explorer ficou cheio de código legado, o que o tornava pesado e ineficiente. O IE virou um dinossauro, dando espaço para o surgimento de concorrentes.

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Recomeçar do zero
Até que a Microsoft resolveu simplesmente recomeçar tudo do zero. Reescreveram tudo, criando o Microsoft Edge, nova versão do browser. Dizem que removeram 220.000 linhas de código do IE antigo. http://gizmodo.uol.com.br/microsoft-edge-oficial/

http://www.theinquirer.net/inquirer/news/2407685/microsoft-edge-dumps-220-000-lines-of-code-including-activx-and-vml

 
Analogamente, o DNA, código genético dos seres vivos, tem um monte de lixo: um monte de código que não se sabe para que serve, mas está lá no DNA. É o “junk DNA”. No ser humano, isto chega a 98% do DNA. Mas não se sabe exatamente se é mesmo lixo ou se serve para alguma coisa que não foi descoberta ainda. https://en.wikipedia.org/wiki/Noncoding_DNA

 
A diferença é que não dá para “resetar” o ser humano e recomeçar do zero. A menos que caia um meteoro que destrua tudo. Opa! Será que Deus é um programador que achou os dinossauros ineficientes e resolveu recomeçar tudo do zero?

 

Arnaldo Gunzi
Ago 2015

 

Mais Sonhos Profundos

 

 

Mais Deep Dreams, em homenagem a duas cidades fantásticas: SP e RJ.

Para criar seus próprios sonhos, uma dica é usar o site https://www.deepdreamit.com.

 

Av. Paulista

Paulista

 

Deep Av. Paulista

DeepPaulista

 

MASP

Masp

 

Deep MASP

DeepMasp

 

Pão de Açúcar

PaoAcucar

 

Deep Pão de Açúcar

DeepPaoAcucar

 

 

 

Deep Dream

O Deep Dream é um algoritmo de redes neurais do Google, que manipula imagens.

Há um site que permite upload e uso fácil do deep dream: https://www.deepdreamit.com. É muito fácil usar.

Fiz uns testes com uma foto antiga. E me senti como o Sandman (https://wordpress.com/post/60116187/1230/)

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Boids e inteligência de enxame

O algoritmo Boids é um algoritmo de inteligência de enxame, inspirado no comportamento de pássaros.

Vide vídeo a seguir.

 

As regras são muito simples. O algoritmo começa com um número X de boids. Cada boid tenta seguir as seguintes regras:

 

  • Cada boid tenta ir em direção ao centro de massa de seus vizinhos mais próximos
  • Cada boid mantém uma distância mínima para outros objetos (inclusive outros boids)
  • Cada um tenta igualar a velocidade com outros boids próximos

 

O engraçado é que são três regras muito simples, que podem gerar uma complexidade e beleza inimaginável.

São inúmeras configurações possíveis, e ninguém sabe de antemão como será a dança dos boids.

 

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Arnaldo Gunzi

Ago 2015

 

Link do pseudocódigo do Boids

http://www.kfish.org/boids/pseudocode.html

Memória rápida e memória lenta

Há diversas similaridades entre computação e biologia. Uma dessas similaridades acontece com as formas de memória utilizadas.

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Memórias de computador

Computadores têm dois tipos de memória. Uma com velocidade de processamento extremamente rápida mas capacidade de armazenamento limitada, a memória RAM. A outra, com velocidade de acesso baixa mas capacidade gigantesca, que é o disco rígido do computador.
 

Quando o computador vai processar alguma coisa, utiliza a memória rápida, faz todo o processamento necessário e grava/lê os resultados na memória devagar.

 
A memória rápida é muito cara, em termos de US$/megabyte, portanto ela deve ser grande o suficiente para o processamento, mas muito menor que a memória devagar. Já a memória devagar é barata, portanto dá para ter gigabytes dela.
 

É mais ou menos que nem a mesa de trabalho e um armário de arquivo. Pego do arquivo tudo o que preciso, e deixo na minha mesa. Faço o meu trabalho na mesa e depois devolvo tudo certinho ao armário.

 


Memórias do cérebro

O cérebro humano também tem uma memória rápida e outra devagar. A lógica é exatamente a mesma do computador. A memória de trabalho é limitada e gasta uma enorme energia, além de esquecer facilmente a informação. Já a memória de longo prazo não esquece tão fácil assim, mas demora bastante para gravar alguma coisa nesta memória.
 

Quando a gente aprende alguma coisa nova, quem trabalha é a memória rápida. Na primeira vez em que se dirige um carro, a pessoa presta muita atenção em tudo. Lembro que eu tinha que ver onde estava o câmbio, todas as vezes em que trocava de marcha. Depois que o conhecimento é assimilado, o esforço de dirigir diminui bastante, vira algo automático: o conhecimento foi para a memória devagar.

 
Falar em outra língua, em outro país, também é uma atividade bem difícil e exaustiva no começo. Isto porque a memória rápida tem que se concentrar bastante. Depois de um tempo, a pessoa se acostuma, ou seja, o aprendizado vai para a memória devagar.
 


Memória virtual

O computador usa uma malandragem, que é a memória virtual. Quando a memória RAM acaba, o processador pode pegar um pouco da memória do hard disk emprestada temporariamente. O desempenho do processamento vai diminuir um pouco, mas há o aumento do limite de informação a ser manipulada.
 

Até aí, eu já sabia. Mas o que eu não sabia era que o ser humano também conseguia fazer isso: pegar emprestado um pouco de sua memória de longo prazo para usar na memória rápida.
 

Rüdiger Gamm é um cara normal, e era péssimo em matemática. E ele foi treinado em dividir números primos até a 60a casa decimal, raízes quínticas, etc, tudo de cabeça. Como ele conseguia?

 
Um escaneamento do seu cérebro mostrou que ele estava usando áreas da memória de longo prazo para conseguir estender a sua memória comum.
 

http://archive.wired.com/wired/archive/11.12/genius_pr.html
 


Memorização

Há diversas técnicas de memorização poderosas. Por exemplo, uma delas é associar uma lista de palavras que a pessoa quer decorar com algum lugar físico, e criar uma historinha. Ou associar números de 1 a 99 com pessoas, e números com mais dígitos são uma combinação das pessoas representadas pelos números até 99.

 
Mais ou menos assim:
Decore um número de telefone: (32) 94366-2342
Decore uma historinha: o Bozo subiu em um poste e comeu bife de cavalo com o Silvio Santos, depois beijou a Debora Secco.

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É muito mais fácil decorar a historinha, não? O truque é treinar para codificar/decodificar a historinha para os números.

Virando historinha, a gente acessa outras funções do cérebro: criatividade, empatia com os personagens, visualização, etc. E estamos usando outras partes da memória. 

 


Matrix

No filme Matrix 2, tem uma cena em que a Trinity tem que fugir de moto. Mas ela não sabe dirigir. Então, ela downloada a capacidade de dirigir, instala na sua cabeça, e aprende a pilotar a moto em segundos. É no minuto 1:20 do vídeo a seguir.

 

 

Será que um dia chegaremos neste nível?

 

Arnaldo Gunzi
Ago 2015

 
 
 

Google + ??

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Tempos atrás, existia o Orkut. Era legal, foi a primeira rede social que “pegou” no Brasil.
Com o passar do tempo, alguma coisa foi acontecendo. Alguém falava de facebook, depois algum outro também falava. Os meus amigos estrangeiros (Japão, Austrália, Europa) nem sabiam o que era Orkut. E, a cada dia que se passava, mais e mais pessoas se conectavam ao face. Numa rede social, o que importa são os contatos. Se há um instrumento em que posso falar com 5.000 conhecidos, para que perder tempo com outro em que há apenas 500?

 
Na guerra das redes sociais, o Google fechou o Orkut e repensou toda a sua estratégia. Lançou um tal de Google+ (Google Plus). A ideia era uma rede social que integrasse vários serviços do próprio Google, como o Youtube, blog, fotos. Se o número de contatos do Orkut era pequeno, eles resolveriam isto. Para maximizar o número de contatos, o Google forçou que TODO MUNDO tivesse uma conta no Google+. A minha conta do Google+ eu não criei, não escrevi uma linha sequer – ela foi escrita automaticamente, migrou da minha conta no Google e puxou fotos que eu tinha no Picasa (que foi adquirido pelo Google). Não autorizei, na verdade nem sabia que tinha uma conta com fotos no G+.

 
O efeito deste sequestro de informações para o G+ foi que, nominalmente, este serviço tem uns 300 milhões de usuários. Mas a grande maioria desses nem sabe que é usuário do G+. Eles usam mesmo são o Youtube, o blog, e outros serviços, que contam na estatística. Mas, na prática, o número de usuários de verdade o G+ é muito menor. Parece estatística do PT, números bonitos que não representam a realidade. Nesta página, diz que apenas 9% dos usuários realmente usam o G+. http://www.businessinsider.com/google-active-users-2015-1

 
Outros efeitos: não gostei muito de ter um monte de informação pessoal compilada sem a minha autorização, e também fiquei com receio de publicar informação nova que pode parar em algum outro lugar que nem sei onde.

 
Há um grande valor numa rede social. Acrescenta à informação publicada na internet uma dimensão pessoal – fulano de tal gosta disto. Isto possibilita traçar um perfil da pessoa e oferecer anúncios personalizados, oferecer novos serviços e manter o uso dos serviços existentes. Quanto mais se sabe da pessoa, maior esta possibilidade.

 
O Google ficou para trás em redes sociais, e tentou recuperar o prejuízo. Mas o G+ seria mais interessante se atacasse algum nicho específico. Enquanto o Facebook é a rede social de amizades, o Linkedin a rede social profissional, o Google + até hoje não sei o que é.

 
A prova de fogo definitiva: enquanto no Facebook vira e mexe alguém me adiciona ou me manda alguma mensagem, nos últimos tempos ninguém me adicionou e nem adicionei ninguém neste tal de Google+. Posso ser teoricamente um usuário ativo do Google+ por mexer no Google, mas uma rede social assim não é nada social.

Arnaldo Gunzi.
Maio/2015

 
Artigos de Abril 2015, sobre mudança de rumos no Google+.
http://www.ibtimes.com/google-plus-getting-minus-sign-hangouts-photos-teams-may-be-moving-android-1576752

http://www.businessinsider.com/what-happened-to-google-plus-2015-4

Experimento sobre evolução

Karl Sims é um cientista da computação e artista gráfico.

Ele usou seus conhecimentos em computação e animação para criar um ambiente que simulava a evolução.

A simulação começa com uma séries de bloquinhos com articulações montadas aleatoriamente. Cada indivíduo pode sofrer uma mutação. A função objetivo é ter movimento. Os indivíduos que conseguirem se movimentar melhor tem maior probabilidade de se reproduzirem. Os filhos herdam algumas das características dos pais, e também podem sofrer mutações.

A evolução é cega, sem um plano, sem um guia, sem um formato final correto. A gigantesca maioria dos seres que se formaram foi eliminada, por não obter sucesso. Mas alguns conseguiram evoluir, para os mais diversos formatos possíveis. Alguns pareciam animais já conhecidos, como cobras e peixes. Outros, de forma não tão óbvia, se movimentavam dando cambalhotas.
O vídeo é fascinante. Vale a pena assistir.

Em outro experimento, o objetivo era tomar posse de um cubo verde. Então, surgiram algumas estratégias diretas, como ser o mais rápido a chegar. Teve um que largou mão de procurar o cubo, e foi direto bloquear o adversário. Mas o melhor foi um que usou uma estratégia indireta, de fazer inveja a Sun Tzu: dois braços longos, que simplesmente cercavam a bola. Qualquer ataque do inimigo simplesmente fazia com que a bola ficasse presa em um dos braços longos.

Captchas

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 Captchas
Certamente quem mexe na internet já se deparou com um captcha: é uma imagem, com números e letras aleatórias, e o usuário deve digitar o que lê numa caixa. Se acertar, ele tem acesso. Se não, ele não consegue avançar.

 

Para que serve essa coisa irritante?

 

Serve para distinguir um robô de um ser humano. É relativamente simples criar um programa para visitar páginas da internet e ficar vasculhando o conteúdo. Mas o que gera receita de verdade para o dono da página são seres humanos, e não programas de computador. Um robô pode inclusive roubar o conteúdo valioso de um site e divulgar para o mundo inteiro.

 

Por que o captcha tem que ser tão difícil, cheio de letras distorcidas e traços que atrapalham? Porque existem outros programas de computador, os OCR, que pegam uma imagem e reconhecem o que está escrito. Portanto, o captcha tem que ser suficientemente difícil para um OCR não conseguir transcrever. E, por isso, os captchas são difíceis de entender. Tão difíceis, que nem os humanos entendem… Eu odeio esse negócio. Uma vez, errei três vezes seguidas a transcrição desse negócio, e desisti de acessar o site. Mesmo quando consigo, tenho que fazer um enorme esforço de concentração para isto.

 

Se somar a quantidade de energia mental gasta nesta porcaria por milhões de pessoas no mundo inteira, questiona-se se o captcha foi mesmo uma boa invenção.

O Re captcha

 

O criador do captcha, ao notar o quanto estava dificultando a vida de milhões de pessoas, bolou um jeito de usar esta enorme energia mental para algo produtivo.

 

O google tem uma iniciativa de escanear livros de bibliotecas, e vem gastando um esforço considerável nisto: escaneres extremamente velozes e alta definição, tempo e dinheiro com funcionários para escanear, servidores para armazenar a informação, especialistas em OCR, etc. Mas, mesmo assim, ainda tem um monte de palavras que o OCR não consegue entender. Aí, o google tinha que pagar pessoas para fazer a desambiguidade.

 

A ideia foi brilhante: pegar essas palavras que o OCR não conseguiu entender, jogar no captcha um milhão de vezes. A palavra que for assinalada mais vezes tem grande probabilidade de ser a palavra correta. E todos aqueles que respondem a um captcha estão ajudando a digitalizar um livro.

 

Mas, se ninguém sabe exatamente qual a palavra correta, como usar a palavra escaneada como captcha?

 

Simples, no recaptcha aparecem duas palavras: uma de controle, e a outra com a palavra escaneada. O ser humano só tem que acertar a primeira palavra.

 

Menos mal saber que o tempo gasto para provar que não sou um robô contribui para a digitalização de livros.
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Alternativas
 

 

Para mim, a responsabilidade e o ônus de saber quem é computador ou não deveria ser do dono da página, e não do usuário.

 

Surgiram outras formas de filtrar robôs, que são muito mais humanas que o captcha.
  • Fazer perguntas literais simples: do tipo “Quanto é dois somado a três?”
  • No ipad, pedir para fazer gestos simples: “Por favor, arraste dois dedos de baixo para cima” (no caso, é para filtrar adulto de criança)
  • Colocar joguinhos simples: arrastar um bloco para um buraco, por exemplo
  • Rastrear a velocidade com que o usuário acessa links e aperta botões.

Unir o útil ao agradável
 

 

A principal razão de eu contar esta história toda não é falar sobre captcha. Mas sim, mostrar que dá para achar utilidade em algo que parecia não ter.

 

Todos os dias, milhões de pessoas gastam tempo, energia e processamento computacional navegando na internet, jogando os mais variados tipos de jogos, acessando facebook, twitter. São formas de entretenimento, não há nada de errado nisto.

 

E se, de alguma forma, quem jogasse um jogo ou lesse uma notícia num site qualquer ao mesmo tempo estivesse contribuindo com alguma coisa, como pesquisa de combate ao câncer?

 

E se fosse possível quebrar um problema em milhões de problemas pequenos e a resolução deste problema for codificado como um pedaço de um jogo?

 

Seria unir o útil ao agradável, e aproveitar um pouquinho do tempo e da energia coletiva de milhões de pessoas.

 

Arnaldo Gunzi

Março 2015


Siglas
Captcha: Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart
OCR: Optical recognition character
Teste de Turing: concebido por um dos criadores do conceito de computação, o teste de Turing serve para distinguir humano de computadores. Pegue um humano e coloque numa sala. Este humano faz perguntas e recebe respostas de alguém de fora da sala. Se o humano não conseguir distinguir se está falando com um outro humano ou uma máquina, a máquina passou no teste.

A estratégia barbell e a TI bimodal

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Estratégia Barbell

O que é melhor, arriscar muito, arriscar pouco, ou ter um risco médio?
 

A maioria das pessoas intuitivamente escolhe o caminho médio. Exemplificando com finanças, trabalhar com opções na bolsa de valores é muito arriscado, gerando ganhos e perdas gigantes. Colocar na poupança é o que tem menor risco, mas gera pouco retorno. Então, as pessoas escolhem algo entre esses extremos.
 

A estratégia barbell é o oposto desse caminho médio. Barbell é um haltere de exercícios, aquele que tem dois pesos em cada ponta e uma barra no meio. A estratégia consiste em deixar a maior parte dos recursos em algo muito conservador, e colocar a parcela restante em algo extremamente volátil, ou seja, apostar nas pontas e evitar o caminho do meio.
 

Este termo foi criado por Nassim Taleb (Black Swan, Antifragile). Colocar-se na parte conservadora garante que, aconteça o que acontecer, você não quebre, sobreviva a imprevistos. Colocar uma parte dos recursos na parte arriscada te expõe aos riscos positivos, se algo der certo, impulsiona tudo.

 


 

TI bimodal

A área de TI (tecnologia da informação) é tradicionalmente lenta, pesada, cheia de processos amarrados num ERP chato.
 

Bimodal é algo que tem dois modos, dois picos em locais opostos. Teria o modo tradicional da TI, chato, lento, pesado, estruturado. Mas também teria um modo rápido: prototipagem rápida, teste de conceitos, modelos simples feitos em excel, flexíveis, desestruturados. Mais ou menos assim: a TI ágil entrega soluções simples e rápidas, testando conceitos até que o processo rode bem. Depois de alguns meses, chega a TI tradicional, para implantar soluções mais estruturadas. Um é o que abre caminho na estradas, e o outro é o que pavimenta com asfalto.
 

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O conceito de TI bimodal se encaixa bem na estratégia barbell. É um bom conceito.


 

Ágil

No começo, os trabalhos de desenvolvimento não tinham muita metodologia. Alguém sentava do lado de quem desenvolvia, pedia algo e isto era feito. O problema era que o escopo mudava, as ferramentas evoluiam, e dava um retrabalho enorme modificar tudo.
 

Aí surgiu o conceito tradicional de desenvolvimento de projetos. Havia a especificação do que deveria ser feito. Com base nessa especificação entrava o desenvolvimento. Mas o problema é que escrever a especificação demora muito, e o cliente NUNCA sabe o que quer. E não é por culpa do cliente, mas devido às circunstâncias: ele pode enxergar outras oportunidades ao longo do projeto, ou o escopo pode mudar, ou o mundo pode mudar. E, então, temos hoje a TI amarrada, que demora meses para dar uma solução que não resolve o problema do usuario.

 
Com o tempo, surgiram as metodologias ágeis: um escopo não tão especificado assim, maior interação entre quem usa e quem desenvolve, etc. Voltou a ser como era no começo de tudo, mas com um nome mais bonito e parecendo mais sofisticado.

 


 

Como implementar
 

Na prática, o que vejo atualmente é que embora o conceito de TI bimodal seja bom, a TI não vai conseguir mudar no curto prazo. A parte ágil tem muito mais características de consultoria ou de uma área de projetos, totalmente desvinculadas de TI tradicional. A TI bimodal é um bom conceito, mas na prática só vai funcionar se a parte ágil da TI tiver características muito diferentes da TI atual. A parte ágil da TI não pode ser igual a TI.

 

 

A Unimente 

Há uns 20 anos, vi a Unimente numa história em quadrinhos. Era um cérebro amarelo gigante, que tinha uma capacidade de raciocínio infinita. O povo, uns ETs estranhos, faziam perguntas telepáticas à  Unimente, que respondia como um oráculo que sabia tudo.
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A Unimente era uma espécie de “Mente única”. Mas não era um conhecimento central, como um robô ou biblioteca. Era a soma interconectada de todas as pessoas do universo. Ao mesmo tempo em que as pessoas usavam a Unimente, a Unimente era formada de todas as mentes de todas as pessoas. Cada um contribuía um pouquinho para gerar a Unimente.
Pois bem, 20 anos depois, estamos quase no estágio desses ETs.
A internet é uma Unimente. Não há um repositório central. Cada pessoa na rede contribui um pouco com a sua opinião, comentário, ou conteúdo (texto, vídeo, áudio, perfil em rede social, etc). Ao invés de telepatia, temos wireless.
Cada pessoa que entra na rede acrescenta um nó de informação. Este nó adicional contribui para aumentar a escala de conhecimento, complexidade, além de servir como estímulo para mais pessoas entrarem.
Estima-se que atualmente 40% dos 7 bilhões de habitantes da Terra tenham acesso à Internet.
Imagine como o mundo será num futuro em que 100% de pessoas estiverem conectadas à Unimente em banda larga!

Criar do zero

Ser o primeiro a fazer alguma coisa demanda uma capacidade criativa e propensão ao risco que poucos imaginam. Criar algo do zero para o primeiro passo é muito mais difícil que dar os passos seguintes.

A Apple, ao criar o primeiro smartphone de verdade da história, gastou mais de 150 milhões de dólares num projeto que ninguém sabia se daria certo.
Algumas das coisas que eles fizeram:
Correram atrás dos fabricantes de LCD para desenvolver o vidro que eles necessitavam para incorporar a tecnologia touch screen.
Reescreveram milhões de linhas de código do sistema operacional desktop, para conseguir rodar num celular centenas de vezes menos poderoso
Como o hardware não estava totalmente pronto no desenvolvimento do sistema operacional, eles criaram um emulador do hardware para testar o desempenho e duração da bateria.
Criaram equipes para criar seis protótipos diferentes do iPhone e ver qual seria o melhor.
Preocupados com o efeito no cérebro humano, eles criaram um protótipo de cabeça humana, para estudar o impacto do sinal telefônico no cérebro.
Com o fracasso de vários protótipos, muitas vezes as equipes simplesmente não sabiam o que fazer.
A ordem expressa a ser seguida era que o telefone deveria fazer tudo com apenas um botão.
No lançamento oficial do primeiro iPhone, Steve Jobs tinha em mãos um protótipo. Ainda não era o modelo definitivo. As vezes, o software travava. Outras, o sinal caía, ou alguma coisa simplesmente não funcionava. Nos treinamentos para o lançamento, ele mostrou as funcionalidades do modelo numa sequência decorada, porque qualquer desvio da sequência faria o protótipo travar.

Quem olha o resultado final pode até achar que foi fácil chegar a ele. Mas não, se é fácil, foi porque tiveram muitas cabeças pensantes para tornar isto fácil.

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Comentário final: Em todos os trabalhos que faço, tento manter a interface simples e intuitiva. Muitas vezes, até acho que deveria fazer um marketing maior, colocar algo que lembre que o trabalho é complexo. Mas, se o iPhone do Jobs é simples, não vai ser a minha planilha que vai ser complicada. O máximo que faço é colocar um nome um pouco mais elaborado no trabalho, e um easter egg escondido.

Abelha polinizadora

Segundo Walter Isaacson (do livro Inovadores), gênio é o que olha para uma situação e enxerga um único ponto: o mais importante.

John von Neumann foi um poli matemático gênio, influenciando diversas áreas, e sendo um dos responsáveis pela arquitetura do computador moderno.

Quero enfatizar aqui o estilo de Von Neumann: o estilo de abelha polinizadora. Na configuração da arquitetura do computador, ele não era especialista em quase nada. Mas tinha visão de tudo e agia mais como alguém indo e voltando com ideias, e discutindo com especialistas de áreas específicas (memória, processamento, algoritmos, etc).

Ele não era um maluco solitário, mas um fanfarrão colaborativo.

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