Quem está com o mico?

O mundo corporativo é a arte de distribuir os micos para outras pessoas.

Ganhei do meu amigo Marcos Melo uma coletânea de artigos clássicos da Harvard Business Review.

Entre os artigos, “Management Time: Who´s got the Monkey?”, sobre administração e gerenciamento de tempo, de William Oncken e Donald Wass, de 1974.

Eles descrevem as tarefas que os profissionais recebem como “macacos” (mas “micos” é mais engraçado), que eles agora devem cuidar. São como micos invisíveis, que sobem nas costas da pessoa.

Cada um tem o seu número de micos, porém ocorre uma redistribuição desses na vida real. Alguns despacham os seus micos para todo mundo – o que os torna de ninguém, e assim o mico morre. Outros passam os micos para algum outro companheiro, horizontalmente, e alguns devolvem o mico para o seu chefe, seja por falta de autoridade para resolver o problema, seja por falta de habilidade ou interesse – “olha, aquele trabalho precisa de aprovação de tal pessoa…”

Algumas dicas:

– Ou o mico deve ser alimentado ou deve ser tirado da frente. O pior de tudo é o mico fantasma, eternamente pendurado nas costas

– Definir claramente quais são os micos, quantos são e quem são os responsáveis

– Quem ficar com o mico deve ter autoridade e competência para resolvê-lo

– Não assumir os micos dos outros

Outros links:

https://ideiasesquecidas.com/2019/04/05/bom-lider-e-mau-lider/

https://ideiasesquecidas.com/2016/07/21/peter-drucker-em-40-frases/

O método Pomodoro

Uma dica para a quarentena: o método Pomodoro.

Nesta quarentena forçada, um dos maiores desafios é manter o foco em meio a inúmeras distrações (filhos, snacks, Twitter, e-mail, etc).

O método Pomodoro é muito simples. É inspirado num timer de cozinha, daqueles que podem vir na forma de um tomate.

Coloque o timer num tempo razoável (digamos, 25 minutos), e defina a tarefa a ser realizada neste tempo – um trabalho grande deve ser dividido em pedaços exequíveis no intervalo.

Acione o timer e foque em realizar a tarefa proposta. É proibido fazer outra coisa nos 25 minutos.

Quanto o timer zerar, faça um intervalo.

Para quem não tem um timer, há apps e cronômetro do celular.

Fiz um timer simples em Excel, se alguém preferir esta opção. Link para download: Timer.xlsb

Links:

Machine-learning-não-resolve-tudo-sua-besta

Hoje em dia, Inteligência Artificial e Machine Learning estão na moda – e realmente são métodos extremamente poderosos.

Porém, não são os únicos: estatística tradicional, classificadores lineares e pesquisa operacional da década passada resolvem muita coisa.

Além disso, o gargalo hoje são os dados. Dados ruins, bases que não falam com outras, ou simplesmente ausência de informação são comuns no mundo real. O IoT está chegando para cobrir esta lacuna, mas ainda vai demorar um tempo para baratear e popularizar (inevitavelmente vai ocorrer).

Eu diria aos startupeiros para não citar em vão o Machine learning, e sim quando realmente fizer sentido. E, quando os dados forem o gargalo, recomendar que as empresas dêem um passo para trás, a fim de coletar e estruturar a informação.

Porcaria na entrada = porcaria na saída, não há inteligência alienígena que resolva.

https://images.app.goo.gl/Hx1DrBcEVKc4hEaDA

https://ideiasesquecidas.com/2013/12/01/a-solucao-otima-para-o-problema-errado/

As aparências importam

O vídeo a seguir mostra um violinista numa estação de metrô de Nova Iorque, como tantos outros.

Alguns poucos param para ouvir as 6 peças de Bach tocadas. Algumas moedas são colocadas. Em 45 min, ele arrecadou US$ 32.

Entretanto, este é um experimento do jornal Washington Post. O violinista em questão é Joshua Bell, um aclamado músico, com um violino Stradivarius de US$ 3 milhões. Alguns dias antes, um ingresso para o seu show não saia por menos de 100 dólares.

A moldura faz parte do quadro. As aparências importam.

Ou, em bom português: As pessoas julgam um livro pela capa.

Os heróis invisíveis

Os heróis invisíveis não aparecem nas capas de revistas de negócios, nem nos jornais. Não são famosos, não ganham prêmios e nem têm milhares de seguidores em redes sociais.

Eles são os que plantam sabendo que outros irão colher. São os que evitam acidentes ou mitigam grandes riscos futuros, mesmo que ninguém fique sabendo. São os que entregam um trabalho acima da qualidade, mesmo que ninguém perceba.

Não sabemos os seus nomes. E nem precisamos saber. Porque o herói invisível se contenta com o seu excelente trabalho.

(Inspirado em conversa com o amigo Valmir Calori)

Educação e o colapso das sociedades complexas

“Estamos emprestando dinheiro que não temos para jovens que não conseguem pagar de volta e que estão sendo treinados para carreiras que não existem mais”.

Este excelente tweet resume fortemente o que vem ocorrendo no mundo moderno.

Link do vídeo citado: https://www.ted.com/talks/mike_rowe_learning_from_dirty_jobs?language=pt-br

É um efeito do aumento da complexidade da sociedade, conforme descrito anteriormente neste espaço. Um crescimento inicial é bom para todo mundo, porém o aumento da complexidade traz necessidade de novos (e mais complexos) mecanismos de controle, e assim sucessivamente, com retornos decrescentes.

https://ideiasesquecidas.com/2019/06/19/o-colapso-das-sociedades-complexas

É um ciclo em que a complexidade gera a necessidade de mais complexidade, e assim sucessivamente..

Fazer doutorado atualmente é saber profundamente sobre quase nada. Professores, com décadas estudando e lecionando, estão cada vez mais obsoletos. Perguntei para um grupo de graduandos se eles conheciam o que é S&OP (sales & operations planning) e se tinham tido aula de Python, e eles não entenderam nem a pergunta..

No mundo atual, é cada vez mais difícil (e caro) desenvolver novos medicamentos. Gastos militares exponencialmente caros, capazes de falir um país.

Seremos engolidos pela complexidade?

Trilha sonora: Led Zeppelin, Starway to Heaven

Finalistas do Edelman 2020

Forgotten Math

Parabéns aos finalistas do Prêmio Edelman 2020, promovido pela Informs!

São eles Amazon, Carnival PLC (maior empresa de cruzeiros do mundo), Deutsche Bahn (empresa de ferrovias alemã), IBM, Intel e Walmart. Só gigantes!

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