Qual a importância de termos dados e análises transparentes?
É evidente que precisamos de dados que reflitam a verdade. Porém, no meio corporativo, é muito tentador mascarar a realidade ou mostrar apenas o que o líder deseja, seja motivado por bônus, pressão por resultados ou para “mostrar serviço”. Isso é mais comum do que deveria, e há inúmeros casos de fraudes contábeis famosas, como os da Americanas e da Enron.
Sempre que essa tentação aparecer, lembre-se da história a seguir.

China, 1958-1962. O regime de Mao Tsé-Tung promove o “Grande Salto para a Frente”, um programa repleto de intenções grandiosas e tentativas de inovação. Uma delas ocorreu na agricultura, com o uso de técnicas alternativas, como a diminuição do espaçamento entre as plantas e o plantio em maior profundidade, além da mobilização de grandes contingentes de trabalhadores para projetos de infraestrutura e irrigação.
O que poderia dar errado? Ora, tudo. As novas técnicas foram prejudiciais à produtividade rural. Entretanto, a fim de agradar ao líder supremo, os burocratas chineses apresentaram números cada vez mais otimistas sobre as colheitas. Quando Mao visitava alguma localidade, era organizada uma operação para replantar campos de forma artificialmente vigorosa, apenas para demonstrar o suposto sucesso da mobilização.

Com números falsos no papel indicando produtividade exponencial, a China passou a exportar um excedente de alimentos que não existia, tirando o sustento da própria população. O resultado foi um desastre humanitário: a Grande Fome Chinesa. Estima-se que entre 15 e 45 milhões de pessoas tenham morrido devido à fome.
O Grande Salto para a Frente foi, na realidade, um Grande Salto para Trás. A realidade sempre prevalece sobre as planilhas e apresentações de PowerPoint. É melhor encarar os números corretos para a melhor tomada de decisão possível do que mascarar a realidade e perseguir ilusões.
Ação: Sempre apresente os números com total transparência, sem maquiagem.
