Museu Monteiro Lobato

Estive na cidade de Taubaté, no último fim de semana. Um dos filhos mais ilustres da cidade é o escritor Monteiro Lobato, autor do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Fui visitar o museu dedicado a Lobato, em Taubaté. Fica próximo ao centro da cidade, um quarteirão com uma casa pertencente a um tio de Monteiro Lobato. Minha expectativa era levar as minhas filhas para conectar um pouco mais com personagens clássicos de nossa cultura.

Não conheço bem os personagens do sítio, porém já ouvi falar de Emília, Visconde de Sabugosa, Cuca e outros. Na minha infância, outros personagens ganharam o share de atenção: a Disney com personagens como o Tio Patinhas, desenhos americanos como o He-Man e Thundercats, séries japonesas como o Jaspion.

Na infância de hoje, vejo as crianças cada vez mais consumindo outras mídias – Youtube, jogos de celular e comunidades que nem entendo nem consigo sequer acompanhar.

Pois bem, achei o museu dedicado a Lobato… muito mal cuidado. O terreno de 22 mil m² está repleto de mangueiras, há mangas putrefatas para todo lado.


O museu é até interessante, tem uma série de objetos da época, como um fogão à lenha, uma máquina de escrever, e uma estante cheia de exemplares dos livros de Lobato. Não tem nada muito além disso, é possível fazer a visita em 10 minutos. Na saída, há alguns atores vestidos como os personagens.

Ao longo do terreno, há algumas estátuas – tia Nastácia e Emília, Pedrinho, Rabicó, Saci, Cuca. Porém, achei horripilantes, feias demais – minhas filhas nem quiseram tirar fotos com as estátuas.

Há um playground com alguns brinquedos também – em meio às mangas putrefatas.

A entrada é gratuita. Não há loja para comprar souvenires, nem nada – no máximo, alguns ambulantes na entrada que aproveitam esse vácuo.

O que era, na minha cabeça, um passeio lúdico para aproximar a infância dos clássicos de nossa cultura, acabou sendo até repulsivo de certa forma.

Há 100 anos, quando os primeiros livros de Monteiro Lobato foram publicados, mal tínhamos livros sendo editados no Brasil. Mal existiam programas de rádio, muito menos televisão. Hoje, as mídias evoluíram, e para atingir as mentes e corações das gerações vindouras, os personagens devem estar nessas mídias.

Uma mostra disso é que as obras de Lobato entraram em domínio público em 2018, mas fora algumas publicações de livros, não vemos os seus personagens sendo explorados nessas novas mídias – nenhuma série da Netflix ou desenho no Disney+.

Enfim, pelo visto, a obra de Monteiro Lobato teve a sua glória e ficou ali, parada no tempo, envelhecendo como as mangas caídas no terreno. A cada dia que passa, estamos mais e mais distantes do legado de Lobato.

Ideias Técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

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