Fernando Collor de Melo, 1989

O momento atual do Brasil me faz lembrar o Brasil do final de 1989, logo após a eleição de Fernando Collor de Melo à Presidência da República.

 

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A semelhança é por ter sido um momento de euforia. Um candidato outsider desconhecido batia o candidato da esquerda, Lula, e havia uma enorme esperança de renovação e combate à corrupção na parte do eleitorado que tinha votado nele.

 

Eu tinha 10 anos na época, e me lembro muito bem do noticiário, jornais e revistas da época.

 


 

Eleições 1989

 

Em 1989, ocorreram as primeiras eleições diretas para presidente depois de muito tempo. O período da ditadura militar tinha acabado, o presidente era o (péssimo) José Sarney e o país estava numa hiperinflação terrível.

 

Essa eleição teve dezenas de candidatos. O maior partido da época era o PMDB, com o grande Ulisses Guimarães. O PSDB era recém-nascido, e seu candidato era o Mário Covas, também um grande político. O famigerado Paulo Maluf também era candidato. O veterano Leonel Brizola também. Outros nomes conhecidos, como Enéas Carneiro, Guilherme Afif Domingos, Fernando Gabeira. E muitos outros. Eram 22 candidatos, segundo esta fonte.

 

Até o Silvio Santos estava no páreo, mas melaram a candidatura dele no tapetão. Ele nunca mais se reaproximou da política, e seria um interessante “o que aconteceria se” ele tivesse sido candidato.

 

“Sílvio Santos já chegou”

 

Os analistas da época diziam que o Brasil não sabia se organizar para uma eleição, e tantos candidatos assim eram a prova disto.

 

 

Fernando Collor era um outsider. O seu partido era um tal de PRN, numa frente chamada “Movimento Brasil Novo” – não é de hoje que todo político quer um Brasil Novo. Ser um outsider era ótimo, porque o brasileiro estava cansado dos políticos tradicionais (pena que os outsiders da época viraram os políticos tradicionais de hoje).

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Collor era conhecido como o “Caçador de Marajás”. Tinha cortado privilégios de vários marajás de seu estado Alagoas. Prometia varrer a corrupção, e dar um tiro na inflação. Além disso era jovem (40 anos na época), atlético, boa-pinta.

 

 

O seu principal adversário era Lula, que disputava a sua primeira eleição a presidente.

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Era um candidato muito mais radical do que aquele que venceria as eleições anos depois, em 2002. Este Lula tinha feito fama junto aos sindicatos da época, organizando greves.

 

 

Ele dizia abertamente que apoiava a reforma agrária, e que não pagaria a dívida externa, por exemplo. Era o Lula “raiz”, até na aparência, mal cuidada, agressiva, sindicalista (parece o Boulos de hoje), organizador de greves puro (também muito diferente da versão ‘paz e amor’ de 2002). Isto assustava demais a classe média que temia os efeitos nefastos de um regime em direção ao socialismo / comunismo.

 

 

 

 

O segundo turno foi entre Collor e Lula, dando Collor no final das contas, 53% a 47%, resultado apertado demonstrando a força da popularidade e carisma de Lula.

 

 

No período entre a vitória de Collor e o primeiro dia de sua posse, os jornais eram só empolgação. O desgoverno Sarney já tinha acabado, não havia mais nada a oferecer de esperanças. Todos os dias, falavam de ministros que estavam sendo cogitados para as

 

pastas, especulações sobre como seria o futuro. Zélia Cardoso de Melo na Economia. Rogério Magri no Trabalho.

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Zélia Cardoso de Melo

 

 

O brasileiro contava os dias para a posse de Collor…

 

 

Infelizmente, tanta expectativa se realizou acompanhada do pior programa econômico da história da Brasil, o plano Collor. Ao invés de congelar só o salário dos políticos, como era a propaganda, ele congelou o Brasil inteiro, confiscando a poupança de quem tinha o equivalente a mais de R$ 5.000,00 de hoje.

 

 

 

Foram sonhos destruídos, anos de trabalho confiscados, empresas quebradas. Ao invés de dar um tiro na inflação, o tiro acertou o povo brasileiro. E o dragão da inflação não morreu, continuou a castigar o Brasil de forma tão intensa quanto antes. Só o plano Real deu um jeito definitivo na inflação, como ilustra este link.

 

Sabemos que o período Collor não acabou bem, nem metade dos 1753 dias do jornal da posse. O Brasil deu um jeito de impichar o Collor, por algum motivo qualquer, sendo o motivo verdadeiro os péssimos planos econômicos.

 

 

De lá para cá, são 28 anos, em que os políticos e economistas aprenderam bastante, e e eleitor também aprendeu bastante.

 

 

Não é possível prever o futuro, de 2019 em diante. Só resta desejar que o próximo presidente tenha responsabilidade para conduzir o país e faça um bom governo. Cabe a nós ajudarmos a escrever a história deste país.

 


 

Links:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_Brasil_em_1989

5 comentários sobre “Fernando Collor de Melo, 1989

  1. Anônimo

    Tem razão. tudo muito parecido, a euforia, o cara que vai revolucionar o Brasil.
    So espero que o ministro que ele escolheu, o Paulo Guedes, não seja tão desastroso quanto aquela maluca Zelia Cardoso.
    So pelos boatos da volta da CPMF quase me fez desistir de votar no Bolsonaro.
    o pior imposto de todos.

    vamos ver o que vai acontecer. Deus nos acuda!!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Rafael Ribeiro

    O passado é conhecido e nos resta agora torcer pra que tudo dê certo, embora tenha muita gente torcendo contra. Espero realmente que o presidente faça as reformas que são necessárias mesmo não sendo populistas e, que não se torne parte da corja podre de políticos que só destrói o nosso amado Brasil.

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