Novela sobre japoneses sem japoneses? E daí?

A novela “Sol Nascente”, da rede Globo, tem como tema central descendentes de japoneses no Brasil. O detalhe é que não tem ator principal de ascendência japonesa no elenco…
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A bela Giovanna Antonelli interpreta uma japonesa, pelo que entendi.
Qual a minha opinião sobre este fato, como sansei (descendente de terceira geração de japoneses)?
Minha opinião: E daí? Tanto faz. Dane-se. Não é preconceito, racismo, nada. É uma decisão puramente econômica, baseada na estratégia de líder do setor.
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Esse velhinho ao lado da Giovanna também é japonês, na novela. Talvez o cara segurando a haste também seja.

 


A estratégia da Globo
A Rede Globo é uma empresa privada, que toma decisões baseada em suas décadas de experiência no setor audiovisual. Ela tem os seus paradigmas. Um deles é que Globo arrisca pouco.

A Globo prefere que os atores ou novos formatos de programa despontem em canais menores. Somente se, e quando, der certo é que Globo vai lá e contrata o ator ou o programa. Digamos, Caldeirão do Huck é um caso desses: Luciano Huck fez muito sucesso na Bandeirantes, antes de mudar para a Globo. Outro caso: Angélica, esposa do Huck, ficou muitos anos na extinta TV Manchete antes de ir para a Globo.

Outro paradigma é de que toda novela de ponta da Globo precisa ter astros famosos nos papeis principais. Os astros de ponta alavancam a audiência, mesmo se o enredo for uma porcaria. No caso da novela Sol Nascente, não encontraram astros de ponta nipônicos e não apostaram num desconhecido.
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A Daniele Suzuki não serviu para o papel principal
A Globo é como um gigante forte, porém lento e inflexível: arrisca pouco, tende a agradar a maioria e quer manter o monopólio.
As estratégia de “líder” do setor incluir comprar a transmissão do tênis para não passar na Tv aberta. Ou colocar o futebol às 22h para esperar a novela acabar. Ou ter contratos com atores famosos, mas não usá-los – deixá-los na geladeira.
Durante anos, tais estratégias funcionaram. E agora?

O resultado será puramente econômico
Se a estratégia da Globo é puramente econômica, o resultado também o será.
Quem se sentiu ofendido com os atos acima, simplesmente não assista. Não haverá sentimento em deixar a Globo para assistir outro canal.
O mundo está mudando. Dois dos principais concorrentes da Globo não são a Record e o SBT, mas sim o YouTube e a Netflix.
Uma série na Netflix pode ser algo extremamente bem feito, sobre um tema específico para um nicho específico. Não precisa ser um arrasa-quarteirão para agradar a maioria do público.
Centenas de canais no YouTube não têm a mesma qualidade da Globo, porém exploram a “cauda longa” de milhares de assuntos possiveis, sendo produzidos por pessoas comuns, contando com atores não globais.
O monopólio do Golias gigante Globo está sendo quebrado por milhares de ágeis Davis.

A estratégia da Globo está correta?
Não é a choradeira, discursos de discriminação ou similares que vão dizer se a Globo está correta ou não. Será o Tempo e o Mercado.

 

 

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