4 décadas de um engenheiro

Tive a honra de conhecer o grande professor Kokei Uehara há uns 10 anos. Na época ele era o presidente da Associação Cultural Brasil Japão de São Paulo, e eu era alguém que estava meio perdido sobre rumos a tomar.
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Uehara foi professor de hidráulica da USP por várias décadas, e é conhecido como o “domador de rios”. Exerceu vários cargos de liderança na faculdade e fora dela.
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Uma das histórias que ele me contou foi sobre as quatro décadas de engenheiro.

Primeira década: Técnico
Nos primeiros 10 anos depois de formado, o engenheiro procura dominar a parte técnica: conhecer o seu trabalho, evoluir no que sabe fazer, executar muito bem o que lhe é dito para fazer. Entender como são as regras num ambiente de trabalho, conhecer o limite do que pode fazer ou não.

Administrador
Na segunda década do engenheiro, ele já domina a técnica e dá um passo maior: como administrar pessoas e processos. Se antes diziam para ele fazer alguma coisa, agora ele é que diz a alguns outros o que fazer. Agora ele tem mais responsabilidades, uma visão mais ampla dos assuntos. Expande os limites do que é possível fazer.

Economista
Na terceira década, o engenheiro já conhece bem o que faz e como fazer. E ele passa a se interessar em saber como o mundo funciona, num nível mais estratégico. Quais as implicações do que faço no mundo, e como o mundo implica no que faço. Por que algumas ideias funcionam e outras, não? Como posso contribuir para o todo?

Filósofo
Na quarta década de engenheiro, ele passa a se questionar. Por que estou fazendo isto? Qual o sentido de todos esses anos de trabalho? O que é realmente útil, e o que não é? O que eu faria diferente nas últimas décadas em trabalhei?

Acredito que este panorama seja válido não apenas para engenheiros, mas qualquer bom profissional. Em algum momento eles começam a jornada. Tentam dominar o que fazem. Depois, ensinar e liderar outros. Tentam entender o mundo ao redor, e refletem se o que fizeram valeu a pena. Tentam saber o por quê disto tudo. Como posso ser feliz, mesmo sem entender o mundo?
Sinto que ainda não compreendo totalmente a mensagem que ele quis transmitir. Mas sinto que as quatro décadas de um profissional fazem muito sentido.

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