Senso comum

Numa cidade, havia um grande relógio, que servia como referência para todos. Uma vez, perguntaram para o administrador do relógio como ele acertava as horas. Ele respondeu que, todos os dias, passava em frente a uma relojoaria tradicional da cidade, e conferia as horas dos relógios da loja com o relógio da cidade.
 

Depois perguntaram para o dono da relojoaria como ele fazia para acertar os relógios. A resposta: “Olho para o relógio da cidade, e depois acerto os relógios da loja”*

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É uma história simples, mas ilustra bem a dificuldade de se ter medidas absolutas.
 

Quase a totalidade do nosso conhecimento também é assim: nos apoiamos em uma série de “verdades” que nos foram passadas por alguém (senso comum), ou apresentadas na escola (ciência). É impossível checarmos com os nossos próprios olhos todas estas verdades, então assumimos que, quanto mais pessoas afirmarem a mesma coisa, ou quanto mais científico for o conhecimento, melhor. E, ao nos convencermos de que é verdade, geramos mais um loop de feedback que confirma esta verdade.
 

Se estamos vivos até hoje, é porque o senso comum funciona na grande maioria das vezes. Mas, as vezes ir contra o senso comum pode ser uma boa fonte de inovação.
 

O prof. de economia Timothy Taylor cita a úlcera como exemplo. Por séculos, achava-se que úlceras estomacais eram causadas por stress ou por alguns tipos de comida ou bebida. Porém, cientistas descobriram que a causa mais comum de úlceras é uma bactéria, que pode ser tratada com antibióticos! Esta descoberta rendeu aos cientistas um prêmio Nobel de Medicina. Ainda há muita polêmica sobre o tema, mas não deixa de ser uma abordagem completamente nova a um problema secular.

 
http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2005/10/03/ult34u137002.jhtm

 

Numa empresa há uma série de paradigmas que alguém arbitra, e ninguém contesta (número de dias de estoque de produtos, nível de serviço ideal, etc). Sabe o que acontece quando alguém contesta a autoridade e estabelece um novo padrão mais coerente? Esta pessoa passa a ser também uma “autoridade”.
 

Portanto, não é errado questionar o senso comum, e pode-se chegar a uma quantidade grande de bons resultados com isto.
 

Arnaldo Gunzi
Jul 2015
 

*Fonte da história: A medida do mundo, Robert Crease

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