A Lei de Moore e o futuro da Apple

Moore

Gordon Moore foi um dos fundadores da Intel, e um dos precursores da revolução digital das últimas décadas. Nos anos 70 predisse uma lei, que se mostra aderente à  realidade até hoje.

Computadores são feitos de microchips, que são transistores e outros componentes eletrônicos empacotados. Moore percebeu que a tecnologia de miniaturizar e integrar esses componentes ficava cada vez melhor e conjecturou que o poder computacional dobraria a cada 18 meses, para o mesmo custo. Observe que esta função é exponencial, implicando que os computadores depois de alguns anos seriam várias ordens de grandeza melhores que as versões antigas.

A Lei de Moore passou a ser ao mesmo tempo uma meta a ser atingida. Não só da Intel, mas da indústria em geral. Esta lei predisse com notável  acuracidade o poder dos computadores vindouros. Hoje em dia, um smartphone que cabe no seu bolso tem poder computacional maior do que os melhores computadores de décadas atrás, que ocupavam o tamanho de um prédio inteiro.

Anos 2000. A Apple lança o iPhone, revolucionando o mercado de telefonia. No final da década, lança o iPad, praticamente iniciando o mercado de tablets. O seu modelo é vertical, no sentido de controlar software e hardware. A Apple é seguida por dezenas de competidores. Competidores de hardware, sendo a mais notável a Samsung. E seguidores de software, sendo o mais notável o Android do Google. Estes num modelo horizontal.

Quem vai vencer esta guerra, e o que a Lei de Moore tem haver com isso?

Os iPhones originais foram cuidadosamente desenhados para obter o máximo de poder como mínimo de hardware. Por exemplo, o Flash player foi tirado do IOS por causa da sua enorme necessidade de computação. O iPad 1 não tinha câmera. O que importava era a experiência dos usuário. E a Apple entregou esta experiência  de forma fantástica. E só a Apple conseguia fazer isto, por dominar hardware e software. Antes do iPhone, tinha-se gadgets que prometiam tudo (câmera, vídeo, Internet), mas não entregavam nada direito (ou a bateria não durava, ou o software dava pau, ou não dava para entender como usar).

Mas, pela Lei de Moore, os computadores evoluem de forma que o hardware passa a aguentar um software mal otimizado. A inovação vira lugar comum em poucos anos. O Samsung + Android passa a rodar tão bem (ou melhor) quanto o Apple, com a vantagem do modelo horizontal e de custo menor. O modelo horizontal permite que dezenas de outros fabricantes de hardware possam usar o Android, centenas de milhares de desenvolvedores possam ajudar a evoluir o Android – contra um fabricante e arquitetura fechada do IOS. E a Apple passou a apelar para o caminho jurídico, de processar rivais por copiar ideias.

A mesma história ocorreu na década de 80. O personal computer era novidade. Dezenas de fabricantes, vários padrões. E a Apple surge, com um Steve Jobs abrindo caminho: interface visual, mouse, o usuário só precisa clicar, software que não dá pau. E surge o seguidor, a Microsoft, que copia um monte de coisas: a interface visual, o mouse + cliques. Mas o Windows rodava em qualquer computador de qualquer fabricante, e era muito mais barato. O Windows dava pau, era uma merda, mas todo mundo usava, era fácil de piratear, e com o tempo (e a Lei de Moore a seu favor) evoluiu muito. Depois de alguns anos, a Apple passa a processar a Microsoft (infrutiferamente).

Somente inovação contínua e disruptiva sustenta um modelo vertical como o da Apple (batalha jurídica não). Ser sempre o primeiro, o melhor. Mas, sem um gênio comandando o barco, não se sabe se isto se sustentará.

Outro caminho é o mercado de nicho. Focar somente em quem pode pagar por uma experiência do usuário melhor, num ecossistema mais protegido. Se eu tivesse ações da Apple, as manteria em carteira por mais alguns anos (pois estão colhendo frutos das inovações da última década, lucros enormes), mas sem comprar mais. Provavelmente, as venderia num futuro próximo.
Vejamos cenas do próximo capítulo.

2 comentários sobre “A Lei de Moore e o futuro da Apple

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