Formigas limpando o visor

Ultimo post da série.

O ferro de passar de uma empresa tinha um problema no mostrador de temperatura. Com a introdução do ferro a vapor, o vapor embaçava o visor. E ninguém estava conseguindo achar uma solução.

Shigeo Shingo imaginou algo andando na parte de dentro do visor, limpando o mesmo do vapor. E veio com a ideia de colocar álcool dentro do visor. Sendo muito volátil, o álcool evaporaria com o aumento da temperatura e limparia o visor. Solução simples e genial!

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Economizar energia

Um dos itens que Shingo sempre notava era a ergonomia.

Fazer com que o operador fique próximo dos itens que mais utiliza, em posição confortável.

E, se possível, que eles trabalhassem sentados. Trabalhar de pé faz com que o gasto de energia da pessoa aumente. Energia esta que poderia ser utilizada em outras coisas. No mínimo, ele vai chegar um pouco menos cansado em casa, e poder brincar mais com seus filhos.

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Bolinhas de gude melhoram o processo

Numa fábrica, havia um arame que era desenrolado como parte do processo.

O problema é que o arame às vezes travava no recipiente, e o operador tinha que dar uma batidinha para destravar. Shingo imaginou as mãos do operador dando uma batida, e pensou num jeito. Eles colocaram bolinhas de gude no recipiente. Assim, o próprio desenrolar do fio causa um atrito das bolinhas, a “batidinha” que evitava o travamento dos fios.

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Fábrica de sabão e melhorias

Numa fábrica de sabão, o processo consistia em derramar o sabão numa forma enorme, no chão.

Shingo propôs uma solução diferente. Ao invés de um único recipiente, utilizar vários recipientes em cascata. Desta forma, o processo de secagem do sabão diminui, além de ser muito mais simples e seguro manipular.

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Por que não criar ferramentas?

Numa fábrica, o operário precisava de um martelo e um alicate. Ele dava a martelada, depois deixava o martelo de lado e usava o alicate.

Por que não unir as duas coisas, num martelo-alicate? Poupa tempo e evita problemas na hora de trocar as ferramentas.

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A outra ferramenta de exemplo é alicate com um gancho. A ideia central aqui é que as ferramentas podem se adaptar ao que o operador necessita.

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Eng industrial e ferros de passar

Outra solução brilhante de Shingo ocorreu numa fábrica de ferros de passar.

Os ferros eram moldados e fundidos num formato de árvore. Um funcionário experiente dava uma marretada na base da árvore para separar o ferro do molde.

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Shingo percebeu que a marretada era num determinado ângulo. E projetou um sistema automático, onde a árvore é levado a uma certa altura (simulando a força da marretada) e guiada para cair no ângulo de quebra do molde.

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Desta forma, ele poupou milhares de horas de trabalho pesado dos operários da fábrica.

Eng industrial em uma fábrica de salsichas

Este e o próximo post são em homenagem a Shigeo Shingo, um dos maiores consultores do mundo em sua época.
Shingo ajudou a fundamentar e criar o modelo Toyota de produção.

Numa fábrica de salsichas, havia um processo manual de pegar as mesmas e colocar numa calha para embalagem.

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Shingo idealizou uma calha giratória para colocar as salsichas nas diferentes calhas, e assim eliminar trabalho manual.

Mas deu errado! Algumas vezes, a salsicha caia transversalmente às calhas, e rolava por cima da parede delas. A figura mostra o desenho desta situação.

Shingo visualizou as mãos dos funcionários resolvendo a situação. E chegou numa solução simples e brilhante. Colocou cordas sobre as calhas. As cordas movem-se em direções alternadas. Uma para frente, outra para trás. Assim, quando a salsicha cair sobre as calhas, ela vai girar e cair no lugar certo.

Análise de Feedback

Todas as pessoas deste mundo são diferentes, e cada um tem pontos onde têm naturalmente facilidade, e outros em que têm dificuldade. Alguém pode ser muito bom em se comunicar com outras por escrito, mas não verbalmente. Alguns podem ser excelentes em trabalhos metódicos, enquanto outros preferem processos caóticos.

No mundo atual, o acesso à informação aumentou exponencialmente, e exponencialmente também aumentou a quantidade de bullshit que chega a nós. Por exemplo, tem algumas revistas de negócio que vivem listando características ideais para o líder: ele tem que ser visionário, forte, carismático, sensível, transparente, amigo, eficiente, trabalhar muito, dedicado, rápido e firme nas decisões, ao mesmo tempo flexível quando perceber que o cenário mudou, etc… A lista é infinita. Mas a realidade é que ninguém consegue atingir todas as características ao mesmo tempo. Não existe super-homem. E, ao invés de tentar desenvolver características que você não tem, é melhor saber quais as características que você tem.

As pessoas não se conhecem. Não sabem onde elas desempenham bem e onde não desempenham. Muitas vezes, só há um meio de conhecer: tentando fazer, praticando.

A “Análise de Feedback” é uma das ferramentas apresentadas por Peter Drucker para o fim de administrar a si mesmo, com o fim de se conhecer, na prática.

Como todas as ferramentas de Drucker, é uma ferramenta que reside no universo das ideias. Não necessita de algum tipo especial de software ou hardware. Necessita apenas de lápis e papel:

– Escreva quais são os resultados esperados para suas principais decisões e ações para os próximos 12 meses
– 12 meses depois, compare os resultados atingidos com a anotação dos resultados esperados

A análise de feedback é a forma de se identificar os seus pontos fortes. Pode-se ter muitas ideias e aspirações, mas você só vai ser consistentemente bem-sucedido em algumas dessas aspirações. E, assim, pode-se verificar na prática quais são seus pontos fortes e quais são apenas ideias vagas.

Deve-se colocar força onde os pontos fortes podem produzir os melhores resultados
Trabalhe para melhorar suas Forças e remediar os maus hábitos
Saiba onde não colocar forças – evitar áreas de incompetência

 

Correlacionando com outras ideias de outros pensadores.

Sun Tzu: “Aquele que conhece a si mesmo e ao inimigo, vencerá todas as batalhas. Aquele que conhece a si mesmo, mas não ao inimigo, perderá uma batalha para cada batalha que vencer. Aquele que não conhece a si mesmo nem ao inimigo, perderá todas as batalhas”

Bastter: No pôquer, a regra principal é dobrar a mão forte e abandonar a mão podre

 

 

Gerenciar o seu Gestor

 

Uma das ideias centrais de Peter F. Drucker é a de que o trabalho deve ser eficaz. E para isto, surgem várias ações a serem feitas: gerenciar o tempo, perguntar-se qual o correto a ser feito, etc. Mas há um item que é na contramão do senso comum. Para tornar o trabalho eficaz, também é necessário gerenciar o seu chefe, o seu gestor.

Gerenciar o seu gestor? Mas não é o gestor que deve te gerenciar?
Poucas pessoas são tão importantes para o seu sucesso do que o gestor. E, numa empresa, todos tem gestores a prestar contas.
Na verdade, o gestor é um ser humano como qualquer outro. Tem limites de Tempo, de conhecimento, etc. E você, ao invés de simplesmente se limitar a seguir o que é pedido, tem o dever de sugerir, questionar, contribuir para o trabalho deste. Não é orientar ou ensinar, mas contribuir para a eficácia deste (e, consequentemente, de si mesmo).

Algumas recomendações

– Perguntar, uma vez ao ano: “O que eu e o meu pessoal fazemos, que o ajuda a realizar o seu trabalho? E o que atrapalha?
– O que mais poderia ser feito
– Quais são os pontos forte e os pontos fraco do gestor? O que posso fazer para contribuir nos pontos forte e proteger nos pontos fracos?
– Mantenha-o ciente de seus objetivos, metas, prioridades.
– Não o exponha a surpresas. Envie notas, relatórios, mas alertando-o para não haver surpresas.
– Não o subestime. Ele pode ter pontos fracos, mas não é bom subestima-lo por estes.

 

Mentor

A palavra “Mentor”, significando aquele que orienta outra pessoa, é uma palavra muito interessante.

Esta palavra veio da Odisseia de Homero. Há várias lições e histórias que podem ser aprendidas nas histórias fascinantes da antiguidade grega.

A Ilíada e a Odisseia são dois trabalhos monumentais atribuídos a Homero. A data em que foi escrita é incerta, alguns dizem que foi há 3 mil anos. A Ilíada conta a história da Guerra de Troia, enquanto a Odisseia conta os longo percurso que Ulisses (ou Odisseu) teve que percorrer para voltar para casa.

A Grécia da época era formada por dezenas de cidades-estado. Exemplificando, era como se cada cidade brasileira fosse um país. Devido à dificuldade de comunicação e coordenação entre as pessoas há 3 mil anos, o governo de cada país-cidade desses era independente, sendo que eles só se uniam culturalmente e em caso de guerra.

Ulisses era o rei de uma dessas cidades estado, e foi convocado para a Guerra de Troia por alianças que ele mesmo forjara anos antes.

No dia em que Ulisses teve de partir, era ao mesmo tempo o dia mais feliz e mais triste de sua vida. Mais feliz porque foi o dia em que nasceu o seu filho, Telêmaco, e o mais triste porque ele teve que partir para a guerra.

Telêmaco (há uma cidade no Paraná chamada Telêmaco Borba, mas o Telêmaco da Odisseia foi o primeiro da história), teve como tutor e conselheiro um homem sábio chamado Mentor.

A Guerra de Troia durou longos 10 anos. O método utilizado foi o cerco à cidade de Troia e suas muralhas impenetráveis, que só caíram devido ao famoso Cavalo de Troia, plano elaborado por Ulisses.

Já a volta para a casa de Ulisses foi repleta de contratempos, tendo encarado o Cíclope, a feiticeira Circe, as sereias, a deusa Calipso, etc. O fato é que durou mais 10 anos para voltar. Telêmaco já tinha 20 anos de idade.

Durante esses 20 anos, ninguém sabia se Ulisses estava vivo ou morto. Todos os outros combatentes de Troia tinham voltado para os seus reinos em alguns meses. Telêmaco e sua mãe, desesperados, não sabiam o que fazer.

Nisto entra Mentor. Em diversos trechos da Odisseia, a deusa Atena encarna na figura de Mentor e dá conselhos sábios e importantíssimos para que Telêmaco e sua mãe tivessem esperança no retorno de Ulisses.

Pelas características de sabedoria e orientação a um jovem, a palavra Mentor virou o que é hoje.