Solução do Desafio do Penrose Institute

Atualizado com a resposta oficial.

Forgotten Lore

Neste post, foi apresentado o interessante Desafio do Instituto Penrose. Interessante porque os melhores supercomputadores não conseguem resolver, mas é mais ou menos simples para um ser humano.

https://ideiasesquecidas.com/2017/03/30/desafio-do-penrose-institute/

instituteoff Brancas jogam e empatam ou vencem

A chave é perceber que as peças Pretas estão travadas. As únicas peças que se movem são os bispos pretos, que não ameaçam o Rei Branco enquanto o mesmo estiver numa casa branca.

Portanto, basta o Rei Branco ficar andando aleatoriamente pelas casas brancas. Nunca será ameaçado. Após enfadonhos 50 movimentos de cada lado, o jogo será considerado empatado pela regra abaixo.

Regra dos cinquenta movimentos: é considerado empate se não há captura ou movimento de peão nos últimos 50 movimentos de cada jogador.

Podem existir outras respostas, afinal, a imaginação humana é inigualável!

Alguma outra solução?

Solução alternativa. A solução do petista.

Discutir com petista é como jogar xadrez com pombo. Ele…

Ver o post original 68 mais palavras

Mentor, mentoring, mentorship

As palavras relacionadas a “mentor” estão na moda atualmente.

O primeiro mentor da história data de mais de 3 mil anos atrás. O nome dele era Mentor. Era o professor de Telêmaco. Telêmaco era o filho de Ulisses (ou Odisseu), o herói grego da Guerra de Troia e da Odisseia.

telemachus-and-mentor.jpg
Fonte: https://emptysqua.re/blog/mentoring/telemachus-and-mentor.jpg

Ulisses partiu para a guerra, retornando 20 anos depois. Enquanto isso, na angústia da espera pelo retorno de Ulisses, Telêmaco recorria a Mentor para aconselhá-lo.

 

Na mitologia grega, a sabedoria não era algo do ser humano, ela vinha dos deuses. E a deusa da sabedoria era Atena.

34376510-parliament-in-vienna-austria-seat-of-government-statue-of-pallas-athena-goddess-of-weiheit--Stock-Photo.jpg

 

Quando necessário, Atena encarnava em Mentor, para colocar as palavras de sabedoria em sua boca, e assim orientar Telêmaco corretamente.

Portanto, faz 3 mil anos que precisamos de um Mentor para que a sabedoria divina chegue a nós.

​ A resposta correta no fim do livro

Do primeiro dia do pré primário até o último dia da pós-graduação, tive um único modelo de ensino: há uma resposta errada (a minha) e há uma resposta correta, aquela no fim do livro.
 

O professor está sempre correto, e a resposta do fim do livro é sempre perfeita. Se a minha resposta for diferente, tenho que rever os cálculos até chegar na mesma resposta.

 

Mesmo se a resposta for igual, mas a minha técnica for diferente, tenho que aprender a chegar ao final pelo mesmo caminho.

 

Mas, e se resposta correta do fim do livro estiver errada?

 

O mundo muda. As hipóteses mudam. As regras mudam. O futuro será diferente do passado. 99% dos pensadores que escreveram as respostas corretas dos livros já estão mortos.
 
O mundo dos livros é o das regras explícitas. No mundo real, as regras são implícitas – não estão escritas em livro algum, devem ser descobertas. Para cada regra explícita há 1000 regras implícitas.
 
Todo o conhecimento contido nos livros está no passado. Já era. Já funcionou e não vai funcionar de novo. O próximo Google não virá de um sistema de busca melhor. A próxima Amy Whinehouse não terá o mesmo estilo musical. O próximo Einstein não descobrirá a Teoria da Relatividade (e nem o paradoxo do pretérito imperfeito complexo com a Teoria da Relatividade, rs!).

 

O desbravador deve explorar o mundo até o limite do mapa. A seguir, jogá-lo fora e partir por um caminho nunca d’antes trilhado, o seu caminho.

 

Em uma frase: Encontre a resposta certa que não está no fim do livro.

 

Inovadores são os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.
Steve Jobs.

 

 
Navegadores antigos – Fernando Pessoa
 

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

“Navegar é preciso;  viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário;  o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

O ladrão de ideias

Propriedade privada

Vi num livro que o filósofo inglês John Locke (1632-1704) foi o criador do conceito de propriedade privada. Antes dele, o dono das terras era o rei. Mas por que o rei era o dono de tudo? Não era por acaso. O rei era o representante de Deus na Terra. Deus era o dono das terras, e o rei era meio que o “administrador”.

Tudo mudou com John Locke. Ele fundamentou a ideia de que a propriedade da terra poderia ser de um ser humano comum, com a teoria do valor e propriedade. “A posse de produtos e propriedades é justificada pelo trabalho exercido para produzir tais produtos benéficos à sociedade”.

E o Rei? O Rei deveria garantir a propriedade privada do indivíduo, em troca dos impostos e obrigações do cidadão. Garantir segurança jurídica neste contrato social entre o Estado e Indivíduo.

Legal, não? Mas será que Locke teve esta ideia sozinho? Ele estava sentado, e a ideia surgiu do nada em sua cabeça?

Não. Nunca é assim.

Por experiência própria, as ideias não surgem na cabeça de uma pessoa. As ideias estão no ar, uma parte na mente de uma pessoa, outra parte na mente de outra, outra parte em livros antigos, etc… E, muitas vezes, a pessoa que consegue colocar a ideia no papel leva os créditos, mas é somente um “ladrão de ideias”. Locke deve ter conversado com diversas pessoas para chegar à esta teoria. Entretanto, o crédito ficou com ele, porque a história não consegue registrar todas as pessoas que participaram da construção da ideia.


Um autêntico ladrão de ideias

Eu mesmo já levei muitos créditos por ideias que não eram minhas, sou um autêntico ladrão de ideias.

Por exemplo, teve um colega que tinha a percepção de que o estoque de material tinha baixado demais, e que a empresa tinha corrido um grande risco com isto. Simplesmente testei a percepção dele com histórico real e fiz algumas projeções numéricas de cenários, para concluir que realmente ele estava certo. Apresentamos o trabalho, que foi bem elogiado. Este colega sozinho não conseguiria fazer este estudo, por ele não dominar a técnica suficiente para colocar o trabalho no papel, mas sem ele, este estudo nem começaria.


Catalisador de ideias?

Talvez um “catalisador de ideias” seja um termo mais polido. Catalisador, das aulas de química, é um elemento que ajuda numa reação química, porém não toma parte dele.

Um exemplo famoso é o da camada de ozônio da atmosfera, que nos protege dos raios ultravioleta.

Duas moléculas de ozônio (O3) se decompõe em 3 de oxigênio (O2):

2 O3 3 O2

Mas se é isso, por que proibiram produtos com clorofluorocarbono nos anos 90?

Porque o cloro atua como um catalisador. Ele facilita a decomposição do ozônio em oxigênio:

Cl + O3 → ClO + O2
ClO + O3 → Cl + 2 O2

O cloro entra, ajuda a transformar o ozônio em oxigênio e sai da mesma forma que entrou, ou seja, pode ser reaproveitado para ajudar em milhões de reações deste tipo.

Um corretor de imóveis é um catalisador. A equação final é: vendedor vende e o comprador compra. Mas, é mais fácil o vendedor contatar um corretor, o comprador contatar um corretor, e o corretor fazer o link. Atualmente, com sites eletrônicos, só mudou a figura do corretor: ao invés de um ser humano, é um site.

Um mediador de conflitos é um catalisador. Um caso famoso é o de William Ury, que intermediou a briga entre Abílio Diniz e o grupo Casino pelo controle da empresa Pão de Açúcar.

Mas “catalisador de ideias” não é um bom termo. Porque um catalisador não faz nada. É fraco. Já “ladrão de ideias” é mais forte. Um ladrão tem que ter uma técnica, fazer um trabalho e ter uma intenção de chegar em algum lugar. Não tem que pedir, tem que roubar mesmo.


Da propriedade

Imagino John Locke, andando no mercado, e ouvindo o feirante: “Moro na minha casa há 20 anos, e o Rei me despejou para construir uma estrada. Desmatei, fiz a terraplanagem do terreno, construí tudo, e saí de mãos vazias. Por que a minha terra não é minha?”.

Agora, discutindo com algum colega especialista em direito: “Mas se a propriedade é do cara, ele é uma espécie de rei daquele pedaço de terra. E se ele for o rei daquele pedaço de terra, por qual motivo teria alguma lealdade ao Estado, ao rei de verdade?”

Agora, lendo obras como o Leviatã de Thomas Hobbes: a vida do ser humano é brutal, curta, miserável, e que necessitamos de garantias de que os contratos feitos, assim como os direitos, sejam garantidos. Para isto, cedemos parte de nossos direitos ao Estado.

Por fim, imagino Locke redigindo sua própria teoria, juntando elementos cá e lá de forma coerente, colocando no papel ideias que estão no ar, e construindo uma obra que viria a ser referência para muitos outros ladrões de ideias!

Nota: Jean Jacques Rousseau não foi citado porque ele é posterior à Locke, ou seja, ele roubou algumas das ideias descritas para desenvolver seu conceito de Contrato Social.

“Bons artistas copiam, grandes artistas roubam” – Pablo Picasso

Les_Demoiselles_d'Avignon.jpg


Links

https://en.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_oz%C3%B4nio-oxig%C3%AAnio
https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes

Abílio Diniz x Casino
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/06/william-ury-quando-nos-influenciamos-fica-facil-influenciar-os-outros.html

O novo homem voador

Um homem passou a vida inteira preso a correntes. Não correntes de ferro prendendo o corpo, mas correntes de ar, prendendo a mente. Eram correntes tênues, finas, que permitiam que ele fosse para qualquer lugar, mas de vez em quando elas se tensionavam, impedindo que ele fizesse seus desejos. Era como um cão preso a uma coleira, ele poderia andar livremente dentro de um círculo, mas as amarras o impedem de ir além do bem e do mau.  

Na verdade, não era apenas uma corrente. Eram diversas, prendendo-o de várias direções, limitando a sua liberdade sob vários aspectos, travando a sua mente, amarrando a sua liberdade.
Este homem tinha um plano. Libertar-se de todas as correntes, e se tornar um Novo Homem.
Não era fácil quebrar essas amarras. Se fossem feitas de um material físico seria muito mais simples: algumas marretadas, e pronto. Porém, correntes mentais necessitam de outro tipo de marreta, uma marreta metafísica.
O homem foi se libertando das correntes, uma a uma, ao longo de vários anos. Quando, finalmente conseguiu se libertar de todas as amarras, ele descobriu-se tão leve que podia voar!
Agora, ele era o Novo Homem Voador. Do alto, ele via todas as outras pessoas. Ele descobriu uma verdade terrível: Todas as pessoas deste mundo estão presas a correntes! Homens, mulheres, jovens, velhos, feios e bonitos, todos estão atados.
O Novo Homem Voador viu um homem com correntes vermelhas, grossas, vociferando palavras fortes contra o capital. Mas ele viu também outro homem, com correntes azuis, respondendo ao de vermelho. Ele viu uma pessoa com amarras feitas de terços, falando sobre deuses, anjos e paraíso. Outra falando de Alá, Talmud, Alcorão. Pessoas atadas a outras pessoas, com obrigações familiares e religiosas. Pessoas atadas a corporações, perseguindo lucro, EBITDA, e fugindo de punições financeiras. Pessoas atadas ao nacionalismo, orgulhosas pelo fato de ter nascido em algum país específico. Correntes morais dos mais diversos tipos, algumas mais flexíveis, outras extremamente rígidas: bem e mau, certo e errado, valores e transvaloração dos valores.

 

Desde o nascimento, as correntes são atadas às mentes dos pobres bebês, normalmente as mesmas correntes à que os pais estão presos. Os bebês vão crescendo. Na adolescência e na idade adulta conseguem se libertar de algumas dessas correntes, mas somente para se prender a outras correntes, oferecidas por outras pessoas. Não há pessoas totalmente livres. 
O Novo Homem Voador percebeu que, embora as correntes o prendessem, também davam uma certa segurança. Pensou, do alto de seu voo: “Para onde vou, uma vez que sou totalmente livre? E agora? E agora…?”
A resposta encontrada: “Agora que não tenho correntes, ninguém pode me dar esta resposta. Somente eu mesmo posso saber”. E pôs-se a voar. 

 

​ O velhinho ranzinza

Moro no mesmo prédio há 20 anos, e há 20 anos vejo o velhinho ranzinza, esbravejando com os porteiros, no vai-e-vem do cotidiano.

 

Ele hoje tem uns 85 anos. Há 20 anos, devia ter 65. Tem um tipo físico de descendente de alemão. Alto, cabelos brancos, usa óculos, tem um queixo quadrado, cabelos espetados. Parece alguém fechado, e com cara de bravo.
 
Sempre o via na portaria, reclamando de algo, cutucando os porteiros e o zelador. Uma mancha na parede. Um buraco na garagem. Uma necessidade de reforma no playground.
 
Sempre fiquei muito tempo trabalhando ou estudando, portanto esbarrava com o velhinho pelos corredores somente uma vez por mês. Só um “olá”.
 
Esses esporádicos encontros eram como peças de um quebra-cabeça liberadas mensalmente.
 
Ao poucos, fui percebendo. O velhinho mora sozinho. Nunca o vi com companhia alguma. Esposa? Nunca vi. Filhos? Não. Algum dia um parente veio visitá-lo? Se houve, nunca vi, baseado nesses “olás” esporádicos.
 
Com o passar dos anos, ele foi ficando mais velhinho, um pouco menos bravo, e passava mais tempo reclamando com os porteiros.
 
Nos últimos anos, ele claramente está com dificuldades motoras. Talvez por isso, ele faz uma atividade física na academia aqui perto, de manhã, mesmo nos dias mais frios. 
Também nesses últimos anos, ele tem ficado cada vez mais tempo na portaria, reclamando de algo a ser feito, espetando os porteiros. Talvez ele ache que esta é uma forma dele agregar valor a esta micro-comunidade de vizinhos.

 

Não sei no que ele trabalhava, se algum dia foi casado, se teve ou não filhos, irmãos, amigos. Mas, no fundo, é apenas uma pessoa solitária, que gosta de uma companhia, mesmo que seja ficar brigando com os porteiros, discutindo com o zelador, pegando no pé das faxineiras.

 

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer, ele mesmo um velhinho extremamente ranzinza e solitário, fez uma analogia entre seres humanos e porcos-espinhos.

 

Arthur-Schopenhauer-1855.jpg
Se os porcos-espinhos ficam perto demais, os espinhos espetam o outro, e dói. Então eles se afastam.

 

Se os porcos-espinhos estão muito longe um do outro, sentem frio. Quando estão com muito frio, querem se aproximar. E ficam assim, neste eterno vai-e-vem, vem-e-vai, de ficar entre o espinho e o frio.

 

Dollarphotoclub_27338312.jpg

 

Talvez, no dia em que o velhinho passar dessa para melhor, quem sabe ele deixe seu apartamento de herança para o zelador, os porteiros, e as faxineiras, por serem suas únicas companhias dos últimos 20 e tantos anos.

​O economista que sabia javanês

Castelo encontrou um amigo, num dos bares do Rio de Janeiro. Estava de férias, de volta ao Brasil após um ano no exterior. Estava numa bela situação financeira e não media esforços para ostentá-la: roupas, sapato, relógio da melhor qualidade.

Após algumas cervejas e muito papo furado, o amigo perguntou como ele tinha conseguido chegar onde chegou.

Castelo, todo cheio de si, contou a sua história.

Ele vivia em estado de eterna penúria, fugindo de pensão em pensão, até que um golpe de sorte mudou a sua vida. Num congresso de economia, de última hora um palestrante faltou. Um conhecido dele sabia que ele era um bom contador de histórias, e o chamou para cobrir a vaga. “Nem sei muita coisa de economia, mas vamos lá, pensou”. Deu uma lida na definição de economia e dormiu em cima do livro.

Chegando no palco, ele começou a descrever exatamente a definição que ele tinha decorado. Cinco minutos depois, já não tinha o que falar, e começou a se desesperar. Daí, começou a inventar coisas. Falou que era um profundo conhecedor da experiência econômica na ilha de Java.

Na ilha de Java todo mundo é rico. Todo mundo tem direito a um iphone, mas apenas um, por pessoa.

moorun-utopyasi.jpg

Eles conseguem isto a partir de uma distribuição justa de renda: os ricos financiam os pobres, de modo que todos têm a mesma renda.

Ele tinha ouvido falar de Keynes, na faculdade, algo como os gastos públicos são bons em épocas de crise. Então, se é bom, que tal se todos os gastos fossem públicos? Para todos os gastos serem públicos, todas as empresas têm que ser públicas e todo o emprego, público. Todos são empregados do estado, que garante a regra da “tigela de ferro” para todos.

A “tigela de barro” é o mundo capitalista. Cada um por si, mercado livre. A “tigela de ferro” é o sistema social da ilha: o governo cuida de todos, previdência garantida, emprego garantido. É claro que há limitações. Se o estado é responsável pela alocação do emprego de todos, possivelmente nem todos teriam a escolha do emprego, é o estado que definiria o melhor papel de cada um, como uma engrenagem numa grande máquina.

E todos eram muito felizes, iguais e bem alimentados.

Sendo todos felizes, eles tinham a melhor educação do mundo. Também a melhor saúde do mundo.

Ninguém comete crimes, se o fizerem, basta uma conversa séria dos sociólogos da ilha para eles voltarem ao normal. Portanto, não há prisões, apenas direitos humanos.

O ouro é utilizado apenas para o comércio com o exterior. Dentro da ilha, todos desprezam o ouro e outros ganhos materiais. Para simbolizar isto, o ouro é utilizado para fazer o vaso sanitário das casas da ilha, literalmente cagam no ouro.

Há cotas para todos os cargos e profissões, representando exatamente a extratificação racial da sociedade.

Na ilha de Java, todos são amigos, e já são dois mil anos de prosperidade.

Fecha aspas.

Com este discurso, Castelo ganhou notoriedade nos jornais ideológicos. Passou a ser celebridade, constantemente convidado a participar de debates, escrever livros e artigos. Sempre repetia a mesma história, do começo ao fim. Quando questionado, era só falar que em Java, funciona.

Ganhou o apoio do ministro da fazenda. Virou celebridade na internet. Ganhou uma coluna numa revista ideológica, onde criticava o capital, a ganância, os empresários. Almoçou com o presidente da República.

Na cara de pau, copiou o símbolo da linguagem Java como símbolo de sua coluna. Java é uma linguagem de programação, cujo nome veio de um café produzido na ilha de Java.

java-logo.jpg
Um dia, a imprensa descobriu um marinheiro que realmente era javanês, e queriam entrevistá-lo. Castelo suou frio, temendo ser desmascarado. Mas, o destino quis que ele continuasse o seu teatro. O tal marinheiro não falava inglês nem qualquer outra língua inteligível. Então, o próprio Castelo foi chamado para ser o tradutor. Ele decorou duas frases no malaio javanês: “Bom dia” e “diga mais sobre você”. E na entrevista inteira, o que ele “traduziu” para o português foi exatamente a mesma história que já fora contada inúmeras vezes.

E assim, de cargo político em cargo político, hoje ele é embaixador brasileiro nas ilhas do Pacífico. Ele é a prova viva de que o paraíso social, em Java, funciona.

Terminaram a conversa com um brinde a todos os brasileiros, a todos os javaneses e a todos os (ingênuos) que acreditaram em sua história.


 

Referências

O homem que sabia javanês – Lima Barreto

A Utopia – Thomas More

 

 

Udacity self-driving car preview

Eis aqui uma grande oportunidade. Para aqueles curiosos sobre o nanodegree de carros autônomos da Udacity, aqui está um preview, para acessar o conteúdo do curso, por tempo limitado.
http://blog.udacity.com/2017/04/free-sneak-preview-self-driving-car-nanodegree-program.html

Divirta-se.

O quão excelente é o projeto?

Em diversas ocasiões, discuti ideias de projetos com o meu colega Cláudio Ortolan. Alguns de meus questionamentos eram do tipo “vai custar caro demais”, “temos orçamento para tal?”

  

A réplica dele sempre era:
 

 “Quão excelente é o projeto?”

 

Um projeto excelente, genial, que dá um retorno que o justifique, sempre vai conseguir recursos para se manter de pé.

 

Já um projeto fraco pode custar muito (ou pouco, independe do custo), mas não vai sair do lugar.
 
Para ilustrar esta afirmação, uma história, contada no livro “O imperador de todos os males – uma biografia do câncer”.
 
imperador-de-todos-os-males.jpg
 
Mary Lasker era uma mulher da alta sociedade americana, nos anos 1950. Após perder o marido, numa longa e difícil batalha contra o câncer, ela decidiu usar todas as suas forças para combater este mal. Ela tinha dinheiro, influência e conhecia toda a alta sociedade. Sabia fazer bem o marketing e a parte social para levantar fundos. Mas obviamente ela não tinha conhecimento da parte técnica. Ela precisava de um projeto.
 

Projeto 1
 

Ela procurou um pesquisador acadêmico famoso, explicou toda a sua história e perguntou sobre uma ideia para combater o câncer. Ele respondeu: “Eu preciso de um microscópio novo, de 300 dólares”. Vamos chamar este de “Projeto 1”.
 

 

Projeto 2
 
Depois, ela procurou um médico chamado Sidney Farber. Ele estava havia muitos anos trabalhando desesperadamente no combate ao câncer. Primeiramente com leucemia. Uma característica importante da leucemia é que, pelo câncer estar no sangue, daria para mensurar se algum tratamento teria ou não efeito. E assim, estudando, testando inúmeras alternativas, ele desenvolveu o primeiro tratamento de quimioterapia do mundo.
 
sidney-farber-with-patient.jpg
Sidney Farber e paciente

 

E Farber tinha um projeto. Pesquisar programaticamente as novas drogas, variando dosagem, composição, tipos de câncer e anotar cuidadosamente os efeitos positivos e negativos. Além disso, criar um instituto de combate a câncer. Vamos chamar este de “Projeto 2”.
 

Qual dos dois projetos é melhor?
 
Evidentemente, o projeto de Farber.
 
Mary Lasker e Sidney Farber pareciam duas pessoas com metade do mapa cada uma. Ela conseguiu arrecadar fundos e colocar o câncer em evidência. Conseguiu que o Ato do Câncer de 1971 liberasse a soma sem precedentes de 1,59 bilhões de dólares para a pesquisa do câncer.
debakey_charleshuggins_lymancraig_mlasker_1963-cropped-resized.jpg__540x580_q85_subsampling-2.jpg
Mary Lasker

 

Apesar da cura do câncer ainda estar muito longe de ser uma realidade, muitos dos avanços iniciais da pesquisa são devidos a esses dois. O instituto Dana-Farber existe até hoje (http://www.dana-farber.org), assim como o Lasker Foundation (http://www.laskerfoundation.org).
 
Imagine que o diretor geral da empresa venha à sua mesa e pergunte se você tem uma boa ideia para apresentar para ele. O que você responderia? Que precisa de um computador novo?

 


Links:

As pessoas são covardes, egoístas e feias

Só que não. As pessoas são corajosas, altruístas e belas.

  

Li alguns artigos recentemente, destacando cientificamente que as pessoas são covardes. Mais ou menos assim, o erro de um falso positivo é pequeno, apenas um susto: se o homem das cavernas confunde uma tartaruga com um tigre, não tem muito problema. Mas um erro de um falso negativo é enorme: se o o mesmo confunde um tigre com uma tartaruga, já era, não vai deixar os seus genes para a geração seguinte.
 

 

Outro artigo dizia que as pessoas eram egoístas primeiro, para depois, se sobrar algo, pensar em altruísmo. Quem fosse muito altruísta acabava sem comida, e tchau para os seus genes bonzinhos. O autor tinha feito um grande estudo estatístico mostrando isto.

 
 

Ora, do ponto de vista evolutivo, coisa e tal, pode até fazer sentido. Na prática, também, acho complicado confiar 100% que as pessoas sempre vão ajudar. Do ponto de vista pragmático, tenho que me defender, até certo ponto.

 
 

Entretanto, ter uma postura assim não ajuda em nada. Se um pessoa considera o mundo covarde e feio, o mundo realmente será covarde e feio para ela.
 

A partir de um certo ponto, devemos adotar a postura de que as pessoas são corajosas, altruístas, belas e sempre irão ajudar. Não tenho estudo científico nenhum, zero dados estatísticos comprovando que o altruísmos e a coragem são bons.
Tenho apenas um sentimento: a Esperança.

Da árvore ao papel, do papel à nossas vidas

Hoje (19/04/2017) a Klabin S.A. completa 118 anos de idade. Numa época conturbada como a nossa, onde metade das empresas não passa de 4 anos de vida, podemos perguntar Qual o segredo para viver tanto?


 

A Klabin
A Klabin é uma das maiores empresas do Brasil na área de papel e celulose. No dia-a-dia isto se traduz em caixas de leite, caixas de suco, embalagens de fruta, caixas de panetone, saco de cimento, saco de argamassa, enchimento de fraldas e tantos outros produtos.

Produtos.JPG

A embalagem ou saco é o produto final. Mas o papel não surge do nada. Há um tremendo processo industrial para a produção do papel, e haja papel: são quase 3,5 milhões de toneladas de produto acabado, segundo a apresentação institucional (link no anexo).
O papel vem da madeira. A madeira é picada, cozida com produtos químicos numa panela de pressão gigante, as fibras são separadas, prensadas e secas até virar papel.
reel.jpg
E se a quantidade de papel é gigantesca, a de madeira é maior ainda. Sendo mais ou menos 3 toneladas de madeira necessárias para cada tonelada de papel, dá cerca de 11 milhões de toneladas de madeira por ano! Isto dá 300 mil viagens por ano (da floresta à fabrica) de um caminhão bi-trem com 39 toneladas líquidas.
Carregamento.jpg
São duas espécies principais: o eucalipto e o pinus. Cada uma tem uma característica diferente. O eucalipto produz um papel de mais qualidade para imprimir e escrever. O pinus produz um papel mais forte, necessário para embalagens robustas. Por exemplo, a caixa de leite explodiria ao cair no chão se o papel da embalagem não viesse do pinus.

Planejamento e Gerenciamento

As árvores não surgem do nada, não estão aí dando sopa para serem derrubadas. Muito pelo contrário, as árvores têm que ser plantadas, cuidadas e colhidas no seu tempo certo, respeitando o meio-ambiente. As árvores demoram para crescer (7 anos para o eucalipto e 14 anos para o pinus). Longos ciclos requerem uma vasta área plantada, mais precisamente uma área equivalente a 250 mil campos de futebol, localizada nos estados do Paraná e Santa Catarina. Uma área vasta e longos ciclos de vida das árvores requerem um planejamento e um gerenciamento cuidadosos.

Profissionais

Os fatos citados acima requerem profissionais dedicados e talentosos. E chegamos aqui ao primeiro grande segredo de uma boa empresa: ter bons profissionais e cuidar bem destes, com muito respeito, ética e transparência, treinamento, suporte quando necessário, benefícios além do salário. A Klabin ganhou vários prêmios recentemente, por boas práticas de Gente e Gestão: 50 empresas mais amadas pela Love Mondays, Prêmio Ser Humano 2016 – ABRH-PR, Empresa do ano 2015 pelo Grupo gestão RH, etc..
Melhores.JPG

Relação com comunidades
Uma área vasta em um lugar remoto requer pessoas tomando conta. E é isto o que acontece, com monitoramento constante, vigias, guardas de incêndio… Mas, além dos profissionais próprios, é necessário algo muito mais importante, e aqui vai o segundo segredo: uma relação de muita confiança e respeito com as comunidades locais. Dar valor às pessoas ao redor, através de oportunidades de trabalho e de comércio, programas de incentivo socioambiental, fomento, educação técnica e ambiental.
Socioeconomico.JPG
Uma empresa que cuida das pessoas dentro e fora dela, também será muito bem querida e cuidada por estas. É uma relação de reciprocidade. A nível local tais programas são custos para a empresa, mas a nível global, o que são as pessoas ao nosso redor senão nossos vizinhos, parentes e amigos?

Meio-Ambiente
A natureza não é feita apenas de eucalipto e pinus, mas sim de centenas de espécies diferentes de plantas e animais. Para preservar a biodiversidade e minimizar o impacto da operação humana, são tomadas ações como a manutenção de área nativa (para cada hectare de área plantada há um hectare de mata nativa preservada), o plantio em mosaico (alternando mata nativa e área plantada), certificações internacionais (selo FSC – Forest Stewarship Council), orientação de melhores práticas junto a comunidades (Programa Mata Legal), monitoramento da fauna, flora, nascentes de rios e outros.
mosaico.jpg
Plantio em mosaico
Cuidar do meio-ambiente significa custos, custos representam EBITDA trimestral menor. Mas o EBITDA mede somente o curto prazo. A natureza funciona a longo prazo, não está nem aí para o trimestre. A natureza não aceita desaforo, se não for bem cuidada, um dia chega a conta, com juros e correção monetária, em proporções capazes de expulsar qualquer empresa: erosão, pragas, falta de água, desequilíbrio climático. Este é o terceiro segredo. A empresa deve ter um grande respeito com a natureza, para viver 118 anos.
Puma.JPG

Desempenho Econômico
Por fim, deve-se buscar um desempenho econômico de ponta, performance melhorada continuamente, baixos custos, alta qualidade dos produtos, inovação, pesquisa. Mas isto praticamente todas as boas empresas fazem, não é um grande segredo e não será a ênfase deste texto.

Parabéns!
Respeito ao meio-ambiente, respeito às comunidades, respeito aos funcionários e contínua performance econômica.
Parabéns à Klabin S.A. pelos seus 118 anos, e que venham mais 118 pela frente!
*Este texto é apenas uma homenagem dos autores, não representa necessariamente a opinião da empresa.
Puma
Saiba mais: