Parabéns aos heróis invisíveis da FAB

O heróis vazios do BBB ficam famosos, aparecem todos os dias na TV e ganham seguidores no Instagram e no Twitter.

Enquanto isso, nem sabemos os nomes dos heróis invisíveis da Força Aérea e dos médicos que foram resgatar os compatriotas isolados em Wuhan, China.

Os militares também vão ficar de quarentena, entrando junto com o primeiro passageiro e saindo com o último.

Quantos dos que só criticam topariam fazer esta missão?

Parabéns a todos os envolvidos!

Os gêmeos e o Bitcoin

Quando estive no frio de Chicago, em Nov de 2019, vi um anúncio curioso no metrô: uma empresa chamada Gemini, convidando o cidadão comum a comprar e vender criptomoedas como o Bitcoin.

Guarde a informação acima, e passemos para outra. Aproveitei os poucos dias em que estive lá para visitar livrarias. As livrarias brasileiras faliram. Não há muitos títulos interessante nas poucas que sobraram. As livrarias americanas também estão indo no mesmo caminho, diante do mundo digital, porém, elas ainda são infinitamente melhores do que as daqui.

Numa Barnes & Noble, além dos puzzles e cubos mágicos, um livrinho me chamou a atenção: Bitcoin Billionaires. Li a contra-capa, e era algo sobre os irmãos Winklevoss e o mundo das criptomoedas.

Os irmãos Winklevoss ficaram mundialmente famosos no filme “A Rede Social”. Cameron e Tyler Winklevoss, irmãos gêmeos de quase 2 metros de altura, competidores olímpicos de remo, de família rica, foram superados por um pirralho nerd, Mark Zuckerberg, na criação do Facebook. Para quem não assistiu ainda, sugiro fortemente.

O livro começa da onde terminou a participação dos Winklevoss junto ao Facebook: nos tribunais, com os irmãos tentando fechar um acordo com Mark Zuckerberg. O acordo (de US$ 65 milhões) acontece após muitas mágoas e negociações.

Após finalmente colocarem uma pedra neste episódio, eles estão em busca de novas oportunidades de negócio no Vale do Silício… apenas para serem rejeitados pelas empresas dali. Isso era estranho, qual startup diria “não” a milhões de dólares de funding? A questão era que as empresas do Vale queriam fazer negócios com o Facebook, o gigante da época (era mais ou menos 2010). Se os Winklevoss eram as pessoas mais odiadas por Zuckerberg, e a startup queria fazer negócios com o Facebook, era melhor evitar qualquer contato com os gêmeos!

Depois de idas e vindas, os Winklevoss acabam conhecendo alguns gênios desajustados que lhes apresentaram o mundo do Bitcoin.

Após estudarem muito o assunto, consultarem professores de Harvard (esses não tinham nem ideia do que estavam falando, o que era um sinal positivo), os gêmeos decidem entrar de cabeça no negócio. Um negócio de potencial altíssimo e risco igualmente imenso – exatamente o que eles queriam.

O Bitcoin é o representante mais famoso das criptomoedas. É o início da Internet do dinheiro.

Convencidos de que o investimento valia o risco, os gêmeos passam a comprar milhões de dólares de Bitcoin, com 1 Bitcoin a 10 US$.

Além de comprar a moeda, eles investiram numa startup para intermediar transações, o BitInstant. A lógica é que ninguém fica rico apostando. Quem fica rico é sempre a banca.

Com o aumento do preço da moeda, que chegou a 20 mil dólares, os Winklevoss se tornaram os primeiros bilionários de Bitcoin do mundo.

O livro cobre outros pioneiros do Bitcoin. Nem todos lucraram. Um deles é um libertário radical que lutava por uma moeda livre da interferência do estado, e acabou preso. Outro, um jovem que controlava o site Silk Road, e foi condenado à duas prisões perpétuas.

Após o BitInstant, os Winklevoss fundaram a Gemini (gêmeos em latim), incorporando as lições aprendidas. A Gemini é uma instituição que segue a legislação americana. Tem muita compliance além da tecnologia. Ela quer passar segurança a quem quer transacionar criptomoedas. Além disso, eles querem popularizar a sua adoção: não é mais necessário ser um nerd de computador ou um investidor de alto risco, mas uma pessoa comum, que anda de metrô!

Tyler e Cameron Winklevoss

Uma coisa é líquida e certa: criptomoedas vieram para ficar. Você também usará alguma criptomoeda em futuro próximo, talvez 10 anos, talvez 20 anos, não se sabe (nota: não necessariamente o Bitcoin).

Este texto não é uma recomendação de investimento. Embora haja um potencial imenso, há muitos problemas com o Bitcoin.

Listei alguns abaixo:

– Possível interferência governamental.

– Imensa volatilidade (chegou a passar de 20 mil US$ para menos de 7 mil).

– É difícil de lidar diretamente, sendo a pessoa comum obrigada a confiar em instituições como a Gemini dos Winklevoss (no Brasil, há várias similares surgindo).  Como confiar que tais empresas são idôneas?

– Imagine se alguém descobrir uma falha não descoberta até agora, a confiança no sistema por cair a zero.

– Existe sempre a concorrência de outras criptomoedas.

– Surgimento de uma tecnologia superior. Computação quântica pode ser uma delas, porém está a muitos anos de maturar.

Notas aleatórias:

Tyler e Cameron são gêmeos espelho. Gêmeos univitelinos, vieram de um mesmo óvulo que se separou após alguns dias de gestação. Um é o espelho do outro. Se um tem uma marca de um lado do corpo, o outro tem a mesma marca do lado oposto. Um é destro, outro é canhoto, um é racional, outro é emocional.

A constelação de Gêmeos é em homenagem aos personagens gregos Castor e Polideuces. Ambos são irmãos da Helena de Troia (aquela que provocou a Guerra de Troia). Ambos eram gêmeos, porém tinham pais diferentes: Castor era um simples mortal, Polideuces era filho de Zeus. Eles viveram muitas aventuras, uma delas foi fazer parte da tripulação da Argonáutica. Após a morte de Castor, Polideuces pediu que ambos partilhassem da imortalidade, e eles se transformaram na constelação de Gêmeos.

Prometeu e Epimeteu eram irmãos (não eram gêmeos). Prometeu tinha o dom da antevisão, e o Epimeteu, o dom da visão retrospectiva. Prometeu criou os seres vivos, e Epimeteu deu aos animais habilidades (garras, asas, etc). Chegando a vez do ser humano, o estoque de habilidades tinha acabado… Prometeu apiedou-se e deu ao ser humano o poder de planejar o futuro, e roubou o fogo dos deuses para dar aos homens.

Links:

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/31/%e2%80%8bprometeu-e-epimeteu/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/17/o-que-e-dinheiro-para-mim/

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/25/dinheiro-e-termodinamica/

Machine-learning-não-resolve-tudo-sua-besta

Hoje em dia, Inteligência Artificial e Machine Learning estão na moda – e realmente são métodos extremamente poderosos.

Porém, não são os únicos: estatística tradicional, classificadores lineares e pesquisa operacional da década passada resolvem muita coisa.

Além disso, o gargalo hoje são os dados. Dados ruins, bases que não falam com outras, ou simplesmente ausência de informação são comuns no mundo real. O IoT está chegando para cobrir esta lacuna, mas ainda vai demorar um tempo para baratear e popularizar (inevitavelmente vai ocorrer).

Eu diria aos startupeiros para não citar em vão o Machine learning, e sim quando realmente fizer sentido. E, quando os dados forem o gargalo, recomendar que as empresas dêem um passo para trás, a fim de coletar e estruturar a informação.

Porcaria na entrada = porcaria na saída, não há inteligência alienígena que resolva.

https://images.app.goo.gl/Hx1DrBcEVKc4hEaDA

As aparências importam

O vídeo a seguir mostra um violinista numa estação de metrô de Nova Iorque, como tantos outros.

Alguns poucos param para ouvir as 6 peças de Bach tocadas. Algumas moedas são colocadas. Em 45 min, ele arrecadou US$ 32.

Entretanto, este é um experimento do jornal Washington Post. O violinista em questão é Joshua Bell, um aclamado músico, com um violino Stradivarius de US$ 3 milhões. Alguns dias antes, um ingresso para o seu show não saia por menos de 100 dólares.

A moldura faz parte do quadro. As aparências importam.

Ou, em bom português: As pessoas julgam um livro pela capa.

Os heróis invisíveis

Os heróis invisíveis não aparecem nas capas de revistas de negócios, nem nos jornais. Não são famosos, não ganham prêmios e nem têm milhares de seguidores em redes sociais.

Eles são os que plantam sabendo que outros irão colher. São os que evitam acidentes ou mitigam grandes riscos futuros, mesmo que ninguém fique sabendo. São os que entregam um trabalho acima da qualidade, mesmo que ninguém perceba.

Não sabemos os seus nomes. E nem precisamos saber. Porque o herói invisível se contenta com o seu excelente trabalho.

(Inspirado em conversa com o amigo Valmir Calori)

O Dilema do Inovador

O mundo da inovação, tão em voga atualmente, deve muito ao professor de administração Clayton Christensen, falecido há poucos dias.

Ele abriu os olhos do mundo em relação ao Dilema do Inovador, resumido no gráfico a seguir.

Uma empresa tradicional apresenta uma performance, obtida de muitos anos de trabalho e desenvolvimento. Uma tecnologia potencialmente disruptiva, em seu início, não vai entregar resultados tão atraentes.

A empresa olha para a tecnologia concorrente, dá de ombros, e prefere ficar com a tecnologia madura, já consagrada, sem riscos. Isto abre espaço para que pequenas startups explorem esta brecha, e, talvez, disruptem o mercado.

Este é o dilema do inovador. É justamente em seu melhor momento que as grandes empresas tradicionais devem se desafiar e disruptar a si mesmas.

Exemplos práticos não faltam. Christensen cita a Kodak em seu livro, superada pelas máquinas digitais (e todo ppt de inovação o faz desde então). Mas a própria câmera fotográfica digital foi superada, hoje o celular tem câmeras tão poderosas que só profissionais precisam de uma câmera fotográfica. Outro exemplo é a indústria fonográfica, que teve o iTunes da Apple mudando toda a lógica dela, e atualmente, streaming como o Spotify destronando o iTunes.

https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2020/01/morre-clayton-christensen-inventor-do-conceito-inovacao-disruptiva.html

https://exame.abril.com.br/blog/david-cohen/o-enorme-legado-de-clayton-christensen

Percepção x Dados

Um pequeno teste: há algo de errado com as fotos do Obama, de cabeça para baixo?

E virando a foto?

E agora, com a Mona Lisa?

(Vire o monitor, este não é gif animado).

Não vemos nada de errado nas imagens de cabeça para baixo porque a visão ocorre no cérebro, não nos olhos.

É como se os olhos captassem uma imagem, e esta fosse reconstituída no cérebro, interpolando as partes faltantes, complementando com a interpretação do contexto.

No mundo cotidiano, não vemos muitas pessoas de cabeça para baixo. Por isso, não somos especialistas em decifrar imagens deste tipo.

É neste tipo de situação que computadores, com dados frios e brutos, podem performar melhor que os seres humanos.