Darwin sem frescura

Recomendação de livro: Darwin sem frescura, dos autores Pirula e Reinaldo José Lopes.

É um livro de divulgação científica, a respeito de evolução, dinossauros, elos perdidos e temas polêmicos sobre o bem e o mal.

Há diversos livros deste tipo no mercado (outra recomendação fantástica são os livros do autor Matt Ridley), porém o grande diferencial deste livro é que os autores são brasileiros. Eles utilizam linguajar informal e exemplos bem claros para este nosso público.

Aprendi, por exemplo, que o junk DNA não serve para nada, mas que exatamente por apenas ocupar espaço sem codificar nada, ele é uma das grandes pistas para testes de paternidade. Pense assim. Se ocorrer uma mutação num gene importante (no coração, digamos), e der ruim, o indivíduo não vai conseguir passar os genes para a frente. Já uma mutação no junk DNA não vai fazer a menor diferença, por isso, podem ocorrer a torto e a direito. É por isso que é extremamente improvável o junk DNA ser igual para dois indivíduos, a menos que eles tenham parentesco.

É uma leitura leve, rápida e divertida. Fica a dica.

Outros links:

https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/ciencias-biologicas/filosofia-da-ciencia/darwin-sem-frescura-2011617187

https://ideiasesquecidas.com/2017/07/11/%e2%80%8b-%e2%80%8bo-livro-de-receitas-de-1-gigabyte/

https://ideiasesquecidas.com/2015/08/07/apendicite-internet-explorer-e-dinossauros/

https://ideiasesquecidas.com/2015/05/03/preguicas-gigantes-tatus-gigantes/

E depois?

Li uma história do Mula Nasrudin, cujo original não consigo encontrar, mas era mais ou menos assim.

Estava o Mula Nasrudin a dormir em sua rede debaixo de uma árvore, no meio da tarde, após pescar quantidade suficiente de peixes para o dia.

Um graduado em administração com MBA em Harvard estava passando pelo local, quando resolveu questioná-lo.

  • Por que você está aí, ocioso, ao invés de utilizar todo o seu dia para trabalhar?
  • Porque já pesquei o suficiente para hoje.

  • Por que você não continua pescando, para gerar um excedente de peixes e ter lucro vendendo-os no mercado?
  • O que vou fazer com o lucro?

  • Você pode acumular o lucro para comprar um barco maior e equipamentos de pesca melhores.
  • E depois?

  • Você pode aumentar a sua produtividade e pescar mais peixes em menos tempo, aumentando o seu EBITDA.
  • E depois?

  • Com aumento de sua margem EBITDA, você pode conseguir investimentos ou se associar a outros empreendedores, para comprar mais barcos e contratar mais pescadores, maximizando os ativos obtidos.
  • E depois?

  • Com o sucesso deste empreendimento inicial, você pode criar uma frota de barcos pescadores, aumentando o seu share e até chegando a dominar o mercado.
  • E depois?

  • A sua companhia pesqueira pode crescer tanto ao ponto de se tornar uma empresa global, e quem sabe, abrir o capital na bolsa de SP.
  • E depois?

  • Aí você será um homem rico. Poderá passar férias num lugar paradisíaco como este, e dormir sossegado numa rede debaixo de uma árvore, sem preocupações…
  • Então eu não preciso de nada do que você falou. Eu já estou fazendo isto.

O Mula Nasrudin convidou o graduado a se sentar, tomar uma água de côco de frente para o mar, e ficaram lá o resto da tarde, até contemplar o pôr do Sol.

PDCA japonês x brasileiro

Vi este post no LinkedIn, e não posso deixar de concordar e recompartilhar.

É tanto tempo para apagar incêndios que não sobra tempo para planejar!

Post original de Carlos Mendonça

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Os Vingadores originais

Olhando para o sucesso dos filmes dos Vingadores, me vem uma nostalgia imensa.

Sou nerd raiz, daqueles que acompanharam os Vingadores desde os primeiros quadrinhos publicados no Brasil.

Seguem algumas recomendações de quadrinhos, sobre os Vingadores originais e Thanos, o titã louco.

Os Vingadores, número 2.


Roteiro do mestre Stan Lee, desenhos do lendário Jack Kirby. Publicado no Brasil em 1973 pela saudosa Editora Bloch, da revista Manchete e da TV Manchete – só quem é muito das antigas vai lembrar.

Tudo começou no fim da década de 80, quando o meu tio Algiberto Ogawa emigrou para o Japão. Eu sempre gostei muito de ler, e todas as vezes que ia na casa da minha avó (o meu tio morava ali), eu ficava horas lendos os gibis da Marvel.

Ele tinha uma coleção enorme de quadrinhos da década de 70 e 80. Quando partiu para a Terra do Sol Nascente, ele deixou a coleção inteira comigo – o sobrinho mais interessado nela. Tive o privilégio de ler as revistas do Homem de Ferro, Vingadores, Hulk. Era tudo muito simples, com cores brilhantes e roteiro ingênuo.

Ao longo dos anos, a minha mãe me obrigou a jogar fora as revistas e deixar apenas algumas. Esta revista em particular, Vingadores n. 2, está comigo até hoje.

Nesta edição, os Vingadores (Homem de Ferro, Thor, Gigante e Vespa) se separam de Hulk (sempre instável), lutam com Namor (o Príncipe Submarino) e acabam ganhando um outro aliado: o Capitão América.

O resgate do Capitão América nas águas geladas

O Capitão América foi “ressuscitado” na década de 70, nesta revista. Explico. O capitão original fora um personagem propaganda do esforço de guerra americano, na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Com o fim da guerra, o personagem também tinha acabado. Porém, Stan Lee resolveu colocá-lo de volta à cena.

Nesta época, tudo tinha que ser explicado (era muito ingênuo, como foi dito). Como explicar que o Capitão América da Segunda Guerra continuaria jovial e forte, 30 anos depois? Eles inventaram que o personagem tinha caído em mares gelados, teria sido congelado num iceberg por 30 anos, e por isso tinha mantido sua juventude. Namor, o príncipe submarino, destruiu o iceberg e o capitão foi descongelando nos mares.

Só para dar um paralelo. Como explicar que o Capitão América continue na ativa hoje? Se Steve Rogers tinha 20 anos em 1945, em 2019 ele teria quase 100 anos… é por isso que hoje nem se dão ao trabalho de explicar nada, é assim porque é e pronto…

A Saga de Thanos

Avançando uns 10 anos, na década de 90, a Editora Abril publicou um compilado de 5 edições, e chamou de “A Saga de Thanos”.

Esta conta a primeira aparição de Thanos no universo Marvel (numa revista do Homem de Ferro, em que o titã comanda os Irmãos Sangue).

Quase todas as histórias têm em comum desenhos e/ou roteiro de Jim Starlin, o gênio criativo por trás de Thanos, Drax, Gamora e outros.

Dá para dividir as 5 edições em duas partes. Uma em que o Capitão Marvel é o protagonista, e outra em que Adam Warlock é o personagem principal.

Na primeira parte, o titã apaixonado pela Morte quer oferecer todo o sistema solar à sua amada. O seu objeto de poder é o Cubo Cósmico, nada de joias do infinito.

Há uma série enorme de histórias, com diversos personagens (Drax, Homem de ferro, Coisa, Vingadores), mas o foco é no Capitão Marvel. Um alienígena da raça dos Krees, com superpoderes, e que troca de identidade com Rick Jones (personagem das histórias do Hulk).

O Capitão Marvel é o responsável por deter Thanos, ao destruir o Cubo Cósmico num esforço desesperado.


Nota: o Capitão Marvel original era homem, um Kree. Este morreu, muito tempo depois, e Carol Denvers assumiu o nome.

A segunda parte narra a primeira aparição de Adam Warlock (criação original de Lee e Kirby), o Alto Evolucionário criando uma contra-Terra e muitas outras histórias de Warlock.

Lembro-me que uma das minhas diversões era ficar caçando revistas velhas para completar a minha coleção. Uma das edições desta série eu encontrei numa viagem que fiz com amigos, numa parada do ônibus em uma estação rodoviária em Jacupiranga.

Thanos só apareceu de verdade no último volume.

A ideia de Joias do Infinito veio nessa série de histórias, após a destruição do Cubo Cósmico.

Desta vez, o Capitão Marvel foi coadjuvante, e Adam Warlock o personagem principal pela derrota do titã louco. Warlock pagou com a própria vida, levando junto Thanos… ou era o que se pensava, porque a história de Thanos é tão icônica que ressuscitaram ele, Warlock e outros na série de histórias do infinito, publicadas muito tempo depois, com roteiro de Jim Starlin também.

Fico feliz com o filme, porque tenho boas lembranças desta fase de adolescência, em que tinha que caçar as revistas faltantes por vários meses até encontrar numa banca aleatória qualquer.

Como encontrar tais revistas hoje em dia? Talvez em sebos, ou pela internet.

Eu tenho as revistas mencionadas até hoje, mas deixo dito que não vendo e nem empresto. Se escaparam da limpa da minha mãe, não fogem mais!


Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/27/o-indice-x-men-de-inflacao-2

Zaitt, o supermercado sem atendentes

Testei a loja Zaitt – um mercado sem atendentes, caixas, filas, nada. Há duas unidades em São Paulo, uma delas no Itaim Bibi.

Primeiro, é necessário baixar o aplicativo da Zaitt e fazer o cadastro: nome e outras informações, inclusive uma foto. Deve-se cadastrar o cartão de crédito também.

Em frente à loja, escanear o QR code com o aplicativo para a porta abrir.

Lá dentro, parece um mercado normal. Não é um espaço muito grande, mas há uma boa variedade de itens.

Os preços são mais ou menos na média dos preços de qualquer mercado comum.

Para comprar, basta utilizar o celular para escanear o código do item. Vai abrir uma cesta de compras, como as de e-commerce.

Ao finalizar a compra, o valor será debitado do cartão de crédito.

Para sair, escanear o código da porta de saída e se certificar que a porta fechou.

A minha experiência de consumidor foi simples, rápida. Quase um e-commerce ao vivo.

Minutos depois, uma nota da compra chega ao e-mail cadastrado.

Notei também que produto tem uma tag, algo como RFID. Isto deve permitir fazer um inventário on-line dos produtos, e também monitorar se alguém está tentando surripiar itens.

Fiquei pensando sobre qual seria a vantagem deste mercado autônomo contra um mercado comum. Uma vantagem óbvia é que ela funciona 24h por dia – daí itens como comida para consumo rápido.

Outra vantagem é o custo de funcionários. Porém, há um maior investimento em tecnologia, pelo menos a curto prazo.

Durante o dia, parece mais simples e direto ir a um mercado comum. Possivelmente, se esta loja der certo, veremos tal modelo escalar para grandes mercados.

Dois outros exemplos de autoatendimento.

1 – No Aeroporto de Curitiba, há uma loja de livros sem atendentes – um pegue e pague. Basta escolher o livro, pagar com cartão ou depositar o dinheiro numa caixa, e ir embora – sem paredes, sem tecnologia, nada. Há um ano e pouco atrás, esta loja tinha uma atendente que ficava lá o tempo todo.

Este modelo é totalmente baseado em confiança. Mas note que fica dentro do aeroporto, e com um produto (livros populares) que a cada dia perde valor agregado.

2 – O supermercado Henan, na China, é um mercado enorme (digamos, do tamanho de um Pão de Açúcar), no modelo autônomo. As pessoas fazem as compras, passam no leitor de código de barras, pagam e vão embora. Bom, há um ou dois caixas com pessoas de verdade, para os velhinhos, pessoas com dificuldades, turistas sem WeChat Pay como eu… mas a maioria absoluta dos consumidores fazem compra sem ajuda. Além disso, é um excelente exemplo de O2O – online to offline, com dezenas de sacolas em esteiras voando por nossas cabeças, indo para serem entregues por um exército logístico (algo semelhante ao Rappi atual, com moto, carro, bicicleta, patinete, tem de tudo).

Foto do caixa no Henan, com a cliente escaneando os produtos e pagando com celular

Em resumo, tendências: automação, autosserviço, pagamento por celular, integração online e offline.

O futuro está chegando.

Participação especial do amigo Jaime Heidegger.

Ideias técnicas com um pouco de filosofia.

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/

O corpo fala

Segue uma das dicas que mais ajudaram no meu desenvolvimento pessoal.

Mais da metade de uma comunicação efetiva é devida à linguagem corporal.

Uma pessoa consegue disfarçar as palavras, mas dificilmente disfarça o que o corpo diz.

Recomendo o excelente livro “O corpo fala”, de Pierre Weil. Este é ilustrado com inúmeros exemplos didáticos, de fácil compreensão.

Exemplo. Na China, é muito comum enganarem turistas. Uma vez, dei uma nota de 100 yuanes. A atendente não falou nada, ficou enrolando para contar notas, deu o troco sem fazer contato visual, com os ombros caídos. Desde o começo fiquei prestando atenção, e sabia que ela estava devolvendo menos do que o devido. Dei uma olhada bem feia para ela, que percebeu. E então, disse: tome, fique com esses cartões postais de brinde.

Guardo os cartões na minha estante, em homenagem à linguagem corporal.