Sapiens – os pilares da civilização

A dica desta Black Friday é o recém lançado “Sapiens – os pilares da civilização”, versão em quadrinhos da obra prima de Yuval Harari.

É o segundo volume de quatro. Este volume mostra a revolução agrícola, cerca de 12 mil anos atrás, como o homem dominou o trigo (ou será que foi o trigo que dominou o homem?), a domesticação dos animais – hoje temos mais de 5 bilhões de cabeças de gado, ovelhas e porcos, e 20 bilhões de frangos (seria isso um sucesso para os animais domésticos ou um fracasso?).

A agricultura permitiu que o ser humano se fixasse num lugar, ao invés da vida nômade, porém a armadilha da agricultura é que agora ele tinha que trabalhar exaustivamente mais do que o caçador coletor de antigamente, e o ganho de produtividade foi compensado pelo maior número de filhos a alimentar.

Os melhores locais para agricultura e o enorme trabalho de cultivo tornaram os terrenos naturalmente mais valiosos, de modo que a propriedade privada surgiu logo a seguir. Brigas entre vizinhos, também.

Os excedentes da agricultura também puderam suportar uma elite privilegiada. O Homo Sapiens demorou 300 mil anos para chegar à agricultura, e em meros poucos milênios, já surgiam grandes civilizações como a Babilônia antiga.

Para efeito de comparação:

  • Oásis de Jericó: 10 mil anos atrás, 1 mil habitantes
  • Mesopotânia: 5 mil anos atrás, 100 mil habitantes
  • Vale do Nilo: 4,5 mil anos atrás, 1 milhão de habitantes
  • Dinastia Qin (China): 2,2 mil anos atrás, 40 milhões de súditos

O trabalho tem desenhos magníficos como o seguinte.

Como fazer com que milhões e milhões de pessoas cooperem o mais pacificamente possível?

A resposta: através da ficção. O que seriam as leis, a ética social, e até as religiões, senão regras artificiais criadas pelos próprios seres humanos?

O código de Hamurabi, o do “olho por olho, dente por dente” foi um dos primeiros conjuntos de regras. A declaração de indepência americana, milênios depois, é outro exemplo.

Um último tópico neste resumo: os números. O cérebro das pessoas evoluiu para caçar e coletar, não para fazer contas exatas (até hoje, uma porcentagem enorme de pessoas têm dificuldade com matemática). Porém, a fim de organizar uma civilização gigantesca, é preciso registrar propriedades, produção, riqueza.

A invenção dos números é como se fosse um cérebro exterior, assim como a invenção da escrita.

“Sapiens” é uma obra monumental, abordando temas diversos desde o surgimento do homem até os dias atuais. É claro, para todos os tópicos há opiniões divergentes, e não precisamos concordar com tudo o que Harari descreve, precisamos mesmo é refletir sobre os temas e chegar à nossas próprias conclusões.

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Livro Sapiens:
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Veja também:

Sapiens – O nascimento da humanidade

Li a primeira parte da adaptação em quadrinhos de Sapiens.

A obra colossal do historiador israelense Yuval Harari conta a aventura da humanidade desde os primórdios até os dias de hoje.

A transcrição para os quadrinhos é igualmente colossal. Só essa primeira parte tem 240 páginas. E há 5 partes previstas, no total!

Os desenhos são num estilo clean, agradável, ajudando a narrativa ficar fluída e engraçada.

Há uma gama gigante de temas discutidos. Pincelando um ou outro:

Homo Sapiens

Somos da espécie Homo Sapiens, porém existiram outras espécies de seres parecidos conosco: Neandertais, Homo Erectus, o Homem de Flores, e outros.

Cada qual ocupou uma região do mundo. Alguns sobreviveram cerca de 2 milhões de anos, outros, uns 300 mil anos, mas todos deixaram de existir há uns 50 mil anos atrás.

Somente o Sapiens sobreviveu. O que teria acontecido?

Há duas teorias: 1 – As outras espécies hominídeas foram assimiladas pelo Sapiens. 2 – As outras espécies foram aniquiladas, direta ou indiretamente.

Não é tão preto no branco assim. Há uma zona cinzenta, e talvez um pouco de cada tenha ocorrido. Mapeamento genético mostra que seres humanos atuais têm cerca de 2% de genes neandertais, e 6% de homo erectus.

Cérebro

O cérebro dos seres humanos é o grande diferencial, porém, este é caro em termos energéticos: uma massa equivalente a 2% do corpo e consome 20% da energia, como uma fornalha.

O custo de ter um cérebro enorme é tirar energia de músculos e do intestino. Além disso, um cabeção torna o parto arriscado para a mãe. A solução foi a mulher afinar a cintura e alongar o quadril, e o bebê nascer prematuro, necessitando de muitos mais meses de cuidado.

Essa vantagem evolutiva demorou vários milhões de anos para se pagar. O livro mostra uma cena, na qual os leões se fartam de uma presa, depois chacais e abutres, e por último, o ser humano chega para quebrar os ossos que sobraram e sugar o tutano desses. Nosso lugar na cadeia alimentar era depois de todo mundo.

Fogo

Uma das primeiras e mais poderosas ferramentas foi o fogo.

Este poderia ser utilizado para aquecimento, proteção contra predadores, e até como armadilha, ao queimar uma região florestal.

Vantagens de cozer o alimento: eliminar parasitas, facilitar a digestão.

Harari compara o domínio do fogo como o primeiro passo para a bomba atômica.

Curiosidade: Harari no Rio de Janeiro

Há uma cena que ocorre no Rio de Janeiro. Harari desembarca no Santos Dumont, toma a ponte Rio-Niterói, e chega ao Teatro Popular de Niterói para dar uma palestra.

Ficção

O verdadeiro superpoder do ser humano é se unir em bandos e coordenar ações. Isso só é possível por conta do poder da ficção.

Exemplo. A empresa Peugeot não existe de verdade. Não é o fundador original (que já morreu), nem é a composição de funcionários (que vem e vão), nem é a instalação física (muda de tempos em tempos). A Peugeot é uma entidade fictícia. Existe de verdade apenas em nossa cabeça coletiva, mas é capaz de produzir carros de verdade e mudar a vida de pessoas de verdade.

O dinheiro também é uma ficção coletiva. É apenas um pedaço de pedaço de papel, e hoje em dia, nem papel é mais, é um número no banco.

A Sociedade Anônima foi uma das grandes invenções da humanidade.


Além disso, toda a noção de normas jurídicas, países, valores, são convenções entre grupos de seres humanos, fictícios neste sentido.

Megafauna

Temos a impressão de que o ser humano caçador coletor vivia em harmonia com a natureza. Porém, nada mais longe da realidade. Desde que o ser humano moderno começou a migrar pelo mundo, uns 50 mil anos atrás, ele deixou uma trilha de animais extintos por onde passou.

Havia pelo mundo cangurus gigantes, mastodontes, preguiças gigantes, coalas que pareciam ursos, tigres dentes-de-sabre, vombates enormes. Estes sobreviveram à diversas eras do gelo, porém não sobreviveram à passagem do ser humano.

Desde sempre, o Sapiens é um devastador em série continental.

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