2017: Uma Odisseia de ônibus em SP

São Paulo é uma cidade gigantesca… Mais de 12 milhões de habitantes, com 7 milhões de automóveis, fazendo deste lugar um dos maiores pesadelos do mundo em termos de trânsito: rodízio de carros, radares para todos os lados, marronzinhos multando, carros avançando uns nos outros, etc…

 

Tenho duas alternativas para ir ao escritório. De carro, demoro 40 min para percorrer 9 km de distância. De transporte público, (ônibus + metrô), 1 hora e pouco. Ou seja, mais ou menos duas horas diárias na locomoção.

 

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São Paulo é tão grande que um ônibus articulado enorme como esse lota facilmente

Prefiro a segunda alternativa, transporte público, mesmo com todos os problemas: ir de pé, às vezes num ônibus lotado. Mas não uso transporte público por motivos altruísticos. Não é para salvar o planeta, nem para preservar o meio-ambiente. Uso o ônibus para otimizar o meu tempo.

 


 

O tempo do trajeto é o único momento do dia em que posso me concentrar totalmente, sem interrupções, sem compromisso, sem stress – em casa, tenho três filhas, e, no ambiente de trabalho, há sempre uma quantidade imensa de tensão e distrações.

No trecho do metrô, posso ler, e no trecho do ônibus, costumo ouvir áudio-livros. Ou simplesmente pensar, sobre qualquer assunto, sobre qualquer coisa. Ao invés de perder 80 minutos brigando no trânsito, ganho 120 minutos diários de tempo para ler, estudar e viajar pelos mais diversos assuntos:

– Ulisses, na Odisseia, enfrentou um dilema. Ele estava na ilha da deusa Calipso há sete anos. Um dia, ele quis partir, voltar para a sua Ítaca.

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Odisseus e Calipso

 

Calipso, que estava perdidamente apaixonada, ofereceu a Ulisses a imortalidade: viver eternamente com 30 anos, no mundo dela, cheio de fartura e prazeres. Ulisses preferiu voltar para Ítaca. Preferiu viver com Penélope os poucos anos que um mortal pode viver, e por isso mesmo, desfrutar de cada momento como se fosse o último.

– Um grupo de colonos nórdicos chegou às Américas no ano 1000. Eles chamaram o lugar de Vinland, porque havia histórias de que os vinhedos cresciam por todo lado nesta terra. Foram liderados por Erik, o vermelho. Mas, de vinho doce eles encontraram nada. Enfrentaram a oposição dos índios nativos e a colônia não durou muitos anos.

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Só tecnologia para cruzar os oceanos não bastava. Para haver a era dos conquistadores, 500 anos depois, tinha que ter estrutura política, social e econômica: apoio governamental, exércitos, missionários, financiamento econômico via diluição dos riscos (empreendimentos como a Companhia das Índias Ocidentais deram origem à bolsa de valores).

 

– O filósofo grego Sócrates foi condenado à morte por influenciar negativamente os jovens de Atenas.

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O julgamento de Sócrates

Ele encarou a condenação de peito aberto. Se questionar e pensar eram ofícios tão negativos assim, ele assumia que era isso mesmo que ele fazia. Sócrates não hesitou em tomar cicuta, um tipo de veneno.

 

– Uma das histórias mais bonitas de Neil Gaiman é chamada Ramadã. É sobre a maior e mais bela cidade que já existiu, Bagdá. A Bagdá das histórias das 1001 noites, dos palácios encantados, dos tapetes voadores. A Bagdá das belas dançarinas, dos mercados exóticos, dos viajantes de todos os lugares do mundo.

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Pois bem, o seu califa, Rahoun Al Raschid, estava preocupado. Bagdá era tão perfeita, e estava num momento tão bom, que ele sabia que este momento não duraria para sempre. Desceu até uma sala, onde havia dois ovos da Fênix: um branco, que geraria outra Fênix, e um preto, da qual ninguém sabia o que viria. Chamou Sandman, o senhor dos sonhos, e fez um acordo com ele: “concedeu” Bagdá a Sandman. Bagdá foi imortalizada no mundo das histórias, no mundo dos sonhos. Foi uma sábia decisão. Hoje em dia, não há mais Bagdá, e sim, o Iraque em seu lugar.

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Os dois ovos da Fênix

– Einstein e Godel passavam horas caminhando e conversando, no tempo em que os dois trabalhavam em Princeton. Albert Einstein, todos sabem, abalou os alicerces da física newtoniana. Kurt Godel era um lógico matemático, que provou que a Matemática não consegue se livrar de paradoxos (ex. o mentiroso diz “Estou mentindo”), e portanto, não é completa e consistente ao mesmo tempo: em suma, ele abalou os alicerces da matemática. As duas ciências mais exatas da humanidade tiveram as fundações questionadas por esses dois homens.

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Kurt Godel e Albert Einstein

Qual seria o nível da conversa matinal dos dois? Gostaria de ser uma mosquinha, para acompanhar.

– Um soldado japonês chamado Hiroo Onoda continuou lutando, mesmo após 25 anos depois do fim da Segunda Grande Guerra. Ele foi designado para defender uma das incontáveis ilhas do Pacífico. Os EUA nem deram bola para esta ilha, passaram direto. Quando chegaram as primeiras notícias de que o Japão tinha se rendido, alguns dos colegas de Onoda se entregaram, outros acharam que era uma emboscada americana. Com o passar dos anos, os colegas ou desertaram ou morreram.

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Onoda continou sozinho na floresta, vivendo escondido em buracos e sobrevivendo do que tinha. Ele só se entregou após o seu comandante, o mesmo que o designara para a ilha, ordenar que ele se rendesse.

 

– Steve Jobs era tão perfeccionista que vivia numa mansão praticamente vazia, porque só comprava móveis cujo design o agradava. Ele perdia semanas exigindo um design perfeito de seus produtos, desde a caixa que embalava até o mais minúsculo detalhe. “O botão do novo Mac ficou tão bonito que dá vontade de lamber”.

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– Redes Neurais Adversárias são uma das maiores inovações dos tempos atuais. A ideia das redes é uma vencer a outra: uma rede neural especializada em reconhecer letras em imagens, contra outra rede especializada em criar letras difíceis de serem reconhecidas pela primeira. Assim como na vida real, ter um adversário à altura e com objetivos opostos faz ambos crescerem mais do que seriam capazes sozinhos. Um Barcelona não seria o mesmo sem um Real Madrid.

– O filme 2001, de Stanley Kubrick, inspira o nome deste post. Este começa na pré-história, no alvorecer do ser humano, e termina no futuro das viagens espaciais. De tempos em tempos, um monolito preto misterioso aparece para a humanidade.

Monolito e alinhamento solar

A cada monolito, ocorre uma evolução. Foram apresentados aqui alguns dos monolitos que coletei durante a Odisseia do transporte em SP…

 

Trilha sonora: “A valsa das estrelas”.

Mentor, mentoring, mentorship

As palavras relacionadas a “mentor” estão na moda atualmente.

O primeiro mentor da história data de mais de 3 mil anos atrás. O nome dele era Mentor. Era o professor de Telêmaco. Telêmaco era o filho de Ulisses (ou Odisseu), o herói grego da Guerra de Troia e da Odisseia.

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Fonte: https://emptysqua.re/blog/mentoring/telemachus-and-mentor.jpg

Ulisses partiu para a guerra, retornando 20 anos depois. Enquanto isso, na angústia da espera pelo retorno de Ulisses, Telêmaco recorria a Mentor para aconselhá-lo.

 

Na mitologia grega, a sabedoria não era algo do ser humano, ela vinha dos deuses. E a deusa da sabedoria era Atena.

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Quando necessário, Atena encarnava em Mentor, para colocar as palavras de sabedoria em sua boca, e assim orientar Telêmaco corretamente.

Portanto, faz 3 mil anos que precisamos de um Mentor para que a sabedoria divina chegue a nós.

Tradição oral nas lendas antigas

Muita gente elogiou o post anterior, sobre Telêmaco Borba e as aventuras de Ulisses na Ilíada e Odisseia. Principalmente quem conhece a cidade citada.

Aproveito para fazer um gancho.

Dizem que essas histórias faziam parte da tradição oral antiga muito antes de serem transcritas para o papel, por Homero. Mais especificamente, a Ilíada verdadeira teria acontecido por volta de 1200 a.C., e a transcrição de Homero, em 800 a.C. Ou seja, uns 400 anos de diferença (a história do Brasil tem 500 anos). Neste meio tempo, a história foi transmitida de geração em geração, contada e recontada de cabeça.

Mas a Ilíada tem umas 700 páginas, dezenas de capítulos, centenas de personagens e interligações entre eles (fulano é filho de alguém que é irmão de outro, etc). E a Odisseia, idem, dezenas de capítulos com tramas intrincadas.

Fico me imaginando, como seria possível alguém decorar tanta coisa?


Outras histórias da tradição oral

Há diversas outras obras monumentais que também foram passadas de geração em geração antes de serem transcritas. Dizem que as histórias infantis dos irmãos Grimm, são uma compilação de tradições orais. A história dos três reinos, obra monumental da literatura chinesa, é outro exemplo.

Em geral, lendas antigas de culturas milenares têm esta característica, de serem passadas por tradição oral, de geração em geração, já que o papel ou não existia ou era muito caro ou muito trabalhoso para escrever. Lendas judaicas, germânicas, nórdicas, persas, mesopotâmicas, japonesas, chinesas, aborígenes, incas, maias, africanas, etc.

Portanto, contar toneladas de histórias de geração em geração não é exclusividade dos gregos.


Contos ao redor da fogueira

Em tempos antigos, não havia internet, televisão, rádio, jornal, nada. Fico imaginando as pessoas sentadas ao redor de uma fogueira, após o jantar. E um contador de histórias, narrando a jornada de Odisseus contra o Cíclope, depois contando como ele se amarrou ao mastro do navio para não ceder ao canto das sereias. Era como se fosse o cinema, ou a Netflix, da época.

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E também imagino muitas crianças, ouvindo cada parte da história com atenção, noite após noite, ano após ano. Crianças estas que crescerão, terão filhos, e recontarão as histórias antigas, acrescentando um pouquinho aqui, tirando um pouco acolá.

Provavelmente, estas histórias tiveram origens em fatos reais, numa guerra que realmente ocorrera algum dia, com pessoas reais. Mas, talvez por estimularem melhor a imaginação humana, talvez somente as versões mais fantasiosas tenham sobrevivido, com um Aquiles invulnerável com exceção do calcanhar, ou com a deusa Calipso tentando seduzir Ulisses com promessas infindáveis, ou um cavalo de madeira com guerreiros escondidos dentro dele.

Com o passar dos milênios, com o aperfeiçoamento e barateamento de tecnologias como o lápis e o papel, algumas pessoas foram transcrevendo algumas destas histórias, a fim de não esquecer, ou enviar para alguém, por exemplo.

Até chegar em um momento onde algum escriba, com meios suficientes (tempo, dinheiro, capacidade intelectual, influência) pegou dezenas de manuscritos diferentes, juntou com centenas de outros relatos orais divergentes, e compilou numa história coerente do início ao fim. Estes escribas são Homero (Ilíada e Odisseia), Irmãos Grimm (Contos de Grimm), Luo Guanzhong (O Romance dos Três Reinos), e outros Homeros equivalentes da história.

Por isso, sempre digo que o lápis, o papel e a imaginação são tecnologias muito mais importantes do que o computador, a internet e a inteligência artificial!

https://en.wikipedia.org/wiki/Iliad
https://en.wikipedia.org/wiki/Homer
https://en.wikipedia.org/wiki/Oral_tradition

Ulisses e Telêmaco (Borba)

Neste momento, estou saindo da cidade de Telêmaco Borba, no Paraná.

Não sei quem foi este tal de Telêmaco Borba, nem quando viveu, nada.

Mas conheço outro Telêmaco. De uma história de 3000 anos atrás. Telêmaco, filho do grande herói grego Ulisses e de sua esposa Penélope.

Ulisses, o mais astuto dos mortais, era o rei do pequeno estado de Ítaca, na Grécia.

Ulisses vivia tranquilamente os seus dias, comendo kibe cru nas quintas-feiras à noite com os amigos no bar Terapia, jogando tênis no Harmonia clube e saindo da cidade em alguns fins de semana, para levar a esposa Penélope, grávida, ao médico.

Quando Telêmaco finalmente nasceu, Ulisses teve de partir para a Guerra de Troia, segundo a Ilíada de Homero.

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Imagine que, nesta época, não havia um grande governo central, mas sim dezenas de cidades-estado pequenas, que viviam por si só, mas se juntavam em caso de necessidade.

E este era um caso especial. O rei de Esparta, Menelau, convocava as cidades-estado aliadas para a guerra contra Troia.

O motivo: o príncipe Páris, troiano, tinha feito algo inimaginável. Numa visita oficial de Troia à Esparta, Páris roubou Helena, esposa de Menelau.

Aliás, Helena não era qualquer mortal comum. Helena era filha de Zeus. Zeus, o deus dos deuses, costumava dar uma escapadinha da esposa Hera de vez em quando, e fazer alguns filhos na Terra. Helena era a mais bela mulher que já tinha andado na face da Terra. A mais pura perfeição em pessoa. Bruna Marquezine é nota zero se comparada com Helena…

Helena era casada com Menelau, o rei de Esparta. E Menelau, com a ajuda do irmão Agamenon (rei de Micenas), já tinha quebrado o pau com meio mundo para ficar com Helena.

Mas ela acabou sendo seduzida por Páris, com a ajuda de Afrodite, a deusa do amor. Helena acabou fugindo com Páris para a cidade de Troia.

A história da intervenção de Afrodite também merece um parêntesis. Éris, a deusa da discórdia, não tinha sido convidada para uma festa de casamento de dois deuses. A fim de vingança, ela apareceu no clímax da festa e jogou um pomo de ouro no meio do salão. O pomo tinha um bilhete, escrito, “Para a mais bela deusa da festa”. Três deusas começaram a brigar pelo pomo de ouro: Atena, Hera e Afrodite (daí surgiu o termo “pomo da discórdia”). Como não havia consenso, deixaram o abacaxi (ou o pomo?) nas mãos de Zeus, para ele decidir. Como Zeus não é bobo, ele repassou o abacaxi para frente. Chamou um mortal, que no caso era Páris, para decidir, e ponto final.

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Todas as deusas prometeram presentes, porém, no final, Páris deu o pomo para a Afrodite, deusa da beleza e do amor. Em troca, Afrodite prometeu a Páris o amor da mais bela mortal da face da Terra. E é por isso que Helena embarcou com Páris para a cidade de Troia…

Toda esta confusão para dizer que a Grécia inteira estava em guerra com Troia. Os navios partiram. O recém-nascido Telêmaco ficou aos cuidados da mãe, Penélope, que nem tinha saído do hospital Dr. Feitosa.

Além de Ulisses, diversos outros reis e heróis participaram da guerra. Ajax, Agamenon, Aquiles pelo lado dos gregos. Hector, Páris, rei Priam pelo lado troiano.

E a guerra de Troia foi uma tremenda guerra. Troia estava protegida por muros altos e impenetráveis. Os gregos não conseguiam estratégia que funcionasse. Foram 10 anos de guerra, com baixas pesadíssimas para ambos os lados.

Tudo parecia acabado quando Aquiles, o maior e mais poderoso dos gregos, morreu atingido por uma flecha no calcanhar, o famoso calcanhar-de-Aquiles. Dizem que a mãe de Aquiles, a ninfa Tétis, banhou-o no rio Styx, deixando-o invulnerável. Exceto num ponto, o calcanhar, que foi por onde ela o segurou.

No décimo ano de guerra, os gregos estavam exaustos e a ponto de desistir. Mas Ulisses arquiteta a primeira grande estratégia da história: o famoso cavalo de Troia. Os gregos fingem desistir da guerra e ir embora, deixando apenas um cavalo, em homenagem aos deuses. Deixaram um “presente de grego” (e é daí que surge o termo).

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Os troianos levam o cavalo para a cidade, como um troféu, e comemoram fartamente a vitória, após tanto tempo de guerra.

Quando chega a noite, os gregos descem do cavalo e abrem os portões da cidade para a entrada do exército grego, que estava preparado e escondido. Finalmente, eles conseguiram entrar em Troia. Vitória da Grécia. Troia é varrida do mapa, não sobra pedra sobre pedra.

Helena retorna com Menelau para Esparta. Todo mundo volta para casa. Termina a Ilíada. Começa a Odisseia.

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A Odisseia tem este nome porque Ulisses era chamado de Odisseus na mitologia grega. E o livro narra a sua volta para casa, a volta para Penélope e Telêmaco.

Ulisses embarca num navio com os companheiros. A primeira parada é numa ilha. O azar foi que esta ilha era habitada por cíclopes, criaturas monstruosas com apenas um olho. Um dos cíclopes, um tal de Polifemo, aprisiona os homens de Ulisses e diz que vai devorar um por dia. Ulisses, utilizando de suas artimanhas, consegue enganar Polifemo e cegar o seu único olho. Ulisses e seus homens aproveitam a chance e vão embora rapidinho.

O problema é que os Cíclopes são filhos de Posseidon, o deus dos mares. Posseidon não fica nada feliz com a atitude de Ulisses, e faz de tudo para atrapalhar a volta do mesmo.

Ulisses passa pelas sereias (onde ele é amarrado ao mastro para ouvir o famoso canto da sereia sem se deixar levar por ela), pela feiticeira Circe (que transforma seus homens em porcos), criaturas medonhas chamadas Cilla e Caridbe, depois vai até o inferno para perguntar o caminho que ele deveria seguir. Neste momento, todos os seus homens já estão mortos, e sobra só ele.

Ulisses vai parar na ilha de Calipso. Calipso não é uma banda de música, mas um deusa que se apaixona pelo herói. Ulisses fica 7 anos nesta ilha, onde tem tudo: o afeto de Calipso, comida e bebida à vontade, diversão, serviçais à disposição para qualquer trabalho. Mas Ulisses não estava feliz. Todos as noites, chorava na praia, querendo voltar para casa.

Zeus ordenou que Calipso ajudasse Ulisses a voltar para casa. Ela obedeceu, mas antes, fez uma proposta. Se ele aceitasse ficar com ela, Ulisses teria vida eterna e juventude eterna, além de continuar a viver como um deus em sua ilha.

A resposta de Ulisses: “Prefiro passar poucas décadas da minha vida no lugar correto do que viver a eternidade em um lugar que não é o meu”.

Assim, Ulisses deixa a ilha de Calipso. Mais algumas dezenas de dificuldades depois, Ulisses finalmente retorna para Ítaca, para os braços de Penélope, e para o seu filho Telêmaco. Foram 20 anos (10 na guerra de Troia e 10 no retorno).

E, finalmente, Ulisses conseguiu completar a sua missão. Encontrou o seu lugar na cidade de Telêmaco Borba e passou o resto de seus dias na companhia da mulher e filho, às vezes andando de bondinho. O almoço, normalmente na Tec’s. Em algumas quartas-feiras, uma pizza na Torre. Ele também não tinha perdido o hábito de ir às quintas à noite encontrar os amigos no bar Terapia. E, para fechar as suas aventuras, de vez em quando um futebol na Lagoa.

Arnaldo Gunzi
Fev 2016



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