A tartaruga do longo prazo e a lebre do curto prazo (Ou de burst em burst até o burnout)

O fluxo inexorável do longo prazo é como se fosse a tartaruga, enquanto a rápida e saltitante lebre é como se fosse o curto prazo.

A fábula clássica de Esopo mostra a lebre pulando rapidamente, depois cochilando para descansar. Enquanto isso, a tartaruga vai avançando, com o seu passinho ritmado e contínuo, passo a passo…

Imagine a lebre trabalhando duro, até tarde da noite, com uma montanha de tarefas e com a pressa de resolvê-las todas de uma vez. De burst em burst de trabalho, ele chega ao burnout – doença dos tempos modernos, completo esgotamento mental da pessoa.


A tartaruga troca o burst pela pressão firme e contínua. Investe a longo prazo, tendo a favor os juros compostos. A lebre quer maximizar o EBITDA trimestral, obter ganhos de curto prazo.

Por fim, a tartaruga do longo prazo está lá longe, andando devagar e sempre. A lebre não dá a menor bola, até que, quando percebe, a tartaruga já mordeu o seu calcanhar…

Força x Persistência

Nos tempos de faculdade, muitas pessoas varavam a noite na véspera de uma prova.

Eu fazia o oposto. Estudava com vários dias de antecedência, dava uma revisada na véspera, e ia passear, sossegado.

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Isto é do estilo de cada um, o desempenho dos que varavam a noite não era necessariamente melhor ou pior.

Talvez tenha aí um pouco da minha herança oriental – pensar no futuro, poupar, valorizar o longo prazo.

Paciência no lugar de pressa. Ir devagar e continuamente, ao invés de ir aos saltos.
Isto continua até hoje. Nos projetos em que participo, prefiro trocar força e intensidade por persistência e paciência.​

Mais ou menos como o conto de Esopo, da tartaruga e do coelho.
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Vejo muitos trabalhos de consultoria que são intensos e pontuais, um deus-nos-acuda de trabalho em pouquíssimo tempo, como uma marretada. Depois que a consultoria faz o ppt, vira as costas e vai embora, tudo volta a ser como era antes. E daí, a diretoria contrata outra marretada, depois outra, até que alguma coisa quebra no meio do caminho.

 

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A alternativa à marreta seria uma prensa, que vai constantemente pressionando, com força gradativamente maior, sem tirar a pressão.

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Não dá para dizer que uma característica é sempre melhor que a outra, depende do contexto… mas já vi várias tartarugas devagares e sempre superando coelhos que pulam para a frente e depois estacionam sem avançar…