O sistema de Putin

Recomendação de documentário para o fim de semana: O sistema de Putin.

Este documentário, de 2007, mostra a história e ascenção ao poder do temível Vladimir Putin.

Início da carreira:

  • Começou como oficial da KGB, chegando a tenente-coronel
  • Viveu a dissolução da URSS em 1991, para ele, a “maior catástrofe geopolítica do século 20”
  • Passou a exercer cargos públicos a partir de indicação de aliados

Após a dissolução da URSS:

  • Atuou com privatizações e abertura a bancos estrangeiros
  • A Rússia de Bóris Yeltsin tornou-se dominada por oligarcas ricos a partir das privatizações, “a família”
  • Por volta de 1999, quando ficou claro que Bóris Yeltsin não conseguiria mais se reeleger devido à idade e saúde, a “família” estava à procura de alguém inofensivo e jovem, para servir de marionete
  • Putin parecia um bom candidato: era muito eficiente, não tinha tido um cargo alto à KGB, era fiel aos seus superiores… ledo engano

Primeiro-Ministro e Presidente:

  • Yeltsin nomeou Putin primeiro-ministro, após este ajudar a tirar de cena um inimigo político
  • Putin era desconhecido de todos em 1999
  • Um de seus primeiros atos foi culpar a Chechênia por ataques terroristas, e ordenar um ataque ao país
  • Ele utilizou as estatais de energia (petróleo e gás) como arma para financiamento de campanhas e para atacar inimigos
  • A partir de então, utilizou a máquina pública para se eleger presidente e não parou mais
  • Expurgou oligarcas como Bóris Berezovsky (o mesmo da obscura parceria com o Corinthians), mostrando quem mandava de verdade

O documentário é de 2007 apenas, e de lá para cá muita água rolou. Ele essencialmente comanda a Rússia até hoje, alternando entre presidente e primeiro-ministro. É, na prática, o czar da Rússia, assim como Xi Jiping é o imperador da China – o mundo dá voltas, mas a história se repete.

Putin sempre deixou claro o seu objetivo de criar uma grande Rússia. É um sujeito frio, gélido, e extremamente eficaz: promete e cumpre. Ele joga um xadrez político-militar, se preparando pacientemente o momento certo – enquanto o ocidente não está nem perto de ter a mesma capacidade.

Um trecho do documentário diz algo como “o ocidente não conhece Putin. Vai conhecer um dia, e quando isso acontecer, será tarde demais”. Palavras proféticas.

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O Ártico é um monte de gelo inútil?

A quem interessaria a fria e inóspita região do ártico, com seus ursos polares?

Resposta: à Rússia, que fincou uma bandeira no fundo do mar e há décadas reivindica a posse de largas extensões territoriais, nesta verdadeira Terra de Ninguém. O ártico tem recursos naturais estimados em 90 bilhões de barris de petróleo, 1700 trilhões de pés cúbicos de gás, minerais como cobre e níquel, além de fazer fronteira com países de outros continentes (Canadá, Noruega, Suécia).

Os efeitos de aquecimento global tendem a derreter parte do gelo e aumentar a importância da corrida ao Ártico.

A Rússia mantém bases militares e já sugeriram renomear a região como “Mar Russo”.

Os EUA estão vários passos atrás dos russos. Um exemplo ocorreu anos atrás, em que um navio quebra-gelo russo resgatou um navio americano – um feito de colaboração entre países, porém também um indicativo de quem dá mais prioridade à área.

O ártico é um dos capítulos de “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall. O autor fala sobre geopolítica, incluindo EUA, China, Índia, África, América do Sul, explica efeitos da geografia e história dessas regiões.

Foi o livro mais interessante que li nesta pandemia. Fica a indicação.

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Versão áudiolivro:
https://www.audible.com/pd/Prisoners-of-Geography-Audiobook/B06XQ4SFN8?qid=1590034595&sr=1-2&ref=a_search_c3_lProduct_1_2&pf_rd_p=e81b7c27-6880-467a-b5a7-13cef5d729fe&pf_rd_r=744A5SATE6HSMHK38ZF8

https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070802_russia_articorg.shtml