Não tenha medo de ensinar os seus truques

Existe algo contra-intuitivo no mundo, relativo ao medo de ensinar outras pessoas.

Conhecimento é uma forma de poder: “se muita gente souber o que faço, não consigo me diferenciar da média”.

Entretanto, o que vejo é exatamente o contrário: quanto mais você ensina os outros, melhor.

Primeiro, você aprende fatos e truques novos ensinando os truques antigos.
Segundo, passando a bola para outros, é como se você conseguisse novos braços para fazer o trabalho.
Terceiro, dá para pedir a ajuda do colega, quando for a sua vez de não ter o conhecimento.

Existem pessoas que vão apenas sugar e não vão contribuir. Não se alie a sanguessugas, cínicos e quem só quer atrapalhar. Alie-se a quem coopera.

A longo prazo, a cooperação sempre vence o individualismo.

O autor Richard Dawkins criou o termo “meme”, em alusão ao gene. O gene é uma unidade de informação genética, o meme seria uma unidade de ideia, que é transmitida entre pessoas.

Se a ideia é meme, este texto é como se fosse um vírus: um invólucro de informação que carrega o código genético.

Ensinar as pessoas seria como replicar parte do seu DNA. Transmitir as ideias que você considera corretas e fazer elas sobreviverem além de si mesmo.

Uma ideia sua = 1000 ideias de outros

Ter ideias próprias é muito difícil.

papo_ideia.jpg

As pessoas “Originais” criam as ideias, e as pessoas “Refletoras”, que são a grande maioria da população, apenas as repetem.


Uma pessoa original cria um novo tipo de sorvete, digamos a tal de paleta mexicana. Pouco tempo tempo, começam a surgir em todo lugar concorrentes desta paleta, e pululam na internet receitas do mesmo. É como um vírus, um vírus de ideias, que é criado por alguém e se espraia por todo lugar.

Paleta.jpg

O teórico de evolução Richard Dawkins chamou este pedacinho de ideia que se reproduz de “meme”, em analogia ao “gene”. O criativo marketeiro Seth Godin chamou o meme de “ideiavírus”, décadas depois.


Senso comum?

Aliás, o pessoal de marketing e de ideologia é muito bom em criar argumentos fortes que servem para influenciar os outros. O que é senso comum hoje pode ser sido formado pela opinião de meia dúzia de pessoas.

Vide o fenômeno recente que vem ocorrendo no Brasil. Um partido, que não quer deixar o poder, repete à exaustão algumas ideias, como “não vai ter golpe”, “Impeachment é golpe”. Depois, eles perceberam que não colou, porque o impeachment está na constituição. Remendaram a frase: “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”, para ficar mais difícil alguém contra-argumentar. Esta é uma “Zika IdeiaVírus”.

Definição

Zika IdeiaVírus: Argumentos criados por ideologia e repetidos à exaustão, que podem ou não ter lógica.

ZikaIdeiaVirus.jpg

O próprio sistema de ensino induz as pessoas a não pensar. Num livro didático, há a sua resposta e a “resposta correta” no final do livro. A sua resposta nunca vai ser a correta, a menos que seja igual à que está no livro. Com o tempo, o aluno já olha direto para as respostas, sem nem questionar.

Num mestrado acadêmico, primeiro temos que ficar meses estudando a bibliografia de dezenas de pessoas antes de começar a escrever nosso próprio trabalho. Proponho que seja o contrário, primeiro desenvolvemos a ideia, e se der tempo, damos uma olhada nas respostas existentes.

A Internet piorou as coisas. Agora é muito mais fácil procurar as “respostas corretas”, sem pensar. E ficou muito mais fácil para “formadores de opinião” profissionais criarem ZikaIdeiaVíruses.


Dicas para forçar a criação de ideias originais:

  1. Não “Ver a resposta”. Primeiro, procurar resolver por si só.
    Ex. Todos os algoritmos dos cubos mágicos aqui deste site foram desenvolvidos por mim. Vide post: Dodecaedro mágico e X-Cube. Certamente não são os mais eficientes do mercado, mas são originais.
  2. Tente criar novas palavras e conceitos, isto é bem divertido.
  3. Criar a sua própria arte: poesia, música, desenho, um blog na internet…
  4. Fazer, ao invés de teorizar. Quanto a isto, vide post: 1 Kg ação = 1 ton de teoria
Megaminx

O Meme de computador

O que é (ou deveria ser) um meme?

A grande maioria das pessoas acha que um “meme” é uma figura com alguma frase escrita sobre ela, com alguma finalidade humorística.

images

 

Mas um “meme” é muito mais do que isto. A palavra “meme” foi criada pelo cientista Richard Dawkins, em seu livro de 1976, “O gene egoísta”.

 


Richard Dawkins é grande defensor do Darwinismo: a ideia de que as espécies animais passam pelo processo de evolução natural, em que as espécies mais bem adaptadas ao ambiente sobrevivem.
 

Uma dos grandes avanços da ciência foi a descoberta do DNA. É através da informação genética que as características dos pais são transmitidas a seus filhos. Está tudo codificado nos genes: cor do cabelo, formato das mãos, altura, etc.

gene

A ideia é que um “gene” transmite uma unidade de informação biológica do pai para o filho.
 

Já um “meme” é algo que transmite uma unidade de informação cultural de uma pessoa para outra.
 

Portanto, uma ideia que é transmitida de uma pessoa à outra é um meme: “Se é Bayer é Bom”, “rouba mas faz”, “pior que está, não fica”, “aqui é Corinthians”. São ideias virais, e o que é transmitido pelo “vírus” é o “meme”.
 

Esta ideia memética pode ser uma música, uma fofoca, uma ideia, uma figura, um vídeo, e até um… meme de computador!


 

Todos nós recebemos e transmitimos um monte desses memes de informação ao longo do dia. Somos uma composição dos memes que chegam a nós e que permitimos que sejam incorporados à nossa personalidade.

 
Portanto, um “meme de computador” é um “meme”, mas um “meme” engloba um conceito muito maior do que o de “meme de computador”.

 

Arnaldo Gunzi

Jul 2015