Gol da Argentina. Caniggia, 1990.

A vitória da Argentina na Copa América 2021 me trouxe à memória uma cena de 30 anos atrás.

Copa do Mundo de 1990. O Brasil em festa: Copa do Mundo! Eu era criança, e tudo era mais divertido. Ingênuo.

Era um Brasil diferente. Eu tenho a impressão de era extremamente mais patriótico do que é hoje. Todo mundo que eu conhecia torcia para o Brasil, que estava num jejum de títulos havia 20 anos.

O Brasil começou bem na Copa. Técnico Lazaroni. Grandes nomes como Muller, Careca, Branco. A seleção passou fácil pela primeira fase.

Nas oitavas, a Argentina. Tinha um tal de Maradona, muito famoso, que estava em baixa na época. Um sujeito muito louco, diziam que se drogava.

Eu não entendia nada do que estava ocorrendo, só tinha o sentimento de que o Brasil era inderrotável.

Porém, o doidão do Maradona saiu driblando todo mundo no meio campo, lançou uma bola para um certo Caniggia, que fez um belo gol no brasileiro Taffarel. Nunca tinha ouvido falar em Caniggia, depois desse dia, nunca mais esqueci esse nome.

“Ora, é só fazer dois gols”, ecoava na minha cabeça infantil. Eis que o tempo passava, e nada. Careca, nulo. Cadê o Muller? Brasil fora. Pessoas tristes, e eu sem entender nada. Era possível o Brasil perder?

Depois, comentários: o Dunga deveria ter feito falta no Maradona no início da jogada. Lazaroni foi burro, 3-5-2 não funciona, etc..

Trinta anos depois, outros nomes, outro palco, Copa América. Messi em final de carreira, não jogou nada. Neymar, até tentou. Ao invés de Caniggia, Di Maria foi o nome do jogo.

Porém, o que mudou mesmo foi a torcida. O Brasil, o mundo. Muita gente torcendo contra, transformando futebol em política e vice-versa. A grande maioria nem ligando. Ou sempre foi assim mas eu não sabia quando pequeno, não sei dizer.

Eu mudei também: o gol de Di Maria não trouxe alegria nem tristeza. Nem se compara ao gol de Caniggia.

Seja como for, era tudo muito mais divertido e ingênuo naquela época: o futebol, o Brasil e o mundo.