Só o gagá salva!

Testei o LinkedIn Learning e algumas outras plataformas de EAD nas últimas semanas, e a ideia aqui é fazer uma breve comparação.

O IN Learning adquiriu a plataforma chamada Lynda.com, e é nele que os cursos se baseiam.

São vídeos, muito bem produzidos, com foco em áreas: business, creative and technology.

Cada mini-curso desses tem quizzes, não muito difíceis, e emitem um certificado de conclusão ao final – certificados esses que podem ser colocados no perfil do LinkedIn.

Há algumas modalidades de assinatura premium do LinkedIn, que fornecem acesso aos cursos desta plataforma – o mais barato era de R$ 40,00 mensais. Há uma opção de trial por um mês, podendo ser cancelado a qualquer momento.

Dos cursos que fiz, não achei os temas profundos e também não há uma prova ou trabalho de conclusão ao final. Os cursos são, em geral, uma introdução.

Em comparação, a Udemy também tem cursos com vídeos apenas (vide review).

A Coursera apresenta vídeos, quizzes e testes, em cursos um pouco mais longos (vide review).

A Udacity, na modalidade nanodegree, tem cursos bem pesados e profundos, com projetos bastante demandantes (vide relatório). Outras, como a própria Coursera e EDX também têm programas mais profundos.

Em geral, os cursos mais simples são mais baratos (algumas dezenas de reais e poucos dias). Os cursos com testes são um pouco mais caros, centenas de reais e algumas semanas. Os nanodegrees, milhares de reais e alguns meses – investimento proporcional ao tempo e profundidade abordadas.

Para falar a verdade, os cursos on-line são um apoio, mas o melhor meio de aprender é pela forma tradicional: meter a cara nos livros (hoje em dia, muito fáceis de conseguir), ficar sábados, domingos e madrugadas numa mesa, estudando para valer.

E não é o certificado que conta, mas a capacidade de fazer alguma coisa útil no mundo real com a capacidade adquirida.

Não é o professor que tem que ensinar, não é a beleza do vídeo produzido que vai fazer alguma diferença. É o aluno que tem que aprender, seja vendo vídeo no Youtube, conversando com outros feras do assunto ou devorando livros. É a capacidade da pessoa aprender que conta, no final do dia.

No célebre Instituto Tecnológico de Aeronáutica, há um termo que expressa de forma única este sentimento: Só o gagá salva!

Sobre a métrica correta

Outro dia, vi um post de alguém que dizia ter mais de 1000 views diários de seu perfil profissional no LinkedIn. Ela dava dicas de como ter “sucesso” na rede – possivelmente venda e lucre com isso também.

Ora, o meu perfil no mesmo tem menos de 1 view por dia. Isto não faz a menor diferença, não me torna um profissional melhor ou pior. Não é a métrica correta: views no perfil tem zero correlação com um bom trabalho profissional em sua área de atuação.

Algumas métricas melhores: Estou feliz com que faço? Tenho harmonia no mundo profissional e isto não perturba a harmonia em casa? Agrego valor de verdade com o meu labor? O que fiz vai retornar para a sociedade, direta ou indiretamente? Estou com a consciência limpa? No final do dia, valeu a pena?

 


 

Poema em linha reta – Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

 
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?