Da árvore ao papel, do papel à nossas vidas

Hoje (19/04/2017) a Klabin S.A. completa 118 anos de idade. Numa época conturbada como a nossa, onde metade das empresas não passa de 4 anos de vida, podemos perguntar Qual o segredo para viver tanto?


 

A Klabin
A Klabin é uma das maiores empresas do Brasil na área de papel e celulose. No dia-a-dia isto se traduz em caixas de leite, caixas de suco, embalagens de fruta, caixas de panetone, saco de cimento, saco de argamassa, enchimento de fraldas e tantos outros produtos.

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A embalagem ou saco é o produto final. Mas o papel não surge do nada. Há um tremendo processo industrial para a produção do papel, e haja papel: são quase 3,5 milhões de toneladas de produto acabado, segundo a apresentação institucional (link no anexo).
O papel vem da madeira. A madeira é picada, cozida com produtos químicos numa panela de pressão gigante, as fibras são separadas, prensadas e secas até virar papel.
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E se a quantidade de papel é gigantesca, a de madeira é maior ainda. Sendo mais ou menos 3 toneladas de madeira necessárias para cada tonelada de papel, dá cerca de 11 milhões de toneladas de madeira por ano! Isto dá 300 mil viagens por ano (da floresta à fabrica) de um caminhão bi-trem com 39 toneladas líquidas.
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São duas espécies principais: o eucalipto e o pinus. Cada uma tem uma característica diferente. O eucalipto produz um papel de mais qualidade para imprimir e escrever. O pinus produz um papel mais forte, necessário para embalagens robustas. Por exemplo, a caixa de leite explodiria ao cair no chão se o papel da embalagem não viesse do pinus.

Planejamento e Gerenciamento

As árvores não surgem do nada, não estão aí dando sopa para serem derrubadas. Muito pelo contrário, as árvores têm que ser plantadas, cuidadas e colhidas no seu tempo certo, respeitando o meio-ambiente. As árvores demoram para crescer (7 anos para o eucalipto e 14 anos para o pinus). Longos ciclos requerem uma vasta área plantada, mais precisamente uma área equivalente a 250 mil campos de futebol, localizada nos estados do Paraná e Santa Catarina. Uma área vasta e longos ciclos de vida das árvores requerem um planejamento e um gerenciamento cuidadosos.

Profissionais

Os fatos citados acima requerem profissionais dedicados e talentosos. E chegamos aqui ao primeiro grande segredo de uma boa empresa: ter bons profissionais e cuidar bem destes, com muito respeito, ética e transparência, treinamento, suporte quando necessário, benefícios além do salário. A Klabin ganhou vários prêmios recentemente, por boas práticas de Gente e Gestão: 50 empresas mais amadas pela Love Mondays, Prêmio Ser Humano 2016 – ABRH-PR, Empresa do ano 2015 pelo Grupo gestão RH, etc..
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Relação com comunidades
Uma área vasta em um lugar remoto requer pessoas tomando conta. E é isto o que acontece, com monitoramento constante, vigias, guardas de incêndio… Mas, além dos profissionais próprios, é necessário algo muito mais importante, e aqui vai o segundo segredo: uma relação de muita confiança e respeito com as comunidades locais. Dar valor às pessoas ao redor, através de oportunidades de trabalho e de comércio, programas de incentivo socioambiental, fomento, educação técnica e ambiental.
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Uma empresa que cuida das pessoas dentro e fora dela, também será muito bem querida e cuidada por estas. É uma relação de reciprocidade. A nível local tais programas são custos para a empresa, mas a nível global, o que são as pessoas ao nosso redor senão nossos vizinhos, parentes e amigos?

Meio-Ambiente
A natureza não é feita apenas de eucalipto e pinus, mas sim de centenas de espécies diferentes de plantas e animais. Para preservar a biodiversidade e minimizar o impacto da operação humana, são tomadas ações como a manutenção de área nativa (para cada hectare de área plantada há um hectare de mata nativa preservada), o plantio em mosaico (alternando mata nativa e área plantada), certificações internacionais (selo FSC – Forest Stewarship Council), orientação de melhores práticas junto a comunidades (Programa Mata Legal), monitoramento da fauna, flora, nascentes de rios e outros.
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Plantio em mosaico
Cuidar do meio-ambiente significa custos, custos representam EBITDA trimestral menor. Mas o EBITDA mede somente o curto prazo. A natureza funciona a longo prazo, não está nem aí para o trimestre. A natureza não aceita desaforo, se não for bem cuidada, um dia chega a conta, com juros e correção monetária, em proporções capazes de expulsar qualquer empresa: erosão, pragas, falta de água, desequilíbrio climático. Este é o terceiro segredo. A empresa deve ter um grande respeito com a natureza, para viver 118 anos.
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Desempenho Econômico
Por fim, deve-se buscar um desempenho econômico de ponta, performance melhorada continuamente, baixos custos, alta qualidade dos produtos, inovação, pesquisa. Mas isto praticamente todas as boas empresas fazem, não é um grande segredo e não será a ênfase deste texto.

Parabéns!
Respeito ao meio-ambiente, respeito às comunidades, respeito aos funcionários e contínua performance econômica.
Parabéns à Klabin S.A. pelos seus 118 anos, e que venham mais 118 pela frente!
*Este texto é apenas uma homenagem dos autores, não representa necessariamente a opinião da empresa.
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Saiba mais:

Wolff Klabin, a trajetória de um pioneiro

A Klabin S.A. é a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil.

Parte da bela história de 120 anos da empresa é contada no livro “Wolff Klabin, a trajetória de um pioneiro”.

 

LivroWolffKlabin

 


Os primórdios

 

Maurício Klabin chegou ao Brasil em 1889, fugindo da perseguição a judeus na Lituânia, na época sob o domínio da Rússia. Trazia 20 quilos de tabaco e 20 libras esterlinas.

Começou a trabalhar numa papelaria na Av. S. João, em São Paulo, depois passou a ser proprietário da mesma.

 

Nos anos seguintes, vieram irmãos e tios da Lituânia. A família era de Klabins e Lafers. A família Lafer já tinha relações de parentesco desde a Lituânia.

 

Em 1899, funda a Klabin Irmãos e Cia, cujos produtos eram livros em branco, papel para escrever e seda, importando material da Europa. Este ano é considerado o ano de fundação da empresa, embora a fábrica de papel viesse muito tempo depois.

 

A principal matéria prima utilizada pela empresa era o papel, importado da Europa. O Brasil tinha poucas fábricas, e as que existiam trabalhavam com papel de menor qualidade.

 

Em 1903, a Klabin irmãos arrenda a Fábrica de Papel Paulista, produzindo 700 t anuais: papel de embrulho, livros-caixa.

 

Em 1909, inaugurou nova fábrica em SP, com maquinário importado – a nova fábrica foi chamada de Companhia Fabricadora de Papel.

 


Wolff Klabin

 

Wolff Chegou ao Brasil com 10 anos, em 1902. Vendedor nato, trabalhou como caixeiro viajante da companhia, vendendo material de papelaria.

 

Wolff não fazia parte diretamente do núcleo da familia Klabin que era dona da empresa. Era uma espécie de primo “pobre” que teve que percorrer um caminho diferente: mostrar primeiro seu valor como empreendedor, e depois ser aceito.

 

Ele teve um bom desempenho como vendedor, e foi transferido definitivamente para a filial de Porto Alegre, na época da Primeira Guerra Mundial.

 

Devido à guerra, surgiram dificuldades na importação e, consequentemente, escassez de papel. Com isso, surgiram oportunidades. Houve um grande estímulo à produção nacional de papel.

 

Os anos de Wolff em Porto Alegre mostraram-se muito importantes, não só pelo seu desempenho na empresa, mas também por fazer contatos que abririam muitas portas no futuro.

 


A Segunda Geração da Klabin

 

Pelos anos 1920, Wolff foi chamado a SP, pelo bom desempenho no Sul. Ele e Horácio Lafer formaram o núcleo da segunda geração da Klabin, após a morte de Mauricio.

 

Horácio era o intectual, acadêmico e descendente da família. Wolff era o pragmático, o self made man empreendedor. A Klabin era uma empresa média na época.

 

Ambos tornaram a Klabin uma gigante nacional.

 

No final dos anos 1920, Wolff mudou-se para o Rio, onde a Klabin tinha a necessidade de ser mais atuante. Foi um golpe do destino, que permitiu uma série de eventos fortuitos que serão descritos mais para frente.

 

As conexões de Wolff com políticos gaúchos e cariocas abriram uma série de portas para a companhia. E também por isso, Horácio Lafer foi Ministro da Fazenda de Getúlio Vargas.

 

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A Companhia Fabricadora de Papel tinha produção de 6.700 ton em 1927. Mas grande parte da matéria-prima continuava sendo importada. Wolff via a necessidade de ter matéria-prima própria para a fabricação de papel.

 


A Fábrica de porcelana

 

Em 1931, Wolff arranjou a aquisição da Manufatura Nacional de Porcelana. O Visconde de Moraes, já velho e afastado da operação, queria que Wolff assumisse. O Visconde faleceu anos depois.

 

Wolff liderou a reorganização da fábrica de porcelana, com gestão moderna, importação de tecnologia e know how. Passou a ser a maior fábrica de porcelana do mundo, na época.

 

O sucesso da fábrica de porcelana garantiu um fluxo de caixa que permitiu o grande salto futuro da empresa, a aquisição de terras no Paraná.

 

Um outro empreendimento ocorreu em 1935. Associada a Votorantim, os Klabin fundaram a Companhia Nitroquímica Brasileira. Era uma fábrica de tecido sintético, o rayon.

 

O rayon foi superado por uma inovação tecnológica superior, o nylon, e a Klabin decidiu não investir para acompanhar esta evolução: encerrou sua participacao na nitroquímica.

 


A fazenda Monte Alegre

 

O grande salto da empresa foi a aquisição da base florestal do Paraná, na fazenda Monte Alegre, que fica na cidade que atualmente é conhecida como Telêmaco Borba.

 

Mosaico
Foto do plantio em Mosaico das florestas da Klabin

 

Manuel Ribas era governador do Paraná, e já conhecia Wolff da época de Porto Alegre. Havia uma grande porção de terras administradas pela Companhia Agrícola e Florestal de Monte Alegre, mas esta companhia fora à falência. Ribas ofereceu as terras aos Klabin, que há muito tempo já sentiam a necessidade de ter matéria-prima nacional de qualidade.

 

Em 1933, a Klabin arrematou as terras, num leilão organizado pelo governo do Paraná. Não dava para deixar passar a oportunidade de adquirir um extensão tão grande e importante de terras propícias para a plantação de pinus. A fábrica de papel em si ficaria para depois. Havia inúmeros problemas como a falta de infraestrutura logística. Mesmo se tivesse a fábrica, deveria haver um investimento gigantesco em estradas e infraestrutura.

 


A fábrica de Telêmaco Borba

 

Em 1939, começa a Segunda Guerra Mundial. E, com isso, as importações ficaram mais difíceis, incluindo a celulose para fazer papel-jornal.

 

Getúlio Vargas consultou Assis Chateaubriand sobre a possibilidade de construção de uma grande fábrica de papel no país. Getúlio se preocupava com a possível falta de papel, e Chateaubriand era dono de um império de jornais e comunicação na época. Chatô recusou, por não ter terras para plantação, não ter know how e seu negócio ser comunicação. Mas ele indicou os Klabin para tocar o negócio e intermediou o encontro.

 

Vale lembrar que o jornal era uma das principais formas de comunicação de massa do século passado.

 

Getúlio ofereceu financiamento, mercado garantido e um ramal ferroviário.

Àquela época, os Klabin já estavam estudando a importação de equipamentos e toda a estrutura necessária para a implantação de uma fábrica de papel em Monte Alegre. Além dos custos de importação e da infra estrutura, era necessária uma quantidade grande de energia elétrica. Tudo isto tornava o investimento muito pesado.

 

Depois de muita negociação, o governo federal e a Klabin entraram num acordo de financiamento para viabilizar a construção da fábrica.

 

Em 1942 foi lançada a pedra fundamental da Indústria Klabin de Papel e Celulose, IKPC, e da represa Mauá, para fornecimento de energia.

 


A fábrica de Monte Alegre em funcionamento

 

Em 1942, a Companhia Fabricadora de Papel produzia 15 mil toneladas por ano.

 

Em 1945 iniciou-se a produção na fábrica de Monte Alegre. Em 1946, a capacidade era de 80 mil toneladas ano.

 

Inúmeros problemas técnicos tiveram que ser superados. Problemas como quebra do papel, e cor da fibra. A fibra era escura demais, porque as árvores eram muito velhas. Mas depois de muitos anos de aprendizado e trabalho, tais problemas foram sendo contornados.

 

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Foto da Fábrica de Monte Alegre atualmente.

 


Planejamento Florestal

 

Era comum na época a indústria ser predatória. A Klabin foi uma das empresas pioneiras no Brasil, em termos de reflorestamento. Desde o início das operações, já havia a preocupação com a sustentabilidade ambiental da empresa a Longo Prazo.

 


A terceira geração

 

Em 1957 Wolff Klabin faleceu, e em 1965, Horácio Lafer. A segunda geração estava saindo de cena, passando o bastão para a terceira geração. Mas, desta vez, foi diferente.

 

A empresa Klabin da época começou um processo de profissionalização de sua gestão, com executivos profissionais do mercado e estrutura de governança para o conselho. Foi uma das primeiras empresas brasileiras a tomar tal iniciativa.


A Klabin hoje

Em 2016 a Klabin deu outro salto de produção, com a inauguração de uma fábrica nova de celulose, o Projeto Puma, no município de Ortigueira (vizinho a Telêmaco Borba). Na época, o maior investimento privado do Paraná, com números extraordinários:

  • 8,5 bilhões de reais em investimentos totais,
  • 1,5 milhão de toneladas na produção anual de fibras (curta e longa),
  • 1,4 mil empregos durante a operação da fábrica,
  • 270 MW de energia gerada (sendo 150 MW vendida como excedente),
  • 200 hectares de área construída,
  • 72 quilômetros entre a floresta e a fábrica,
  • 700 milhões de reais em impostos gerados.

Hoje a Klabin continua sendo uma das maiores empresas do setor, com mais de 15 mil funcionários e produção de 3,5 milhão de toneladas de papel e celulose por ano.

Em 2019, a Klabin fez mais um anúncio de expansão, o Projeto Puma II. Serão investidos mais de R$ 9 bilhões, quebrando o próprio recorde de maior investimento privado no Paraná. O projeto prevê duas máquinas de papel kraftliner, previstos a entrar em operação em 2021 e 2023, e segundo o site de relações industriais da empresa, o volume de produção fará da empresa o terceiro maior vendedor de papel kraftliner do mundo!


Nada mal para uma empresa que começou com um imigrante trazendo 20 quilos de tabaco na bagagem.

Arnaldo Gunzi

Links:

Link da Amazon: https://amzn.to/2ScA1aK

Klabin vai investir R$9,1 bi no projeto Puma II até 2023

RI Klabin sobre o Puma II

https://www.klabin.com.br/pt/a-klabin/unidade-puma/projeto-puma


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Agradecimento especial a Cláudio Galuchi por emprestar o livro.