Revolução à vista: BC libera WhatsApp Pay

O pagamento por celular será uma mudança disruptiva na forma com que convivemos com pagamentos e bancos.

Na China, o Ali Pay e o WeChat Pay já são realidade há uns 5 anos. TODO mundo usa pagamento por celular. Para comprar na vendinha de produtos, no táxi, no restaurante, tudo. Algumas vantagens: taxas mais baixas, facilidade no envio de dinheiro entre pessoas (como o tradicional presente de ano novo chinês). Novos produtos: microempréstimos, microdoações. Uma quantidade enorme de chineses nem tem cartão de crédito, mas tem o Ali Pay.

Até os mendigos chineses aceitam o Ali Pay!

Só turistas utilizam cartão de crédito. A maioria das lojas nem aceita cartão. Numa vez que tentei usar, o atendente nunca tinha visto um cartão de crédito!

Os grandes bancos que se cuidem!

https://www.techtudo.com.br/noticias/2021/03/whatsapp-pagamentos-banco-central-libera-servico-no-brasil.ghtml

O país que não aceita cartão de crédito

Um aviso aos turistas: ninguém aceita cartão de crédito na China!

 

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Fui à China, todo confiante que os meus cartões Visa e Mastercard seriam aceitos em muitos lugares. Qual nada. O mesmo vale para outros cartões americanos, Amex, Dinner’s club.

 

Primeiro, quem aceita cartão de crédito: Os hotéis aceitam. Grandes lojas, idem. Alguns restaurantes. Mas a chance de ficar na mão é enorme!

 

O comércio, em geral, não aceita cartão. O táxi não aceita. Restaurantes, em geral, não aceitam, mesmo em cidades gigantescas como Beijing e Shanghai. E, a tendência não é boa. A cada dia que passa, menos lugares estão aceitando cartão de crédito. Chega a ser desesperador!

 

 

Desisti de passar o cartão após este ser recusado 4 vezes seguidas. Em metade das vezes, o atendente nem sabia o que fazer com o cartão – ele não sabia se era só para aproximar, ou passar ao lado da máquina, ou inserir na máquina. O rapaz inseriu, apareceu uma mensagem, coloquei a senha, mas deu algum erro bizarro, uma mensagem em chinês. Fiquei com medo de bloquear o cartão (ainda tinha hotel a pagar) e passei a usar só dinheiro. Procurei uma casa de câmbio e troquei dólares de reserva por um bolo de yuans. Pelo menos, eles aceitam dinheiro vivo (por enquanto).

 


 

Então, se não usam cartão, usam o que?

 

A resposta é simples. Usam WeChat. Ou AliPay. Ou alguma outra modalidade de pagamento via celular de mesma natureza.

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Pelo que entendi, olhando as pessoas e conversando com o pessoal da Missão China StartSe, é o seguinte.

 

– O caixa registra as compras
– O comprador abre o WeChat (ou algum outro), e pelo celular gera um código QR
– O caixa escaneia o código QR
– Confirma e pronto, acabou.

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Vídeo mostrando várias aplicações.

 

Eu tentei abrir uma conta de pagamento no WeChat, mas não consegui. É necessário ter conta em um banco chinês, de modo que um estrangeiro nunca vai conseguir usar tão facilmente.

 

Os chineses nunca chegaram a ter cartão de crédito. Eles pagavam tudo em dinheiro. Pularam a etapa do cartão de crédito e foram direto para a era do dinheiro pelo celular.

 

Segundo minhas fontes (nota sobre fontes*) esta tecnologia de transação por celular surgiu para preencher uma necessidade. No e-commerce, como o vendedor e o comprador vão poder confiar uns nos outros, se um dos dogmas daqui é desconfiar primeiro? A solução dada pelo Tao Bao (site de vendas, do grupo AliBaba) foi ele mesmo intermediar isto. O site recebe o pagamento do comprador, segura até o vendedor entregar, e só depois libera a verba.

 

Ora, mas se toda a transação já era eletrônica, não era necessário um banco, o próprio AliBaba poderia ser o banco. Daí, criaram o AliPay.

 

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O WeChat é uma espécie de Whatsapp chinês, muito comum no Império do Meio. Também passaram a intermediar transações, concorrendo com o AliPay.

 

As taxas das transações por celular são baixíssimas. Os teraytes de dados de consumo gerados são fonte inestimável para Big Data. Toda esta informação possibilitou dezenas de outros produtos financeiros adicionais.

 

 

Tendo tantos dados, dá para calcular com acurácia o risco de calote, o que possibilita o empréstimo em segundos. São 3 segundos para cadastrar, 1 segundo para aprovar, e zero intervenção humana (frase esta conhecida pelo número 310).

 

Outro produto interessante. Como a carteira é 100% digital, é muito fácil uma pessoa emprestar dinheiro para outra. Ou fazer doações, digamos de centavos, a cada vez que a pessoa quiser recompensar um bom artista.

 

Hoje a China lidera de forma incontestável o ranking de transações on-line do mundo, com mais de 12 trilhões de dólares em transações on-line, contra menos de 1 trilhão nos EUA .
Todo este ecossistema só foi possível devido à infraestrutura de conexão e ao baixo custo dos aparelhos celulares – até mendigos estão aceitando esmolas em WeChat!

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(https://www.ft.com/content/00585722-ef42-11e6-930f-061b01e23655)

 

Há dois pilares maiores que sustentam as transações por celular: conexão e smartphones.

 

Um dos pilares é a conexão com a internet, para realizar a transação. E há muita cobertura celular na China, até debaixo da terra, no metrô, pega celular, o governo chinês investe muito na infraestrutura.

 

Outro pilar é o baixo custo de smartphones. Na China, uma marca conceituada (digamos a Apple) vai ser cara, por conta de impostos. Mas uma marca chinesa vai ser barata, de modo que cada pessoa tem o seu smartphone.

 

Quanto aos bancos tradicionais. Pelo que deu para perceber, não é que os bancos vão morrer, até porque há diversos produtos financeiros diferentes da aplicação no varejo. O que pode acontecer é de eles terem suas margens reduzidas devido à esta competição. No Brasil, em que há um oligopólio de bancos e muitas barreiras à inovação, os bancos ainda vão reinar por um bom tempo…

 

Na China, quem sabe daqui a alguns anos, talvez nem o dinheiro vivo seja necessário.  O resultado é este: o país com mais transações on-line do mundo. Ponto para o Império do Centro!

 

Nota: o NFC (tecnologia que permite comunicação através do contato) não pegou. Talvez por cada fabricante ter a sua especificação, o que pode causar incompatibilidade de hardware. Já o QR code é universal, tira uma foto e pronto.

 

*Sobre fontes utilizadas. A China divulga pouquíssimos dados oficiais. As informações aqui descritas foram com base em conversas com pessoas, portanto, não são totalmente confiáveis. Além disso, como a China muda muito rápido, provavelmente essas informações estarão obsoletas em poucos meses…


Links:

https://www.statista.com/statistics/226530/mobile-payment-transaction-volume-forecast/

https://www.scmp.com/tech/apps-gaming/article/2134011/china-pulls-further-ahead-us-mobile-payments-record-us128-trillion

https://www.ft.com/content/00585722-ef42-11e6-930f-061b01e23655

https://www.forbes.com/sites/zennonkapron/2016/03/01/why-chinas-fintech-will-change-how-the-world-thinks-about-banking/#167c6c5621ba

https://www.forbes.com/sites/zennonkapron/2016/03/06/china-banks-lost-22b-to-alibaba-and-tencent-in-2015-but-thats-not-their-biggest-problem/#1eec07d36094

 

Forecasts – Parte 1

Em geral, não gosto muito de fazer forecasts. Prefiro estar preparado para eventuais cenários futuros, sejam quais forem. Entretanto, não dá para resistir a alguns.

Primeiro, as previsões. Depois, as justificativas.

 


 

Previsões

1. A China sempre foi uma potência mundial, e agora está voltando ao seu estado natural, onde permanecerá por muitas centenas de anos.

 

2. As Fintechs tendem a ferir mortalmente os bancos tradicionais. As Edtechs, idem, devem abalar de forma irreversível o modelo de educação tradicional.

3. As Agrotechs, por outro lado, serão complementares à agricultura tradicional. As Lawtechs também, apenas complementarão o trabalho dos advogados tradicionais.

 


 

Justificativas breves

 

1. Os últimos 200 anos têm sido difíceis para a China. Entretanto, se dermos um zoom out e pegarmos os últimos 5.000 anos, a China sempre foi uma potência mundial.
Ela foi ultrapassada desde a revolução industrial, que projetou a Europa como centro do mundo. O comunismo nos últimos 70 anos também não ajudou nem um pouco. Hoje, porém, as barreiras de conhecimento e de comunicação vêm sendo derrubadas.
A China, pelo seu imenso tamanho geográfico, sua quantidade maciça de pessoas, pela cultura confucionista de estudar muito, trabalhar muito e doar a si para o todo, ao estar nivelando o conhecimento, ganha disparado na força bruta. Mas note que ela só está voltando ao status natural, de uma das potências mundiais.

 

O gráfico abaixo mostra a % do GDP da China ao longo da história. Note que eixo do tempo não é linear, ressaltando os últimos 200 anos. Há 1000 anos atrás, a Europa era apenas um bando de tribos subdesenvolvidas.

The global contribution to world's GDP by major economies from 1 CE to 2003 CE according to Angus Maddison's estimates. Up until the early 18th century, China and India were the two largest economies by GDP output. (** X axis of graph has non-linear scale which underestimates the dominance of India and China)

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Economic_history_of_the_world

2. Fintechs* são empresas de tecnologia no setor financeiro.

 

Bancos são apenas duas coisas, na essência: informação e confiança. Dinheiro não tem valor intrínseco, é apenas um papel. Hoje em dia, nem papel é mais, é um número no extrato bancário. Porém, este número não pode ser criado do nada, ou sumir de repente, ou ser facilmente roubado – daí a necessidade de confiança.

 

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Os bancos tradicionais são dinossauros. Milhares de agências, milhares de funcionários, controles, burocracia, etc. No futuro, não será mais necessário ir fisicamente à uma agência para pegar papéis, entregar papéis e assinar documentos.

 

Tudo o que é apenas informação tende a desaparecer, como o jornal em papel.
O maior desafio das fintechs é a confiança, tema difícil de resolver: ataque de hackers, funcionários mal intencionados, dirigentes com má fé, etc… ora, mas este tipo de desvio já não ocorre hoje?

 

Com as Edtechs*, a mesma consideração: qual o sentido de dedicar cinco anos inteiros, full time, indo presencialmente à uma universidade? Este modelo tradicional tende a perder muita força.

Por exemplo, este blog é muito mais interessante e questionador do que 99% das aulas que já assisti!

 

3. As Agrotechs estão bem mais seguras. Agricultura não é informação. Não comemos bits, comemos carne, arroz, feijão. Há um limite físico e químico. Há uma quantidade de energia que deve ser gasta para derrubar uma árvore e colher uma plantação.
As agrotechs, utilizando tecnologias como imagem por satélite, conexão de dados no campo, telemetria de equipamentos, vão ajudar muito a aumentar o controle e a produtividade das operações tradicionais.

O IoT (Internet das Coisas), em geral, será extremamente disruptivo – imagine cada metro quadrado do solo monitorado em temperatura, umidade do solo, umidade do ar, pH, nutrientes químicos, etc…

As Lawtechs, por outro lado, vão ajudar bastante o trabalho do setor jurídico. Porém, como Direito não tem lógica (não lógica formal), os advogados nunca vão deixar de existir.

 

 


 

*Glossário: Fintechs, Agrotechs, Edtechs, são abreviaturas de tecnologia das finanças, tecnologia da agricultura, tecnologia da educação. Significam empresas de alta tecnologia que podem crescer exponencialmente nas respectivas áreas.

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Vide também:

O que é dinheiro para mim

Todos os grãos de arroz num tabuleiro de xadrez.

Sobre IoT