Ter ou não ter, eis a questão

Interessante reflexão do velho Aristóteles (e põe velho nisso, cerca de 2300 anos atrás), em sua obra Ética a Nicômaco. Ele, já naquela época, dizia que o valor a ser pago numa transação deve ser definido a priori, ou seja, antes do comprador ter o produto ou serviço. Outra alternativa seria a posteriori: o comprador ter o serviço primeiro (digamos, uma aula), e depois, avaliar o valor a pagar.

Argumento: o ser humano dá enorme valor antes de ter algo, e pouco valor após obter o mesmo. Isso é válido inclusive para serviços que tenham gerado enorme valor, digamos, uma aula importante. Quantas são as coisas que temos em casa, guardadas inutilmente em algum canto do armário? Quantos são os bons trabalhos realizados, que por conta de já terem sido feitos, parecem muito fáceis para quem apenas consome os resultados?

Outra reflexão, agora baseado no psicólogo Daniel Kahneman. Perder algo que temos é mais doloroso do que se nunca tivéssemos tido. Ele chama isto de Efeito Dotação. Um experimento simples: um colecionador de selos paga R$ 100,00 num selo exótico – que vai ficar guardado, paradinho, em sua coleção. Um amigo dele oferece R$ 150,00 no mesmo selo. Um caminho seria ele vender e embolsar o lucro, porém, dificilmente ele o vai fazer. Ele vai ponderar o valor emocional e o trabalho que teve para conseguir o selo, a dificuldade de obter outro igual, e a conclusão é a de que não vai vender – é preferível ter o mesmo pegando poeira em sua coleção do que se desfazer.

Pior ainda, imagine outra situação, em que o amigo conseguiu comprar o selo um minuto antes dele!

Ou seja, o ser humano dá valor à algo quando não o tem, e quando o perde – e nunca quando efetivamente o tem!

Dá até para pensar num gráfico:

Por essas e outros, o autor Robert Cialdini elenca a Escassez como um dos fatores de influência. Quanto mais rara e importante alguma coisa, maior o interesse das pessoas. Ser um excelente profissional é bom, porém, ser um excelente profissional demandado pelo mercado é melhor ainda!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2016/10/07/insights/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/

Como ficar rico (sem ter sorte)

Este artigo é baseado em uma série de tweets de Naval Ravikant, CEO da AngelList, uma plataforma para conectar startups e investidores-anjo. Eu (Arnaldo Gunzi) acredito que Naval conseguiu compilar pontos extremamente importantes, e que estão em linha com toda a filosofia que é ensinada neste espaço. Eu traduzi e editei o conteúdo, tirando alguns pontos para simplificar e explicando outros, mas a essência é a mesma.

Este é um artigo importante e estou mantendo como um brinde exclusivo aos leitores deste sítio, sem divulgar amplamente o mesmo.

1) Busque riqueza, não dinheiro ou status. A riqueza é ter ativos que rendem enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é seu lugar na hierarquia social.

2) Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir equities – um pedaço de um negócio – para ganhar sua liberdade financeira.

3) Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala.

4) Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo.

5) A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriu isso.

6) Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos ou conhecimento, vêm de juros compostos.

7) Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.

8) Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são profecias autorrealizáveis.

9) Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.

10) Não há esquemas ricos rápido. É só outra pessoa ficando rica usando você.

11) Não há uma habilidade chamada “negócios”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.

12) Conhecimentos específicos são muitas vezes altamente técnicos ou criativos. São aqueles que não podem ser terceirizados ou automatizados.

13) Alavancagem é um multiplicador de forças. A alavancagem dos negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de reprodução (ex. código e mídia).

14) Abrace a responsabilidade e arrisque os negócios com seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo.

15) Trabalhe o máximo que puder. Com quem você trabalha e no que trabalha são mais importantes do que apenas trabalhar duro.

16) Defina um custo da hora do seu trabalho. Se um problema economizará menos do que seu custo horário, ignore-o. Se terceirizar uma tarefa custará menos do que sua taxa horária, terceirize-a.

17) A criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, isso vai iludi-lo.

18) Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continue redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.

19) Quando você finalmente for rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando em primeiro lugar. Mas isso é para outro dia.

(https://twitter.com/naval/status/1002103360646823936)


Meus comentários:

1. Busque riqueza, não dinheiro ou status. A riqueza é ter ativos que rendem enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é seu lugar na hierarquia social.

Diz o educador financeiro Bastter, que “Patrimônio não se gira, se acumula”.

O patrimônio que rende quando você dorme pode ser aluguel de imóveis, dividendos de ações, capital rendendo, dividendo de trabalhos como publicação de livros, remuneração de sites como Youtube, e outras tantas coisas a mais.

É como uma galinha dos ovos de ouro – ter a galinha é mais importante do que ter um pouco de ouro.


2) Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir equities – um pedaço de um negócio – para ganhar sua liberdade financeira.

Vender o seu tempo significa ser empregado. Trocar riscos por uma taxa fixa.

Riscos do negócio podem ser positivos ou negativos – quando a empresa vai excelentemente bem, o retorno é o mesmo (ou próximo) a quando a empresa vai excelentemente mal.

É claro que nem todos conseguem assumir riscos, então a remuneração por ser empregado é o caminho mais simples.

Porém, para haver um salto, para você realmente possuir o upside positivo, é necessário ter uma boa parte da propriedade (e riscos) de um negócio.


3) Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala.

Uma palavra-chave é agregar valor de verdade. Resolver um problema que facilite a vida das pessoas, diminua custos das empresas, ajude-as a evoluir.

Outra palavra-chave é escala. Se a cada vez que a solução for aplicada for necessário o mesmo esforço por sua parte, não é uma solução escalável. Se cada nova solução exigir esforço decrescente, é escalável. Um livro, que demanda apenas uma cópia adicional, é escalável. Uma música, idem, software, idem.

Note que não é nada fácil. Soluções escaláveis têm o efeito “winner takes it all”. Poucos vencedores para muitos perdedores. Ex. dos milhares de apps na Apple Store, temos apenas um punhado, e sempre os mesmos: Whatsapp, Facebook, Twitter, Google maps…


4) Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo.

O longo prazo inevitavelmente chega. Soluções de curto prazo e pessoas que pensam a curto prazo vão causar distorções, empurrar a conta com a barriga. E a conta sempre chega no final. É melhor construir certo desde o início, tomar o remédio amargo, a farrear no presente e sofrer uma cirurgia no futuro.


5) A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriu isso.

A internet e novas tecnologias (mobile, automação, globalização, novos materiais, big data, AI) estão mudando radicalmente a forma de trabalho, interação entre pessoas, capacidade de geração de valor e a lógica do emprego.

Qual o emprego do futuro?

Poucas pessoas vão conseguir, de fato, explorar o potencial deste novo mundo. Com certeza, haverá mais perdedores do que ganhadores.


6) Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos ou conhecimento, vêm de juros compostos.

Os juros compostos têm o poder de multiplicar exponencialmente os investimentos colocados.

Juros compostos = tempo, paciência e disciplina para semear todos os dias alguma coisa, trabalhar para cultivar bons relacionamentos, trabalhar para estar sempre agregando valor. É melhor ser um burro esforçado do que um gênio preguiçoso.

Este é outro ponto que não é nada fácil de atingir.


7) Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.

Sozinho, é impossível chegar longe. Parcerias, bons contatos, são vitais.

Integridade e ética são essenciais, ainda mais quando pensamos em longo prazo e retornos compostos.


8) Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são profecias autorrealizáveis.

Tanto a pessoa que acha que pode quanto a que acha que não pode estão corretos.

O cínico nunca vai interpretar uma pergunta ou comportamento de uma forma positiva, ele vai achar uma forma de interpretar como um ataque a ele, uma derrota sua, algo negativo.


9) Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.

Saber criar sem saber vender tem alcance limitado. Todos somos vendedores de nossas ideias e nossos serviços. Temos que aprender a comunicar e a negociar.

Saber vender sem saber criar é vazio, tão falso quanto uma nota de 3 reais.

Saber fazer ambos é muito difícil, e quem o consegue, é potencialmente imparável.


10) Não há esquemas ricos rápido. É só outra pessoa ficando rica usando você.

Um conselho que dou a todos, especialmente em pessoas jovens em início de carreira: não existem atalhos. Tome o caminho mais longo, o mais difícil, que dá mais trabalho.

Não porque não existam atalhos de verdade, e sim porque para dominar os atalhos, é necessário conhecer o caminho completo.

O mais provável é que os atalhos fáceis sejam armadilhas, algumas delas com potencial de destruir o futuro da pessoa irremediavelmente.


11) Não há uma habilidade chamada “negócios”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.

1 kg de ação = 1000 kg de teoria.

Professor de empreendedorismo não faz sentido. Ninguém nunca vai empreender seguindo um manual. Os manuais ajudam a pessoa a evitar erros, no máximo.

Pessoas práticas dificilmente teorizam. E teóricos dificilmente fazem algo na prática.

Outro dia, perguntaram qual o livro o Paulo Guedes tinha escrito. Resposta: nenhum livro. Daí, as críticas: “Ain, se ele não escreveu nenhum livro, não é bom”. Muito pelo contrário. O Paulo Guedes é um homem prático, que manja muito e faz acontecer. Teorizar é uma habilidade diferente de agir.


12) Conhecimentos específicos são muitas vezes altamente técnicos ou criativos. São aqueles que não podem ser terceirizados ou automatizados.

Conhecimentos especializados são encontrados perseguindo sua curiosidade genuína e paixão ao invés do que está na moda agora. Construir conhecimentos específicos será como brincar para você, mas vai parecer trabalho para os outros.

Daqui a uns 10 anos, a automação, a IA e métodos computacionais ocuparão uma fatia importante dos empregos atuais.

O seu conhecimento deve ser superior ao que é possível automatizar, para jogar este jogo. Ou deve ser altamente específico, digamos, um encanador, um enfermeiro.

Vira e mexe, alguém faz perguntas como “é melhor fazer administração ou economia para o mercado hoje? Ciências da computação está demandando gente? Engenharia civil está bombando?”

A resposta correta é que não interessa o que está bombando ou não, porque, quando a pessoa se formar, serão outras profissões que estarão na moda. E, mesmo que ela acerte qual é, isso não interessa. Porque o que vale não é o rótulo “engenheiro” ou “administrador”, mas sim, o que ela entrega de valor na prática. As pessoas devem buscar aquilo que elas fazem de melhor.

Vejo como um erro subestimarem profissões técnicas como marceneiro, soldador, encanador. Estes exigem habilidades manuais, anos de aprendizado, e teoricamente seriam menos remunerados que cargos de nível superior. Porém, o que está acontecendo hoje é que muitos jovens recém formados estão trabalhando como assistentes administrativos, gerando pouco valor em ocupações que serão esmagadas com o avanço de processos e sistemas.

É a armadilha da complexidade atuando em nosso cotidiano.


13) Alavancagem é um multiplicador de forças. A alavancagem dos negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de reprodução (ex. código e mídia).

Um exemplo para ilustrar.

Tenho uma aplicação de R$ 10 mil. Mesmo que, por um golpe de sorte, eu consiga dobrar este valor, terei apenas R$ 20 mil – é bom, mas não muda nada.

Já dobrar uma aplicação de R$ 500 mil para 1 milhão faz uma diferença significativa. Como estou supondo que não tenho os 500 mil, estes teriam que vir de outras pessoas, na forma de empréstimo, investimento, parcerias – isto é a alavancagem.

A alavancagem também traz riscos alavancados – um upside enorme e um downside enorme.

Capital e mão-de-obra podem ser alavancados. Há um exército de robôs e servidores que podem ajudar a alavancar um negócio.

Fazer tudo sozinho, sem alavancagem, é possível e desejável numa escala menor. Para escalar de verdade, não dá, tem que haver alavancagem.

Não falta capital no mundo. Faltam projetos bons, know-how e know-who para fazer com que esses projetos encontrem os investidores e comecem a gerar frutos.


14) Abrace a responsabilidade e arrisque os negócios com seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo.

Assumir responsabilidades, assumir riscos, empreender. Fazer acontecer é muito difícil, é um trabalho árduo e que pode não dar certo.

Mais fácil é ficar sentado reclamando que ninguém faz nada, ou que o governo deveria fazer.

Todas as vezes que o governo faz algo, tende a ser ineficiente – ou ele gasta o dobro ou mais do que poderia ser gasto, ou a ação tomada causa consequências de segunda ordem indesejadas – isso tudo porque burocratas do Estado não têm a pele no jogo.

O fator risco muda tudo. Se não houver bom gerenciamento, a empresa quebra. Se o produto ou serviço não funcionarem, a empresa está fora.

Nassim Taleb diz que empreendedores são heróis invisíveis. Graças a centenas de milhares de empreendedores que assumiram riscos e quebraram, temos o padrão de vida que temos hoje. Somos antifrágeis à custa da fragilidade desses inúmeros anônimos, e, como sociedade, precisamos de mais gente assim.


15) Trabalhe o máximo que puder. Com quem você trabalha e no que trabalha são mais importantes do que apenas trabalhar duro.

Temos uma quantidade limitada de tempo e recursos neste planeta.

Numa empresa, fala-se bastante em maximizar a utilização de seu maquinário mais caro. Como indivíduos de alto nível, o maquinário mais caro que temos é o nosso talento, nosso cérebro, nosso potencial produtivo.

Se você está subutilizando o seu talento, deve tentar de alguma forma maximizá-lo.

O trabalho tem que ser algo recompensador, algo que tenha os três eixos do Ikigai: ser algo que você tenha talento para fazer, que você goste, e que o mundo reconheça (remunere) proporcionalmente.

Aumento de salário, ou aumento de receita são consequência. Não é garantia que estes venham, com a maximização do potencial. Entretanto, sem o trabalho equivalente, os aumentos nunca virão.


16) Defina um custo da hora do seu trabalho. Se um problema economizará menos do que seu custo horário, ignore-o. Se terceirizar uma tarefa custará menos do que sua taxa horária, terceirize-a.

É um erro assumir todo o trabalho para si. Vale mais ensinar outros a fazerem, ou pagar para que outros façam quando o valor agregado é menor. Assim, é possível escalar o resultado.

Outra grande parte do trabalho é dizer “não”. Um trabalho mal desenhado pode gerar mais dor de cabeça do que benefícios. Um trabalho de baixo valor só vai desperdiçar tempo.


17) A criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, isso vai iludi-lo.

No mundo cotidiano, criou-se a imagem de que riqueza é ruim, ou que é necessário ser corrupto para conseguir riquezas.

Há maneiras éticas de obter riquezas, sem atalhos. Vai demorar, vai ser necessário muito trabalho, mas é possível.

Riqueza não significa necessariamente ser bilionário, mas riqueza suficiente para viver bem, cuidar bem da família, viajar de vez em quando e ter tranquilidade para o futuro, dormindo em paz pelo trabalho entregue ser ético.

Acima de um certo nível, não há correlação entre riqueza e felicidade.

O que existe é correlação no sentido oposto: a falta de riqueza abaixo de certo nível causa falta de felicidade: porque a pessoa não consegue pagar o ensino básico dos filhos, porque ela tem que viver longe, por não ter acesso a saúde, etc…


18) Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continue redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.

Me vem à mente o livro Marketing de guerra. Ele diz que a cabeça das pessoas é como uma montanha a ser tomada numa batalha. Só há espaço para um nome, na montanha. Digamos, qual o nome vem à mente quando pensamos em sabão em pó? Omo, é claro.

A segunda regra do marketing de guerra diz para redefinirmos as categorias, abrindo nichos, explorando montanhas desocupadas. Digamos, quem é o maior especialista em trabalhos de otimização matemática dentro da empresa?

É muito, muito difícil bater o melhor do mundo em algum job específico.


19) Quando você finalmente for rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando em primeiro lugar. Mas isso é para outro dia.

Gosto de pensar em riqueza num sentido mais amplo. Não apenas riqueza monetária, mas a riqueza de estar em equilíbrio com outras facetas da vida.

Uma dica: todo mundo deveria estudar filosofia, pelo menos uma vez na vida, perto dos 40 anos (porque ela tem que ter uma certa vivência).

Realmente é complexo, e fica para outro dia.


Conclusão

Todos os itens descritos são difíceis de atingir. E, talvez, o timing de buscá-los dependa do momento pessoal – assumir mais ou menos riscos, buscar aprender o básico ou ser o melhor.

Entretanto, acredito firmemente que, a longo prazo, estas sejam reflexões importantes para o desenvolvimento de qualquer pessoa.

Favor não compartilhar este texto com qualquer pessoa, mas somente com quem tem potencial para compreender o conteúdo.

Arnaldo Gunzi.


Links:

Tweets de Naval: https://twitter.com/naval/status/1002103360646823936

O colapso das civilizações complexas

A Associação dos Burros Esforçados

Cisnes negros e Nassim Taleb

O canalha gosta de ética

Uma reflexão interessante do prof. Clóvis de Barros Filho.

Até o sujeito mais canalha e anti-ético do mundo quer um que o mundo seja um lugar ético.

Imagine se todos fossem canalhas como o canalha em questão. Este não poderia confiar em nenhuma outra pessoa. Sua vida seria um inferno.

Para o canalha-mor se dar bem, ele precisa que as outras pessoas sejam éticas e só ele canalha.

Se até o canalha torce para que o mundo seja um lugar ético, as pessoas de bem, mais ainda!

Quanto eu coloco na nota?

Hoje, no táxi, pedi uma nota da corrida.

O taxista perguntou: Quanto eu coloco na nota?

Eu falei: o valor do taxímetro…

Com os aplicativos de táxi, faz tempo que não tomava táxi e eu não ouvia essa pergunta. Infelizmente, ela é bem comum.

Não dá para cobrar ética dos políticos se não fazemos o mínimo, no dia-a-dia.

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

O anel de Giges

O anel de Giges é uma das passagens mais famosas da discussão sobre moral e ética.

Giges é um pastor que obteve poderes mágicos através de um anel. Ele conseguia fazer o mal sem ser detectado, e com isso conseguiu glória e riquezas.

A narrativa da história ocorre num diálogo entre Sócrates e Glauco, irmão mais velho de Sócrates.

Glauco defende que qualquer pessoa que tivesse poderes semelhantes seria igual a Giges: pegaria tudo para si, sem medo de impunidade – e é mais ou menos o que acontece com as pessoas com muito dinheiro e poder político.

Já Sócrates argumenta o contrário, que o homem justo, com ou sem o anel, agiria da mesma forma.

Este debate é milenar, e vai continuar atual mesmo daqui a mil anos.

Alguns trechos do livro “A República”, de Platão, na narrativa de Glauco:

“Giges era um pastor que servia na casa do soberano da Lídia.
Devido a uma grande tempestade e um tremor de terra, rasgou-se o solo. Admirado ao ver tal coisa, desceu por lá e contemplou, entre outras maravilhas que para aí fantasiam, um cavalo de bronze, oco, com umas aberturas, espreitando através das quais viu lá um cadáver, aparentemente maior do que um homem, e com um anel de ouro na mão. Arrancou-lho e saiu.

Os pastores estavam reunidos, de maneira habitual, e Giges foi lá também. Estando ele, pois, no meio dos outros, deu por acaso uma volta ao engaste do anel para dentro, e ao fazer isso, tornou-se invisível para os que estavam ao lado, os quais falavam dele como se tivesse ido embora. Admirado, passou de novo a mão pelo anel para fora, e tornou-se visível. Assim senhor de si, logo fez com que fosse um dos delegados que iam junto do rei. Uma vez lá chegado, seduziu a mulher do soberano, e com o auxílio dela, atacou-o e matou-o, e assim tomou o poder.

Se houvesse dois anéis como este, e o homem justo pusesse um e o injusto outro, não haveria ninguém, ao que parece, tão inabalável que permanecesse no caminho da justiça, e que fosse capaz de se abster dos bens alheios e de não lhes tocar, sendo-lhe dado tirar à vontade o que quisesse do mercado, entrar nas casas e unir-se a quem lhe apetecesse, matar ou libertar das algemas a quem lhe aprouvesse, e fazer tudo o mais entre os homens, como se fosse igual aos deuses.

O supra-sumo da injustiça é parecer justo sem o ser.
Até os deuses são flexíveis. Com suas preces, suas oferendas, libações, gordura de vítimas, os homens ruins tornam-se bons.”

Pergunta: um homem justo com poderes ilimitadores tornaria-se como Giges? Deixe sua opinião nos comentários.

Nota 1: Alguns pensadores defendem que moral é algo interno, enquanto a ética é do ambiente, da sociedade em que a pessoa está inserida. Uma pessoa com alta moral se comportaria igualmente com ou sem anel.

Nota 2: É impressionante a força do anel como símbolo. Anel de Giges, anel dos Nibelungos, o Senhor dos Anéis…