“Ikiru” significa “Viver”, em japonês. “Ikiru” também é o nome de um filme de Akira Kurosawa, produzido em 1952. É um filme simples e profundo ao mesmo tempo.
Não é um filme que seja do gosto das pessoas deste mundo moderno. É uma história linear, enredo sem grandes cenas de ação sem parar, sem reviravoltas mirabolantes a cada segundo, sem atores e atrizes famosos em poses apelativas. É um filme em preto e branco, devagar e até chato.

Portanto, não preciso me preocupar em dar spoilers, já que poucos o verão mesmo. Espero que, ao menos, a mensagem deste toque alguns.
O enredo envolve um funcionário público, um autêntico burocrata que, durante décadas, carimbou papéis, empurrou processos e fingiu estar ocupado num local onde ninguém era responsável por nada e cujo único desejo de cada dia era que o expediente acabasse.
Por exemplo, um dos projetos, o de um parque infantil, ele tinha empurrado para aprovação de outro departamento, que certamente faria o mesmo, deixando o processo perdido no limbo de tanta papelada.
Aí, ele descobre que estava com câncer no estômago. Incurável na época. E ele, então, percebe que a sua vida fora uma eterna perda de tempo, sem ter criado absolutamente nada de útil.

Disposto a realizar alguma coisa que gerasse bons frutos para o futuro, o protagonista passa a procurar algo relevante em seu trabalho, e resgata o projeto do parque para crianças num terreno abandonado. Corre atrás dos trâmites entre departamentos e faz acontecer, depois de alguns meses.
Tanto é que uma das cenas épicas do filme é ele no parquinho, num balanço, à noite, na neve. Ele canta baixinho. Não é uma vitória de um grande general, mas mesmo assim, é uma vitória épica.
Após a sua morte, crianças brincando no parquinho não sabem e nunca saberão quem fez o mesmo sair do papel, mas isso não importa. O seu legado está aí.
Eu acredito seriamente que não vamos deixar marcas neste mundo com viagens luxuosas à Europa ou com um carrão novo, e sim, com bons frutos do que fazemos em nossos trabalhos, hoje, agora, todos os dias. E não precisam ser projetos que afetam o PIB mundial, podem ser pequenas contribuições que impactem positivamente poucas pessoas.
Se você descobrisse hoje que tem pouco tempo, o que finalmente decidiria fazer?
E, ainda:
por que não começou?
Isso é viver.
O Compêndio de Ideias do Prof. Arnaldo: https://asgunzi.github.io/Compendium/
