“A Sociedade do Cansaço”, livro do autor coreano Byung-Chul Han (eita nome difícil), foi uma recomendação do Bruno Fonseca, colega do setor Florestal.
Este é um livro bastante contemporâneo, porque traduz exatamente problemas que estamos vivenciando hoje.

Quatro pontos principais:
1 – Excesso de Positividade. Hoje, temos doenças neuronais, como o burnout, vindas do “excesso de positividade”. O que é isso? Se antes, tudo era “Não”, agora, tudo é “Sim”: é vendida a ideia que podemos fazer tudo, sermos extremamente produtivos, dominar o mundo começando de uma garagem. Yes, we can. No extremo, descobrimos que não, não podemos tudo.
2 – Ameaça interna. O problema não vem mais de fora, mas de dentro. Erguemos muros para ameaças de fora, porém, não temos um sistema imunológico para o que vem de dentro. Atualmente, o patrão também é um escravo do trabalho.
3 – Hiperatenção. Vivemos excesso de tudo: estímulos, redes sociais, positividade. Han chama esse excesso de “hiperatenção”. A consequência é a de que tudo é raso e superficial.
4 – Vida Contemplativa. Um caminho possível é buscar o oposto de tudo acima: atenção profunda, tédio profundo e ócio para podermos criar de verdade. Dizer Não quando necessário. Ao invés da Vida Activa, a de produzir sem parar, viver a Vida Contemplativa.
Dado o resumo acima, a seguir algumas frases mais extensas do livro. Tentei escrever com as minhas palavras mas manter o espírito das anotações.
Vivemos numa sociedade repleta de doenças neuronais, causada pelo excesso de positividade.
Não temos defesa imunológica, a rejeição ao excesso de positividade. É uma aniquilação suave.
Contra lobos, erguemos muros. Porém, os oponentes passaram por uma transformação: Ratos -> Besouros -> Vírus, e cada vez mais, muros são ineficazes.
É um inimigo fantasma, que mina a partir do interior.
A sociedade atual é de escritórios, bancos, shoppings. Não são sujeitos de obediência, hoje são sujeitos de desempenho e de produção, empresários de si mesmo.
É a sociedade do desempenho. YES, WE CAN. Projetos, iniciativa, motivação.
Se antes a sociedade produzia delinquentes, hoje produz fracassados e depressivos. Está no inconsciente social maximizar a produção.
O Burnout é a alma consumida. Um infarto psíquico. O desempenho é o novo mandato da sociedade pós moderna, a sociedade que crê que nada é impossível.
É uma liberdade paradoxal. É a livre coerção de maximizar o próprio desempenho.
O excesso de positividade também se manifesta como excesso de estímulo, informação e impulsos.
Ser multitarefa gera atenção ampla, mas rasa, como em jogos de computador em que causa e efeitos são imediatos. Se assemelha à vida selvagem, onde a caça deve ficar atenta sempre e tomar decisões imediatas, mas não há pensamento profundo.
A hiperatenção é a dispersão constante, a mudança rápida de foco, em contraste com a atenção profunda.
Temos tolerância baixa para o tédio. Porém, o tédio profundo é importante para o processo criativo.
Paul Cézzane podia ver o perfume das coisas. Olhar contemplativo, lente para o mundo.
O Animal Laborans é o animal trabalhador, de Hannah Arendt.
Hoje, o próprio senhor se transforma num escravo do trabalho.
Devemos ler, pensar, falar e escrever. Ler profundamente, pensar numa vida contemplativa, falar e escrever profundamente.
Vivemos num mundo pobre de interrupções. “Os ativos rolam como rolam a pedra, segundo a estupidez da mecânica”, dizia Nietzsche.
A máquina não pode fazer pausas.
Hoje não podemos ter ira, que é uma interrupção do estado atual, nem mesmo tristeza. Devemos ser uma máquina de desempenho autista.
Dica nerd: Gravação de vídeos
No Windows, antigamente era horrível gravar um vídeo da própria tela.
Agora, nativamente na Ferramenta de Captura, temos a opção de gravar um vídeo da tela. Basta selecionar a opção de gravação.

O Compêndio de Ideias do Prof. Arnaldo: https://asgunzi.github.io/Compendium/
