Não recomendação: O PerfuraNeve

Não recomendação: a versão Graphic Novel do PerfuraNeve, que inspirou a série da Netflix “O Expresso do Amanhã”, ou Snowpiercer.

Mas por que alguém iria não recomendar? Bastaria ignorar. Ora, a internet já está cheia demais de haters, para falar que o trabalho de alguém não agradou.

É que, na verdade, é uma meia-recomendação…

Trailer do Snowpiercer, Netflix

A série “Expresso do Amanhã”, disponível na Netflix, mostra um futuro apocalíptico. O mundo inteiro congelou, e os últimos sobreviventes da face da Terra habitam um trem, o Snowpiercer, com os seus 1001 vagões. O Snowpiercer foi desenvolvido pelas indústrias Wilford, e tem uma premissa completamente furada do ponto de vista das leis da termodinâmica: ele tem que estar sempre em movimento, pois é desse movimento que ele gera energia (criaram o moto-contínuo???).

O trem percorre periodicamente o planeta Terra inteiro, uma vez que a máquina não pode parar e as indústrias Wilford fizeram trilhos pelo mundo todo, inclusive sobre os oceanos congelados!

Porém, dentro do Snowpiercer, há uma verdadeira luta de classes: a primeira classe, vivendo em alto luxo, a segunda e terceira classes, trabalhadores, e o fundão. Os habitantes dos fundos são clandestinos, que invadiram o trem no momento em que este estava partindo. São centenas de pessoas (400 segundo um dos capítulos), vivendo espremidos em alguns poucos vagões, e nas piores condições de vida possível.

E como esse pessoal conseguiria sobreviver num trem? A justificativa é que há vagões especializados em agricultura, outros com bovinos, aquário, vagões-escola, vagão-bar, mercado. A primeira classe tem vagões exclusivos, quase uma casa de verdade. A segunda classe tem um quarto, a terceira beliches, e o fundão é um amontoado de gente sobrevivendo como pode.

A série foca bastante nessa luta de classes, mostrando o fundão lutando contra a estrita ordem existente. Ordem mantida rigidamente pela poderosa chefe da hospitalidade, Melanie Cavill, interpretada pela Jennifer Connelly, possuidora de uma beleza rara.

Eu achei que a série tem muitos furos lógicos:

  • Um trem fechado, com 3000 pessoas há 7 anos, e eles agem como se fosse uma cidade grande, onde ninguém conhece ninguém
  • Eles usam água em abundância, e tem até um episódio que há um grande vazamento de água – não faz o menor sentido, num trem
  • Cenas com a primeira classe quebrando copos e pratos – ora, até parece que é um recurso abundante
  • Numa das revoltas do fundão, imprimiram folhetos coloridos para mobilizar o pessoal – poxa, imagino que papel e tinta sejam recursos escassos numa situação dessas
  • E assim sucessivamente, é como se realmente fosse uma cidade grande com recursos infinitos, e não um trem

Apesar disso tudo, é um seriado divertido – envolve suspense, segredos, reviravoltas bem típicas de streaming. Serve como entretenimento, só isso.

Agora, a “desrecomendação”.

O Snowpiercer foi baseado numa Graphic Novel com a mesma premissa. Peguei a mesma emprestada, pelo programa “Cultura pass” (vide aqui).

A versão em quadrinhos tem pouquíssimos elementos em comum com a série. É um trem, o snowpiercer, com seus 1001 vagões, tem a primeira classe e o fundão, mas só isso. Nada de Wilford, Melanie, não tem crime a ser resolvido por um detetive do fundão, nada. É completamente uma outra história.

A arte e o roteiro são densos e difíceis de acompanhar, não achei muito divertido.

De qualquer forma, caso haja curiosidade, a graphic novel PerfuraNeve pode ser encontrada nas livrarias, e o Snowpiercer da Netflix é uma ótima série.

O Perfuraneve
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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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