John Searle e o quarto chinês

John Searle, Estados Unidos, 1932 – presente. Filosofia da consciência.

Principal ideia: Experimento do quarto chinês, no artigo “Minds, Brains, and Programs”, de 1980

Você está numa sala. Recebe, pela fresta da porta, um papelzinho com rabiscos em chinês. Sua tarefa é olhar cada letra do rabisco, procurar o mesmo numa série de livros, olhar o símbolo correspondente e escrever em outro pedaço de papel. A seguir, você retorna o mesmo pela fresta. Ou seja, você não entendeu nem um milésimo do que estava escrito na mensagem, porém foi capaz de utilizar a entrada de dados para produzir uma saída coerente.

Este é o experimento do quarto chinês, imaginado por John Searle. Esta discussão está inserida no contexto da consciência dos computadores. Um computador é algo que faz um processamento análogo à pessoa dentro do quarto chinês: pega dados de entrada, procura o procedimento a ser feito e o executa.

Isto leva Searle a crer que, mesmo que os computadores passem pelo teste de Turing*, eles não podem ser considerados como seres inteligentes e nem sabem pensar. Eles apenas manipulam informações segundo scripts, são como macacos condicionados a fazer uma tarefa, sem entender ou questionar a razão da mesma.

Alguns questionamentos:

– A pessoa dentro do quarto é apenas uma parte do sistema. Se considerar que alguém teve que escrever o manual com os procedimentos, e o sistema como um todo é um ser inteligente (ou não?)

– Será que nós, seres humanos, somos tão diferentes assim? Temos um número enorme de neurônios, encadeados numa rede bastante intricada. Esta recebe informações, processa e devolve. O que exatamente nos faz diferente da situação descrita?

– Um computador pega uma quantidade maciça de informação, as processa num volume infinitamente maior e com precisão que jamais conseguiríamos alcançar e devolve a resposta sem erros. Faz diferença se o computador é consciente ou não, tem inteligência ou não?

Como tudo em filosofia, não há resposta definitiva para este tipo de tema. Este sítio convida o leitor a refletir sobre o tema e postar suas respostas nos comentários.

*Nota: o teste de Turing é um dos primeiros critérios para definir inteligência artificial. Coloque uma pessoa conversando via texto com dois oponentes, um humano e uma máquina. A tarefa dela é distinguir quem é humano e quem não é. Se o algoritmo passar pelo teste de Turing, pode-se considerá-la uma inteligência artificial.


Fontes e links:

Uma breve história da filosofia – Nigel Warburton

https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_room

Index filosófico: https://ideiasesquecidas.com/index-filosofico

2 comentários sobre “John Searle e o quarto chinês

  1. Fractal

    Concordo com o John, e vou mais além, o computador é apenas uma máquina à vapor com mais “circuitos de pressão”… Nem as máquinas de vetores de suporte, nem as rede neurais com seu “badalado” dropout, são capazes de ensinar o computador a somar 1 + 1, o que fazem de melhor a muito custo computacional é apenas uma “decoreba” sem fim, em busca do melhor bias (graus de liberdade, já que a rede não entende nada mesmo…), mas sem a compreensão dos dados, pq compreender é sentir, é se deixar guiar pelo ilógico sem se perder, não segue um padrão, é a intuição sobre variáveis desconhecidas, é a beleza humana!

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