Plutão e a falácia narrativa

A falácia narrativa

O cérebro humano tem uma imaginação incrível, mas justamente esta capacidade de imaginar pode causar alguns “bugs”. Um deles é o de acreditar mais numa história bem contada do que na realidade…

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O planeta Plutão é o xodó dos astrônomos, o queridinho, por causa de uma história mais ou menos assim.

Nos anos 1900, o astrônomo Percival Lowell observou discrepâncias na órbita do planeta Netuno. Ele fez os cálculos e concluiu que existia um nono planeta, o planeta X, que estava interferindo na órbita de Netuno. Décadas depois, o tal planeta X foi descoberto, exatamente no local predito por Lowell. Em sua homenagem, batizaram o planeta de Plutão, que tem iniciais P e L (Percival Lowell).

 

Esta história confirmava o poder da matemática, segundo os livros didáticos.

Será?

 


 

O Rebaixamento de Plutão

Há alguns anos atrás, em 2006, o planeta Plutão foi desclassificado como um planeta de verdade. Foi rebaixado para a segunda divisão dos planetas do sistema solar, a categoria dos planetas anões.

Este fato causou uma comoção internacional. Como poderiam os cientistas, após tantos anos, tirar Plutão da série A de planetas?

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Acontece que a ciência avança com o tempo. E os astrônomos foram descobrindo mais e mais informações sobre o sistema solar.
Por exemplo, objetos como Quaoar (anunciado em 2002), Sedna (2003) e Eris (2005) têm quase o mesmo tamanho ou são até maiores do que Plutão. Descobriram o Cinturão de Kuiper, após a órbita de Netuno, que consiste em um cinturão de asteroides e que pode conter mais objetos similares a Plutão. Algumas das luas de Júpiter e Saturno são maiores do que Plutão.

 

Bom, no final das contas, o comitê da União Internacional dos Astrônomos de 2006 tinha duas opções: ou eles tiravam Plutão e ficavam com 8 planetas, ou incluíam o mesmo e ficavam com mais de 100 planetas! Os cientistas resolveram rebaixar Plutão.

 

Mas, então, tem algo errado na historinha do descobrimento de Plutão. Se este planeta é tão insignificante assim, ele não teria massa suficiente para perturbar Netuno, conforme descrito por Lowell.

E, na realidade, é isso mesmo. As estimativas iniciais de Lowell colocavam Plutão com um tamanho 12 vezes o da Terra. Medidas da massa real de Plutão, realizadas décadas seguintes, mostraram que massa real é minúscula, incapaz de perturbar Netuno.

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Mas, se não é Plutão que causa a perturbação na órbita de Netuno, o que é?

Na verdade, a perturbação que entrou no cálculo de Lowell nunca existiu. Era um erro de medida. Não foi culpa dele, mas os cálculos foram baseados numa premissa errada.

Portanto, a descoberta de Plutão foi pura coincidência. Um efeito placebo na ciência.

O rebaixamento de Plutão causou tanta comoção que, hoje em dia, alguns astrônomos defendem voltar Plutão à categoria de planeta. E, junto, também promover os outros 100 planetas da série B para a série A do campeonato de planetas. Querem virar a mesa do campeonato. Plutão é uma espécie de Fluminense planetário. Querem salvar Plutão no tapetão, no STJD espacial!

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Esta história é um exemplo do poder da imaginação humana.

Conclusão: quando for querer vender algo, tente contar uma historinha convincente junto, para aproveitar este “bug” do cérebro humano.


Leia também:
A verdade e o conto

http://csep10.phys.utk.edu/ojta_samples/course1/synthesis/perturbation/pluto-disc_tl.html

http://www.bbc.com/news/science-environment-33462184

https://www.space.com/19774-percival-lowell-biography.html

http://nineplanets.org/pluto.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Kuiper_belt

https://en.wikipedia.org/wiki/Pluto

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