Seleção de pessoas – pontos fortes e fracos

WeakStrong

Imagine o seguinte: você é o técnico da Seleção Brasileira de futebol, e há um jogador genial, gênio mesmo, capaz de fazer a diferença aos 48 do segundo tempo e desequilibrar um jogo extremamente difícil.

 

Mas o problema é que o jogador, além de genial, é genioso: briguento, arrogante, não respeita regras, baladeiro, capaz de brigar com a comissão porque não sentou na janela do avião.
 

A pergunta: você convocaria este jogador para a sua seleção?
 

A resposta é muito particular de cada pessoa, e é claro que há outros aspectos além dos apresentados.
Mas a minha resposta particular é: sim, com certeza este jogador maluco teria lugar no meu time, apesar do mau comportamento.
 

A minha justificativa é a de que o administrador tem que explorar o ponto forte através dos indivíduos, e anular suas fraquezas através do grupo. São poucos os capazes de desequilibrar, mas são eles que fazem a diferença. Sabendo que o jogador vai dar problema aqui e acolá, bota-se um ou outro para prevenir isto, ou deixa ele fazer algumas peripécias.
 

Aqui, pensei em Romário, o “gênio da grande área” (segundo Cruyff, seu treinador no Barcelona).
 

Participou da olímpiadas de 92 e ganhou a Copa de 94 – decidiu jogos extremamente difíceis, como contra os EUA (jogada de Romário gol de Bebeto) e contra a Suécia (gol de Romário), fez gol contra a Holanda, e marcou o seu pênalti contra a Itália. Sem Romário, o Brasil não ganharia a Copa de 94 – por pouco não foi desclassificado nas eliminatórias. Aliás, Parreira não gostava de Romário – ninguém gostava.

 

Nas olimpíadas de 96, Zagallo não chamou Romário. Zagallo é um dos maiores desafetos de Romário. O Brasil perdeu as olimpíadas, e Romário voltou a ser chamado. Estava indo bem em 1997 e 98, mas uma lesão na panturrilha fez com que a comissão técnica o cortasse, de forma polêmica. Polêmica porque sabiam que ele se recuperaria a tempo (o que de fato ocorreu), e pareceu mais uma desculpa do que um argumento verdadeiro… E, ele poderia estar presente no momento em que o Brasil mais precisou, na final, quando Ronaldo teve uma convulsão estranha e parecia um fantasma em campo.

Talvez uma olimpíada ou uma Copa a mais seria ganha pelo Brasil com Romário, mas nunca saberemos – o “se” não existe.

Maiores detalhes em http://doentesporfutebol.com.br/2012/12/ah-se-tivessemos-o-romario/.

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Peter Drucker diz que é melhor transformar o bom em excelente do que o médio em bom.
 

O problema dos métodos convencionais de ensino e dos processos tradicionais de avaliação de Recursos Humanos dentro de uma empresa, é que eles baseiam-se muito na média. Alguém que tira 10 em matemática e 0 em português só passa de ano se melhorar no português. Mas, e se o cara foi muito, muito genial? Não valeria a pena mandar ele para a melhor escola de matemática do país (no Brasil, o IMPA, no Rio de Janeiro) e dane-se o português (ele sabe falar outra língua mesmo). O aluno participaria de olimpíadas internacionais de matemática, desenvolveria o seu melhor, e quem sabe, descobrisse muitos teoremas úteis no futuro. Mas, seria reprovado em português na 5a série.

 

Todos temos pontos fracos, lados ruins e bons, e basear-se no lado ruim só vai tornar a equipe mediana, nunca fora-de-série.

 

 

Arnaldo Gunzi

Junho 2015

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