A estratégia barbell e a TI bimodal

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Estratégia Barbell

O que é melhor, arriscar muito, arriscar pouco, ou ter um risco médio?
 

A maioria das pessoas intuitivamente escolhe o caminho médio. Exemplificando com finanças, trabalhar com opções na bolsa de valores é muito arriscado, gerando ganhos e perdas gigantes. Colocar na poupança é o que tem menor risco, mas gera pouco retorno. Então, as pessoas escolhem algo entre esses extremos.
 

A estratégia barbell é o oposto desse caminho médio. Barbell é um haltere de exercícios, aquele que tem dois pesos em cada ponta e uma barra no meio. A estratégia consiste em deixar a maior parte dos recursos em algo muito conservador, e colocar a parcela restante em algo extremamente volátil, ou seja, apostar nas pontas e evitar o caminho do meio.
 

Este termo foi criado por Nassim Taleb (Black Swan, Antifragile). Colocar-se na parte conservadora garante que, aconteça o que acontecer, você não quebre, sobreviva a imprevistos. Colocar uma parte dos recursos na parte arriscada te expõe aos riscos positivos, se algo der certo, impulsiona tudo.

 


 

TI bimodal

A área de TI (tecnologia da informação) é tradicionalmente lenta, pesada, cheia de processos amarrados num ERP chato.
 

Bimodal é algo que tem dois modos, dois picos em locais opostos. Teria o modo tradicional da TI, chato, lento, pesado, estruturado. Mas também teria um modo rápido: prototipagem rápida, teste de conceitos, modelos simples feitos em excel, flexíveis, desestruturados. Mais ou menos assim: a TI ágil entrega soluções simples e rápidas, testando conceitos até que o processo rode bem. Depois de alguns meses, chega a TI tradicional, para implantar soluções mais estruturadas. Um é o que abre caminho na estradas, e o outro é o que pavimenta com asfalto.
 

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O conceito de TI bimodal se encaixa bem na estratégia barbell. É um bom conceito.


 

Ágil

No começo, os trabalhos de desenvolvimento não tinham muita metodologia. Alguém sentava do lado de quem desenvolvia, pedia algo e isto era feito. O problema era que o escopo mudava, as ferramentas evoluiam, e dava um retrabalho enorme modificar tudo.
 

Aí surgiu o conceito tradicional de desenvolvimento de projetos. Havia a especificação do que deveria ser feito. Com base nessa especificação entrava o desenvolvimento. Mas o problema é que escrever a especificação demora muito, e o cliente NUNCA sabe o que quer. E não é por culpa do cliente, mas devido às circunstâncias: ele pode enxergar outras oportunidades ao longo do projeto, ou o escopo pode mudar, ou o mundo pode mudar. E, então, temos hoje a TI amarrada, que demora meses para dar uma solução que não resolve o problema do usuario.

 
Com o tempo, surgiram as metodologias ágeis: um escopo não tão especificado assim, maior interação entre quem usa e quem desenvolve, etc. Voltou a ser como era no começo de tudo, mas com um nome mais bonito e parecendo mais sofisticado.

 


 

Como implementar
 

Na prática, o que vejo atualmente é que embora o conceito de TI bimodal seja bom, a TI não vai conseguir mudar no curto prazo. A parte ágil tem muito mais características de consultoria ou de uma área de projetos, totalmente desvinculadas de TI tradicional. A TI bimodal é um bom conceito, mas na prática só vai funcionar se a parte ágil da TI tiver características muito diferentes da TI atual. A parte ágil da TI não pode ser igual a TI.

 

 

Um comentário sobre “A estratégia barbell e a TI bimodal

  1. Pingback: Uma única lição sobre administração | Forgotten Lore

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