Batman no Japão medieval

Aproveitando o post anterior, sobre a época dos grandes samurais, segue uma história muito maluca. A série “Batman no Túnel do Tempo” mostra o homem morcego em contextos históricos diversos.

A edição “Batman – o Ninja” ocorre após a morte de Toyotomi Hideyoshi. O rival Tokugawa Ieyasu assume o poder, em detrimento de Toyotomi Hideyori, filho de Hideyoshi, que tinha uns 5 anos à época.

Batman é Bat-ninja, uma espécie de ronin – samurai sem mestre. Ele fica sem mestre após a morte de Hideyoshi. Robin é Tengu, discípulo do Bat-ninja, e que promete proteger o clã Hideyoshi.

A história se ambienta num contexto histórico real, o cerco do Castelo de Osaka. Uns 15 anos depois de Tokugawa Ieyasu assumir o poder de fato, forças opostas ao shogun unem-se a Hideyori, um postulante legítimo à posição de líder de todo o Japão. Tokugawa resolve acabar de vez com a ameaça ao seu posto, reúne aliados e, após uma série de batalhas, encurrala e aniquila Hideyori no Castelo de Osaka.

Na história em quadrinhos, Robin é um filho oculto de Hideyoshi, o cerco de Osaka está ocorrendo, mas antes disso, Hideyori quer se livrar do irmão Robin. Ambos lutam, e é Robin que assassina Hideyori, para depois, cometer hara-kiri.

Não creio que seja possível comprar essa edição hoje em dia.

É muito raro a cultura popular ocidental referenciar um fato tão distante, ocorrido na época do Japão medieval. Parabéns aos autores Chuck Dixon e Enrique Villagran pela história.

Seguem outros links sobre o tema:

https://alemdatorrez.wordpress.com/2016/03/22/batman-no-tunel-do-tempo/

https://dc.fandom.com/wiki/Tengu_(Narrow_Path)

https://en.wikipedia.org/wiki/Siege_of_Osaka

A estratégia de sobreviver aos inimigos

No Japão da época dos grandes samurais, os três nomes listados abaixo se destacavam. Há uma piada antiga, que mostra a diferença de estratégia entre eles:

Tenho um passarinho que não quer cantar. Como você faria ele cantar?

  • Oda Nobunaga: Vou bater até fazer ele cantar
  • Toyotomi Hideyoshi: Vou fazê-lo cantar
  • Tokugawa Ieyasu: Vou esperar até ele cantar.

Este texto é sobre o terceiro, que utilizou habilidade, muita inteligência e paciência, para criar uma das dinastias mais bem sucedidas da história do Japão.

Mas, primeiramente, o contexto geral.

O Japão feudal dos anos 1500 e pouco era dividido em diversos feudos (daimyo), cada qual com um clã político militar que o controlava independente dos demais. Existia a figura do Imperador, mas era apenas figurativa / espiritual – algo parecido com o papa, no ocidente.

Oda Nobugawa, por volta de 1560, começou uma campanha brutal de unificação do Japão, conquistando militarmente os outros feudos. Ele foi o primeiro grande unificador, apelidado de “Rei-demônio”, por sua força militar. Porém, Nobunaga foi emboscado numa rebelião liderada por um ex-aliado, e morreu antes de terminar a campanha de unificação do país.

Oda Nobunaga – imagem da Wikipedia

Toyotomi Hideyoshi era o mais brilhante general de Nobugawa, e venceu a disputa para sucedê-lo. Hideyoshi, nos anos seguintes, terminou de unificar o Japão, ou formando aliados ou destruindo os daimyos rebeldes. Após a unificação total do Japão, por volta de 1590, ele lançou uma campanha mal-sucedida de conquista da Coreia, em 1592.

Hideyoshi era um grande estrategista, e possivelmente o seu clã dominaria a política do Japão por diversas décadas. Porém, ele enfrentou um problema biológico: dificuldade em ter filhos para sucedê-lo. Apesar de inúmeras concubinas, só no final de sua vida ele conseguiu ter um filho – mesmo assim, a legitimidade era suspeita.

Toyotomi Hideyoshi – imagem da Wikipedia

O grande Hideyoshi faleceu em 1598, após anos doente. O seu filho, Hideyori, tinha apenas 5 anos na época. A guerra na Coreia não fazia mais sentido, e as tropas retornaram ao Japão.

Tokugawa Ieyasu estava nas sombras esse tempo todo, aliando-se primeiro a Nobunaga e depois a Hideyoshi, e fazendo o seu próprio daimyo crescer. Quando Hideyoshi se foi, ele era o mais forte candidato à sucessão, e aproveitou a oportunidade: aliou-se a outros líderes poderosos, tirou o menino Hideyori da jogada e assumiu o poder de fato do país.

Tokugawa Ieyasu – imagem da Wikipedia

Tokugawa moveu os daimyos aliados para perto dele, geograficamente, e empurrou aqueles menos confiáveis para longe, criando uma zona de segurança. Também trouxe estabilidade política e militar, com sua habilidade administrativa. Recriou o título de Shogun, e não faltavam filhos para sucedê-lo.

E é por isso o título do texto. Nobunaga fez um enorme trabalho, Hideyoshi prosseguiu, mas quem colheu os frutos foi Tokugawa.

Tokugawa ficou na dele, quando tinha alguém mais forte, esperando a oportunidade e se preparando. Quando a oportunidade surgiu, por capricho do destino, ele a agarrou.

Tokugawa literalmente venceu por ter conseguido viver mais do que os concorrentes. Observe a comparação:

  • Nobunaga viveu 47 anos
  • Hideyoshi viveu 63 anos
  • Tokugawa viveu 73 anos
  • O shogunato Tokugawa durou mais de 250 anos

Utilizando habilidade e inteligência, Tokugawa foi maior do que uma pessoa apenas – ele conseguiu criar uma dinastia. O shogunato Tokugawa foi um dos mais bem sucedidos da história, durando de 1603 até 1868, onde ocorreu a revolução Meiji – rápida expansão industrial e militar do Japão.

Essa é a estratégia da paciência: não atacar quando a situação não estiver favorável, ir se preparando para quando tiver a oportunidade. Ser impaciente na preparação, porém paciente para esperar o momento de atacar.

Veja também:

https://en.wikipedia.org/wiki/Tokugawa_shogunate

https://en.wikipedia.org/wiki/Tokugawa_Ieyasu

https://en.wikipedia.org/wiki/Toyotomi_Hideyoshi

https://en.wikipedia.org/wiki/Oda_Nobunaga

Age of Samurai: Battle for Japan
https://www.netflix.com/title/80237990

As 36 Estratégias Secretas Chinesas