Nietzsche em quadrinhos

O explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche é amado e odiado por suas ideias polêmicas e linguagem poética.

“Deus está morto”,

“Moral é apenas uma interpretação equivocada de certos fenômenos”

“É do caos que nasce uma estrela”

“Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.”

“Aqueles que veem a dança são considerados insanos por quem não está ouvindo a música”

A seguir, três recomendações de quadrinhos sobre o filósofo.

1 – Assim falava Zaratustra. Baseado no livro homônimo. Tem uma bela arte, é um resumo e ao mesmo tempo uma interpretação artística do livro.

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2 – Nietzsche Nº 1. É uma biografia do filósofo, narrando um pouco de seus pensamentos e sua vida. A arte do desenho é extremamente bonita aos olhos.

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3 – Assim falou Zaratustra. É uma história num formato mangá. É apenas inspirado no livro. Narra uma história imaginada pelo autor, com algumas citações e personagens de sua vida (como Lou Salomé), mas não é nem um pouco fiel ao livro homônimo, e a história nem é muito legal.

Esta indicação só está aqui porque tem uma referência ao ultraviolento filme “Laranja Mecânica”.

A cena em que Alex DeLarge e sua gangue de “drugues” espancam um mendigo num córrego é adaptada para o mangá: o delinquente Zaratustra e sua gangue fazem o mesmo.

Ou seja, o mangá consegue unir dois trabalhos icônicos, de duas cabeças brilhantes (Nietzsche e Kubrick) e transformar numa história ruim… por isso mesmo, é imperdível.

Veja também.

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Um futuro distópico

A seguir, quatro indicações de livros distópicos que marcaram a literatura do gênero.

Se uma “utopia” é como sonhar com um futuro bom e justo, uma “distopia” é o oposto: um pesadelo, um futuro sombrio e ruim…

4) Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, 1931.

É sobre um mundo perfeito, sem sofrimento. Os seus seres perfeitos física e moralmente têm apenas prazeres. Um exemplo é sexo à vontade sem a preocupação com reprodução – este “detalhe” fica à cargo de ventres artificiais feitos para isso, e um outro exemplo é uma pílula da felicidade chama “soma”. Entretanto, à margem da sociedade perfeita ficam os seres excluídos, no mundo real. A trama se baseia num homem que é tirado do mundo real e colocado no mundo “perfeito”.

É algo como a Matrix do filme, que também é sobre um futuro distópico perfeito em detrimento do mundo real.

3) Laranja mecânica, 1962, Anthony Burgess.

O protagonista é um jovem chamado Alex, líder de uma gangue de arruaceiros numa Inglaterra futurista. Esta gangue pratica a ultraviolência, com cenas pesadíssimas de brigas, espancamentos, assaltos, leite com drogas, violência sexual e tudo mais de ruim que alguém pode fazer.

Quando Alex é preso, ele passa por um tratamento psiquiátrico, tipo uma lavagem cerebral, que elimina dele todo o instinto de violência. Mas, quando ele retorna à sociedade, ele está indefeso e é a vez dele de ser espancado e torturado pelos rivais, ex-colegas e antigas vítimas.

A gangue utiliza uma gíria inventada pelo autor, que era fascinado por linguagens e como gangues a utilizavam.

O nome é porque uma laranja não natural, mas mecânica, é algo muito esquisito. É como o Alex natural por fora, mas completamente diferente por dentro. O que é correto, manter a natureza agressiva do rapaz ou transformá-lo num zumbi sem vontade?

O livro foi base do filme de mesmo nome, de 1971, por Stanley Kubrick – um dos clássicos do cinema moderno.

A seguir, dois livros do grande autor inglês George Orwell.

2) A revolução dos bichos, 1945, por George Orwell.

É sobre uma revolução dos animais numa fazenda. Um dos porcos, o velho Major, tem uma revelação de um mundo melhor, liderado pelos animais ao invés do ser humano. Logo depois, Major morre, mas dois dos outros porcos, Napoleão e Bola de Neve, lideram a bem sucedida revolução, expulsando os seres humanos.

No começo é bom, mas com o tempo, Napoleão expulsa e difama Bola de Neve, os animais continuam a trabalhar como sempre fizeram antes, e nada tinha mudado para eles, exceto para os porcos que eram cada vez mais parecidos com os humanos. Os animais também estavam em constante alerta contra a ameaça dos seres humanos, o que justificava que os mais capazes, os porcos, concentrassem o poder.

Há uma série de frases icônicas, como:

  • Quatro patas bom, duas patas ruim
  • Todos os animais são iguais

Quando os porcos começam a assumir cada vez mais as feições dos seres humanos, estas viram:

  • Quatro patas bom, duas patas melhor ainda
  • Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros

No fim do livro, os porcos moram na casa grande, se vestem como humanos e fazem negócios com humanos.

1) 1984, de George Orwell, publicado em 1949.

O Big Brother é o líder máximo de uma sociedade totalitária. Ele a tudo vê (não por acaso, há um programa de TV horrível inspirado por este termo). É uma sociedade dominada pela propaganda, a polícia do pensamento e doutrinação.

O livro tem vários termos como duplipensar (aceitar duas ideias opostas do jeito que lhe convém) e novilíngua (tipo uma linguagem politicamente correta). O próprio Orwell virou um adjetivo, um orwelliano, algo que denota uma distopia sombria.


Conclusões:

Embora tais livros sejam do século passado, os temas continuam cada vez mais atuais.

Um fato curioso é que pessoas com espectro políticos diferentes olham para os livros 1984 e Animal Farm e veem claramente uma ditadura comunista, ou uma ditadura fascista. Olham para a patrulha de pensamento e criticam o outro lado, e acusam um ao outro de duplipensar. Cada lado defende os seus argumentos com unhas e dentes.

Bom, cada um interprete à sua maneira.

Links:

https://en.wikipedia.org/wiki/Brave_New_World
https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_Library_100_Best_Novels
https://en.wikipedia.org/wiki/Animal_Farm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nineteen_Eighty-Four

2017: Uma Odisseia de ônibus em SP

São Paulo é uma cidade gigantesca… Mais de 12 milhões de habitantes, com 7 milhões de automóveis, fazendo deste lugar um dos maiores pesadelos do mundo em termos de trânsito: rodízio de carros, radares para todos os lados, marronzinhos multando, carros avançando uns nos outros, etc…

 

Tenho duas alternativas para ir ao escritório. De carro, demoro 40 min para percorrer 9 km de distância. De transporte público, (ônibus + metrô), 1 hora e pouco. Ou seja, mais ou menos duas horas diárias na locomoção.

 

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São Paulo é tão grande que um ônibus articulado enorme como esse lota facilmente

Prefiro a segunda alternativa, transporte público, mesmo com todos os problemas: ir de pé, às vezes num ônibus lotado. Mas não uso transporte público por motivos altruísticos. Não é para salvar o planeta, nem para preservar o meio-ambiente. Uso o ônibus para otimizar o meu tempo.

 


 

O tempo do trajeto é o único momento do dia em que posso me concentrar totalmente, sem interrupções, sem compromisso, sem stress – em casa, tenho três filhas, e, no ambiente de trabalho, há sempre uma quantidade imensa de tensão e distrações.

No trecho do metrô, posso ler, e no trecho do ônibus, costumo ouvir áudio-livros. Ou simplesmente pensar, sobre qualquer assunto, sobre qualquer coisa. Ao invés de perder 80 minutos brigando no trânsito, ganho 120 minutos diários de tempo para ler, estudar e viajar pelos mais diversos assuntos:

– Ulisses, na Odisseia, enfrentou um dilema. Ele estava na ilha da deusa Calipso há sete anos. Um dia, ele quis partir, voltar para a sua Ítaca.

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Odisseus e Calipso

 

Calipso, que estava perdidamente apaixonada, ofereceu a Ulisses a imortalidade: viver eternamente com 30 anos, no mundo dela, cheio de fartura e prazeres. Ulisses preferiu voltar para Ítaca. Preferiu viver com Penélope os poucos anos que um mortal pode viver, e por isso mesmo, desfrutar de cada momento como se fosse o último.

– Um grupo de colonos nórdicos chegou às Américas no ano 1000. Eles chamaram o lugar de Vinland, porque havia histórias de que os vinhedos cresciam por todo lado nesta terra. Foram liderados por Erik, o vermelho. Mas, de vinho doce eles encontraram nada. Enfrentaram a oposição dos índios nativos e a colônia não durou muitos anos.

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Só tecnologia para cruzar os oceanos não bastava. Para haver a era dos conquistadores, 500 anos depois, tinha que ter estrutura política, social e econômica: apoio governamental, exércitos, missionários, financiamento econômico via diluição dos riscos (empreendimentos como a Companhia das Índias Ocidentais deram origem à bolsa de valores).

 

– O filósofo grego Sócrates foi condenado à morte por influenciar negativamente os jovens de Atenas.

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O julgamento de Sócrates

Ele encarou a condenação de peito aberto. Se questionar e pensar eram ofícios tão negativos assim, ele assumia que era isso mesmo que ele fazia. Sócrates não hesitou em tomar cicuta, um tipo de veneno.

 

– Uma das histórias mais bonitas de Neil Gaiman é chamada Ramadã. É sobre a maior e mais bela cidade que já existiu, Bagdá. A Bagdá das histórias das 1001 noites, dos palácios encantados, dos tapetes voadores. A Bagdá das belas dançarinas, dos mercados exóticos, dos viajantes de todos os lugares do mundo.

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Pois bem, o seu califa, Rahoun Al Raschid, estava preocupado. Bagdá era tão perfeita, e estava num momento tão bom, que ele sabia que este momento não duraria para sempre. Desceu até uma sala, onde havia dois ovos da Fênix: um branco, que geraria outra Fênix, e um preto, da qual ninguém sabia o que viria. Chamou Sandman, o senhor dos sonhos, e fez um acordo com ele: “concedeu” Bagdá a Sandman. Bagdá foi imortalizada no mundo das histórias, no mundo dos sonhos. Foi uma sábia decisão. Hoje em dia, não há mais Bagdá, e sim, o Iraque em seu lugar.

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Os dois ovos da Fênix

– Einstein e Godel passavam horas caminhando e conversando, no tempo em que os dois trabalhavam em Princeton. Albert Einstein, todos sabem, abalou os alicerces da física newtoniana. Kurt Godel era um lógico matemático, que provou que a Matemática não consegue se livrar de paradoxos (ex. o mentiroso diz “Estou mentindo”), e portanto, não é completa e consistente ao mesmo tempo: em suma, ele abalou os alicerces da matemática. As duas ciências mais exatas da humanidade tiveram as fundações questionadas por esses dois homens.

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Kurt Godel e Albert Einstein

Qual seria o nível da conversa matinal dos dois? Gostaria de ser uma mosquinha, para acompanhar.

– Um soldado japonês chamado Hiroo Onoda continuou lutando, mesmo após 25 anos depois do fim da Segunda Grande Guerra. Ele foi designado para defender uma das incontáveis ilhas do Pacífico. Os EUA nem deram bola para esta ilha, passaram direto. Quando chegaram as primeiras notícias de que o Japão tinha se rendido, alguns dos colegas de Onoda se entregaram, outros acharam que era uma emboscada americana. Com o passar dos anos, os colegas ou desertaram ou morreram.

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Onoda continou sozinho na floresta, vivendo escondido em buracos e sobrevivendo do que tinha. Ele só se entregou após o seu comandante, o mesmo que o designara para a ilha, ordenar que ele se rendesse.

 

– Steve Jobs era tão perfeccionista que vivia numa mansão praticamente vazia, porque só comprava móveis cujo design o agradava. Ele perdia semanas exigindo um design perfeito de seus produtos, desde a caixa que embalava até o mais minúsculo detalhe. “O botão do novo Mac ficou tão bonito que dá vontade de lamber”.

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– Redes Neurais Adversárias são uma das maiores inovações dos tempos atuais. A ideia das redes é uma vencer a outra: uma rede neural especializada em reconhecer letras em imagens, contra outra rede especializada em criar letras difíceis de serem reconhecidas pela primeira. Assim como na vida real, ter um adversário à altura e com objetivos opostos faz ambos crescerem mais do que seriam capazes sozinhos. Um Barcelona não seria o mesmo sem um Real Madrid.

– O filme 2001, de Stanley Kubrick, inspira o nome deste post. Este começa na pré-história, no alvorecer do ser humano, e termina no futuro das viagens espaciais. De tempos em tempos, um monolito preto misterioso aparece para a humanidade.

Monolito e alinhamento solar

A cada monolito, ocorre uma evolução. Foram apresentados aqui alguns dos monolitos que coletei durante a Odisseia do transporte em SP…

 

Trilha sonora: “A valsa das estrelas”.

​Não bastava uma cena boa. Tinha que ser espetacular

Uma das cenas mais memoráveis da história do cinema é a abertura do filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. O filme data de 1968 e desde então tornou-se um dos clássicos do cinema.
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A abertura citada é tão poderosa que ficou uma semana ecoando na minha cabeça.
E até hoje, ao relembrar dela, vejo a estrela surgindo atrás do planeta, e a trilha sonora ecoando em meus ouvidos.
Uma história curiosa. O ultra perfeccionista diretor Stanley Kubrick tinha encomendado a trilha sonora do filme ao compositor Alex North, com quem tinha trabalhado anteriormente em Espartacus.
Alex North era um compositor extremamente talentoso. Por exemplo, ele é o autor de  “Unchained melody”, aquela do filme “Ghost, do outro lado da vida”.
Pois bem, North deu o melhor de si para fazer o soundtrack do filme.
Eis a abertura do filme com a composição de North.

Porém, ao assistir à premiere do filme, North teve uma surpresa. Kubrick não tinha usado nenhuma de suas músicas na versão final do filme. O diretor preferiu utilizar as músicas “guia” indicadas para inspirar a composição da trilha sonora. North ficou completamente devastado…
Kubrick poderia ter sido um pouco mais humano, é claro. Mas, certamente, fez a escolha certa. O bom não bastava. Tinha que ser espetacular. Ele utilizou a pouco conhecida (na época) música “Assim falou Zaratustra”, do compositor alemão Richard Strauss. Tons grandiosos, fortes. Apenas cinco notas, mas que notas! Ao fundo, uma estrela ascendente no espaço infinito.
Não adianta explicar. Tem que assistir, de preferência ao filme todo:

2001 é frequentemente citado como um dos 50 melhores filmes de todos os tempos. Criou uma legião de admiradores em todo o mundo desde então.
Até no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) tem uma menção ao filme de Kubrick. O salão negro tem um mural, onde tem um astronauta, uns planetas, e um… monolito voando…
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Notas
“Assim falou Zaratustra” é um livro espetacular de Friedrich Nietzsche, um dos gigantes do século XIX, obra que inspirou a composição de Richard Strauss. Ou seja, é gênio atrás de gênio.
Outra cena fabulosa é a “valsa das estrelas”, que utiliza outra música clássica, a valsa Danúbio Azul. É hipnotizante.