Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!

Regra: não ter regras!

Para mim, a melhor coisa que aconteceu nos últimos anos foi a chegada da Netflix. O catálogo de filmes, as séries, o conteúdo original, colocou em nossas mãos um catálogo infindável de opções.

A Blockbuster teve a oportunidade de comprar a Netflix, por uma mixaria, no ano 2000.

Reed Hastings, o fundador da empresa, conta no recém lançado “A Regra é não ter Regras”.

A Blockbuster tinha 9 mil locadoras em todo o mundo, faturando US$ 6 bi.

A Netflix, na época um serviço de envio de DVDs pelo serviço postal, tinha 100 funcionários, 300 mil assinantes, e perdas anuais de US$ 57 mi!

A Blockbuster sabia que o negócio seria afetado por uma internet rápida no futuro. A proposta: ela compraria a Netflix, que criaria seu braço de aluguel e vídeos online.

Porém, a Blockbuster recusou categoricamente, após ouvir o preço de US$ 57 mi.

Hoje, a Netflix é o maior serviço de streaming do mundo, com mais de 180 milhões de assinantes em 190 países. A Blockbuster, está nos livros empoeirados de história.

Por que uma gigante como a Blockbuster não conseguiu criar o próprio serviço de streaming, sabendo que isso seria importante?

Uma das respostas: a cultura da empresa. A Netflix destaca: densidade de talentos, feedback sinceros e poucos controles. Regra: não ter regras. Inovação na veia.

Para entender a cultura da Netflix, recomendo o recém lançado livro de Hastings:


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Dica de inovação: eliminar a parte chata

Aqueles um pouquinho mais velhos lembram-se da Blockbuster.

Era uma experiência boa pegar o carro e ir à loja, sempre bonita, com a namorada, escolher um filme para o fim de semana. Tinha até pipoca para microondas e doces, como uma sala de cinema.

A parte ruim era devolver o DVD no dia seguinte. Desviar o rumo do trabalho ou da escola, perder meia hora de um dia cheio só para entregar o filme de volta…

Assistir o DVD é legal, devolver o DVD é chato.

Tem uma empresa americana que atacou a parte chata do problema. Que tal só devolver quando fosse pegar outro? E se a cobrança fosse por mensalidade?

A empresa é a Netflix, a mesma que hoje é onipresente. Ela demorou muitos anos para dar certo, porém, a mentalidade inovadora existia desde o começo.

Fazer compras é legal. Ficar numa fila enorme, para pagar, é chato. Que tal acabar com as filas? A Apple Store não tem fila. Qualquer atendente pode finalizar a compra.

Ficar entrando em diversos sites de companhias aéreas e hotéis para combinar opções de voos, horários e tarifas é chato. Os sites do tipo Decolar.com, que aglomeram informações, atacam este problema.

No cotidiano: Tarefas repetitivas são chatas. Hoje em dia, há softwares de automação de processos (RPA) que podem fazer a mesma tarefa em segundos.

Tarefas burocráticas são chatas. Que tal perguntar se são mesmo necessárias, ou sugerir mudança de procedimento?

Reuniões são chatas. Todas elas realmente precisam da sua presença?

Receber um e-mail com textão mal escrito é chato. Que tal caprichar na comunicação?

Todas as vezes que você se deparar com algo chato, lembre-se: eis uma grande oportunidade!

Um poeminha para fechar: Opportunity, de Berton Braley
https://www.poemhunter.com/poem/opportunity-43/

Sobre a história da Netflix:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-38348864