Mitologia Nórdica

Mais algumas recomendações de leitura: Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, e várias histórias do Thor, de Walter Simonson.


  1. Mitologia Nórdica

Hoje em dia, temos os filmes da Marvel, porém, milênios antes de existirem telas de cinema e histórias em quadrinhos, os antigos povos escandinavos contavam histórias, ao redor de fogueiras, sobre as incríveis façanhas de Thor, o Deus do Trovão; Odin, o pai de todos os deuses; Loki, o traiçoeiro, e tantos outros.

As lendas nórdicas antigas são recontadas pelo maior tecedor de histórias da atualidade: Neil Gaiman, da série Sandman, também autor de Deuses Americanos, Stardust e Good Omens.

As histórias incluem:

  • Como o muro de Asgard foi construído? (Loki enganou um gigante do gelo para isso)
  • Por que o martelo de Thor tem um cabo tão curto? (também tem manipulação do Loki na história)
  • O casamento de Freya (a mais bela das asgardianas) com um gigante do gelo. Essa história é especialmente cômica, porque Thor se disfarça de Freya (a contragosto, plano de Loki, óbvio), e Loki vai passando a conversa no gigante até o dia do casamento.

O próprio Neil Gaiman narra trechos deste conto, em (71) Neil Gaiman reads “Freya’s Unusual Wedding” – YouTube.

  • Como Odin perdeu o seu olho?
  • A morte de Balder. O personagem Balder não aparece em nenhum dos filmes da Marvel, mas nos quadrinhos, sim, e eu gostava muito dele: um deus nobre, bastante querido por todos. Um deus diferente dos demais.
  • A história de Fenris, o terrível cão com poder de causar o Ragnarok. Na mitologia, Fenris é filho de Loki. Hela também é filha de Loki (só coisa ruim vem dele). O conto mostra como os deuses enganaram o cão, prendendo-o até o fim dos tempos (spoiler: um dos deuses teve que ceder o braço por isso). Fenris aparece em um dos filmes do Thor, porém o original da mitologia é infinitamente mais perigoso.

Gaiman sempre incorporou inúmeros elementos da mitologia nórdica (e também egípcia, grega, japonesa e de diversas outras culturas) em suas histórias. Este compilado de contos, apesar de não serem originais (afinal, são lendas de milênios), tem a pitada do gênio do autor: história bem narrada do início ao fim, linguagem contemporânea, com muito humor e drama.


2. Thor, de Walter Simonson

O meu contato com Mitologia Nórdica foi com os quadrinhos do Thor, da Marvel, nos anos 90. Foi uma fase muito boa, porque tais histórias foram escritas por Walter Simonson, um dos melhores escritores e desenhistas de quadrinhos de todos os tempos.

Ouso a dizer que, sem Simonson, o Thor da Marvel seria um personagem tão sem graça quanto o Homem Formiga.

Algumas histórias do Thor de Simonson, abaixo. Hoje em dia, não sei como encontrar no formato HQ de anos atrás, porém segue a indicação assim mesmo:

A Saga de Surtur: Originalmente, o Thor era só um ser humano que se transformava em Thor – tipo um Clark Kent que vira Superman. Foi Simonson que fez com que ele fosse realmente o Thor da mitologia, e começou a introduzir vários elementos das antigas histórias, como Surtur e outros personagens das lendas.

Bill Raio Beta: Um alienígena digno de levantar o martelo de Thor! É um arco de histórias tão interessante que pode facilmente ser adaptado ao cinema ou à alguma minissérie.

Simonson é responsável por uma das cenas mais icônicas desta fase.

O Executor, Skurge, sempre foi um personagem de segunda linha, eternamente apaixonado (e usado como capacho) pela bela Encantor.

Thor, Balder e o exército asgardiano tiveram que descer ao Hel (Inferno), a fim de resgatar algumas almas presas injustamente. Na fuga, estavam todos encrencados com as hordas do Hel.

Skurge se ofereceu para ficar para trás, sacrificando-se para segurar as hordas por tempo suficiente para a fuga de seus companheiros. Com isso, ele ganhou o respeito de todos, inclusive de Hela, a deusa do Inferno.

Por fim, uma história sem noção, mas divertida: Simonson transformou o Deus do Trovão em sapo!

A mitologia é muito divertida, quando aliada à outros elementos lúdicos e numa linguagem contemporânea.

Boa leitura!

Veja também:

​O olho da sabedoria (ideiasesquecidas.com)

O índice X-Men de Inflação (ideiasesquecidas.com)

Adaptações de Sapiens, 1984 e Sandman

Algumas recomendações de lançamentos que ocorrerão nos próximos meses:

1 – Adaptação em quadrinhos do livro Sapiens, de Yuval Harari. Serão 4 edições, a primeira a sair no meio de novembro. Apesar de muito tentador, é em inglês, e cotada em dólar, então já aviso que vou esperar lançarem em reais.

https://amzn.to/3838Don

2 – Adaptação em quadrinhos de 1984, a icônica obra de George Orwell. Introduziu termos como o Grande irmão (Big Brother), duplipensar, novilíngua.

https://amzn.to/2G78PHm

3 – A cultuada série Sandman, de Neil Gaiman, ganhará uma adaptação na Netflix! Bom, espero que não estraguem a história do Senhor dos Sonhos.

Outros links:

https://www.ynharari.com/pt-br/book/graphicnovelsapiens/

https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/204471-neil-gaiman-filmagens-serie-sandman-netflix.htm

https://canaltech.com.br/entretenimento/sandman-na-netflix-o-que-esperar-da-adaptacao-da-melhor-obra-de-neil-gaiman-163760/

Um sonho de mil gatos

Dreamthousand

O gato jovem chega a uma conferência de gatos, onde estava a discursar o seu avô, o “gato sonhador”.

– Havia um tempo onde os gatos eram os mestres, e os humanos eram os nossos bichinhos de estimação. Tínhamos tudo: casa, comida, amigos. Cada um de nós ia trabalhar duro durante o dia, e a noite voltávamos para a nossa família, para cuidar de nossas esposas e filhotes. Muitas das casas tinham um humano, porque alguns de nós achávamos esses seres engraçados e inofensivos.

(Um dos gatos da plateia)
– Besteira. Pare de falar bobagem, velho gagá!

(Gato sonhador)
– Mas, um dia, mudou tudo. As nossas casas passaram a ser deles. As nossas ruas passaram a ser deles. Eles se tornaram os mestres, e nós é que viramos os bichinhos de estimação.

(Os gatos da plateia vão embora)
– Chega disto para mim. Esta história é absurda.
– Eu também vou embora. Tem uma tigela de leite quentinha e um pote de ração me esperando.


O gato jovem pergunta ao avô sonhador:
– Vovô, por que você continua a repetir a mesma história, se no final nunca te dão ouvidos?
– Pequeno, um sonho isolado não é nada. Mas o sonho de um número suficiente de gatos pode se tornar realidade. Se 1.000 gatos sonharem a mesma coisa ao mesmo tempo, podemos voltar a ser os Mestres.

 
(recontado a partir de uma história do Sandman, de Neil Gaiman)

Sonho de uma noite de verão

Sonhos têm fascinado os seres humanos de todas as formas possíveis.

Sandman

Existe uma série em quadrinhos chamada Sandman, de Neil Gaiman. Sandman é o senhor dos sonhos. As histórias são um misto de cultura geral e ideias alucinantes.

 

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Há um capítulo em que Sandman observa uma conversa entre William Shakespeare e Christopher Marlowe, e oferece uma troca: Sandman libera a criatividade de Shakespeare, e este entrega duas peças para o senhor dos sonhos. A primeira destas peças é a comédia “Sonho de uma noite de verão”. A segunda peça é “A Tempestade”, apresentada no último capítulo de Sandman.

 

A seguir, algumas histórias curiosas e verdadeiras sobre sonhos.

 


Ramanujan

Srinivasa Ramanujan foi o típico gênio, no mais puro sentido da palavra. Nunca teve uma educação formal decente. Um dia, pegou um livro de Teoria dos Números e começou a ler. Como o livro só tinha proposições, sem provas, ele achou que a matemática era assim. E ele saiu escrevendo um monte de teoremas, sem provar nada. Algo meio intuição, meio razão.

 

A Teoria dos Números é um dos ramos mais puros e abstratos da matemática, também um dos mais difíceis.

 

Ramanujan dizia que recebia inspiração de uma deusa indiana, e que frequentemente estes teoremas surgiam de sonhos.

 

 Exemplo mais famoso é a seguinte fórmula para definição de valor do Pi. Ramanujan sonhou com a fórmula, acordou e anotou num papel, sem provar se estava certa ou não. Esta é uma das fórmulas em que o valor do pi converge mais rapidamente.
Ramanujan
A sua história inspirou o filme “Gênio Indomável”.

 

Fala sério, como é que alguém pode sonhar uma fórmula dessas?

 


Kekulé

August Kekulé foi um cientista químico que estava à procura da composição do benzeno. Ele já sabia que o benzeno tinha 6 átomos de carbono, mas nenhuma combinação dos 6 átomos parecia fazer sentido.

 

Um dia, ele sonhou com uma cobra engolindo a própria cauda. Foi o insight para propor a composição do benzeno como um ciclo fechado.

 

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Esta sacada foi revolucionária, porque até então, não havia nenhuma evidência conhecida de compostos químicos num ciclo. Por exemplo, H2O, CO2, são lineares sem ciclos.

 


Yesterday

A canção mais regravada de todos os tempos é Yesterday, de Paul McCartney.

 

Esta música tem uma história bem legal. Paul sonhou com o ritmo da música, e gostou bastante.
Mas ele desconfiou que este insight fosse alguma lembrança remanescente de alguma outra canção.
Paul enviou o trecho da música para vários conhecidos, e perguntou se eles conheciam a canção. Mas ninguém a conhecia. Só depois disto ele gravou Yesterday, sem medo de estar plagiando alguém.

 


Conclusão 

A teoria dos sonhos mais próxima de ser verdadeira é a de que Sandman, o senhor dos sonhos, assoprou areia nos olhos de Ramanujan, Kekulé e McCartney, libertando a criatividade destes e permitindo descobertas geniais.
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Arnaldo Gunzi
Ago 2015